Diva mas sem Frescura

A força das mulheres de Game of Thrones

Diferentemente da nossa série “homens que não gostamos”, nos pediram pra fazer post sobre personagens de Game of Thrones e a primeira coisa que me ocorreu foi falar sobre as mulheres. Elas são todas fortes, inteligentes, não ficam sofrendo por macho como na grande maioria das séries, filmes e novelas, e tem planos grandiosos como conquistar os sete reinos ou matar todos os inimigos para vingar a morte da sua família. É possível admirar algo em todas, é incrível. Vamos à elas:
 

Missandei

 

 

Missandei até o momento é uma grande aliada de Daenerys e se não fosse por ela, a loirinha provavelmente não teria conseguido juntar seu exército de imaculados. Inteligente e séria, acredito que Missandei ainda vai surpreender por causa da carinha de boazinha. Se fosse tão boazinha assim, não ajudaria a amiga nas mais diversas guerras e adversidades que acabam por matar várias pessoas. Apesar disso, é uma personagem do bem (até o momento pelo menos, porque em GoT nunca se sabe né…)

 

Melisandre

 

 

É verdade que ela é detestável? É. Que é cruel e sem coração? É. Que é uma louca fanática religiosa e bruxa no pior sentido da palavra? É. Mas, Melisandre é uma mulher extremamente esperta, não se  deixa levar por paixonites e está sempre se safando do pior graças à sua esperteza. Não é por isso que não estamos esperando ansiosamente pela hora em que ela vai se ferrar.

 

Daenerys

 

(AP Photo/HBO, Keith Bernstein)

 

Pra não gostar da Daenerys tem que se esforçar bastante. Maltratada pelo irmão babaca, Daenerys poderia ter ficado naquele sofrimento eterno quando foi forçada a se casar com  Khal Drogo, mas preferiu ser forte, seduzir o bofe e se tornar a Khaleesi do povo dele. Foi uma decisão realmente inteligente, pois ao invés de posar de vítima e ficar chorando as pitangas, Daeny foi à luta e resolveu tentar de tudo pra conquistar os sete reinos. A jornada dela é uma grande lição sobre autoconfiança, sobre acreditar em si mesma e não ficar dando moral pra macho. Sendo solteira, chove ome atrás dela, mas ela nunca fez deles mais do que uma possibilidade de saciar seus desejos sexuais. Muito esperta mesmo amiga, porque macho só dá problema e quer ficar cantando de galo.

 

Arya

 

 

Ela é outra difícil de não gostar. Tem que se esforçar bastante pra não achar ela uma garotinha incrível. Desde petiquinha já rejeitava o papel imposto ao gênero feminino e se recusou desde sempre a ser a mocinha indefesa que se casa e passa a vida agradando o marido, por isso vivia fugindo para aprender técnicas de luta e com isso acabou se virando. Sobreviveu ao pão que o diabo amassou, perdeu sua família, sua loba, seu aliado, foi espancada até dizer chega, e nem por isso ficou chorando as pitangas ou desistiu de viver, muito pelo contrário. Cada vez mais Arya está determinada a matar todo mundo que fez da vida dela um inferno, e ela tá mais do que certa mesmo. Vai que é tua, menina Arya!

 

Sansa

 

 

Nunca que eu imaginei fazer post e falar bem da Sansa. Ela foi muito trouxa por um bom tempo, muito aquele tipinho frágil que sofre na mão de homem (no caso dela nem foi por amá-los, coitada, foi por eles não deixarem ela em paz mesmo). Depois de se casar mais do que a Gretchen e nunca por opção própria, Sansa foi ficando cada vez mais espertinha e após sofrer tanto, se vingou deliciosamente da peste do Ramsay e desde então parece que a garota acordou pra vida! Sansa percebeu todo o seu potencial e deu uma guinada na sua história de menina injustiçada e sofrida, correndo atrás do que lhe pertencia e também buscando uma vingancinha, porque vamos combinar que é muito bom né? (pelo texto vocês já podem perceber que eu tenho sangue nos olhos né? kkk)

 

Cersei 

 

 

Vocês podem até estranhar, mas de todas ela é minha preferida. Cersei parece uma louca sem noção que teve 3 filhos do próprio irmão (arg), mas em seus raros momentos de fragilidade, Cersei mostra que no fundo é uma mulher que está e sempre esteve disposta a fazer de tudo pelo bem da família. Ela sempre quis o melhor para seus filhos e por isso a manutenção do poder de sua família era tão importante. Por erros em seus julgamentos e alianças, e também por criar filhos visando que eles fossem megalomaníacos, acabou perdendo tudo o que mais amava, e isso ensinou a ela uma grande lição. Maaaaaaaas, não é por isso que ela vai ficar chorando pitangas e ficar de luto eterno, né? Cersei é provavelmente a mulher mais forte de todas, manipuladora, estrategista, calculista e não deixa que nada a abale a ponto de perder a razão de viver. Ela nos dá uma grande lição sobre manter o foco e não enlouquecer apesar das circunstâncias, por piores que elas sejam, e muito menos desistir.

 

O que mais gosto na série é que os personagens são muito reais no sentido de que todos eles tem qualidades e defeitos, pontos bons e ruins. Todos tem a capacidade de mentir, de amar, de se vingar e de buscar seus objetivos, e o que diferencia as mulheres da série é que todas tem um papel crucial e um protagonismo indiscutível. Apesar de precisar dos homens para realizarem alianças que possibilitarão a conquista dos seus objetivos, elas não se subjugam a eles e nem deixam que eles as confundam. Todas elas quebram esse padrão novelístico e televisivo de mulher frágil, e não vou negar: amamos isso!

 

E você, quais as suas personagens preferidas? Conta pra gente!

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Luma Mattos

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O brilho das mulheres de GLOW

Alguém pare a menina Netflix!! Todo dia é série, filme, produção original diferente e só procrastinando muito para conseguir acompanhar tudo. Aproveitando esses lindos dias de recesso escolar, resolvi fazer jus à mensalidade e parei para maratonar algumas séries. Uma delas foi GLOW, novíssima série original da Netflix.

 

Lá vai um resumo sem spoilers para vocês pegarem a ideia: GLOW é a sigla para Gorgeous Ladies of Wrestling (ou garotas lindas lutando). Um diretor com a autoestima lá embaixo recruta mulheres de todos os tipos, muitas nem atrizes e nem atletas são, para um programa de luta livre feminina. Entre as escolhidas, temos Ruth Wilder, uma atriz frustrada e insegura que não consegue papel algum e resolve encarar o desafio. Ruth e mais 13 mulheres lutam juntas (literalmente) para fazer o projeto sair do papel, passando por vários dramas e problemas pessoais.

 

 

O grupo de mulheres é, como vocês devem imaginar, bem heterogêneo. Todas são diferentes e vêm de lugares diferentes, com histórias diferentes. O interessante dessa série é que as distinções entre elas ficam claras ao longo dos episódios e vamos descobrindo, juntas, suas características. Não existe aquele vai e vem, comum em algumas séries, para explicar a origem da personagem tal, e isso me chamou atenção.  GLOW é uma série de comédia dramática. Às vezes consegue ser engraçadinha mesmo, mas consegue ser dramática o tempo todo. Existe sempre uma tensão com alguma das personagens e acaba sendo impossível não se apegar a uma delas. Até com diretor, Sam, a gente consegue sentir alguma empatia.

 

A série se passa nos anos 80 e isso é um ponto positivo por motivos de: figurino e trilha sonora. Muito brilho (glow rs), collants, cabelos cheios de spray e músicas ótimas e animadas. A caracterização não ficou estereotipada, mas podem esperar porque ainda vou falar sobre estereótipos por aqui.

 

 

Quando acabei de assistir ao último episódio, fiquei um tempinho olhando para o teto tentando refletir sobre o que assisti. Confesso que GLOW parece ser meio bobinho, as lutas são toscas e é preciso um olhar mais profundo para realmente chegar a uma interpretação. Para quem assiste despretensiosamente, GLOW pode parecer mais uma série ok para ser assistida durante o intervalo de um Game of Thrones da vida, mas há uma bela mensagem por trás dos 10 episódios da primeira temporada.

 

O tema de mulheres lutando entre si não é tão imaginário assim, né? O que mais vemos é rivalização feminina, sempre tendo de haver uma inimiga. Mulheres se rivalizam por motivos pequenos e crescemos acreditando que é normal, que mulher é falsa, que é melhor ser amiga de homem. Contudo, ao longo dos anos descobrimos que isso não é verdade. Mulheres são as únicas que podem se entender e se proteger. E é exatamente isso que acontece em GLOW.

 

 

Todas ali disputam por uma vaga no programa, depois pela melhor personagem, etc. Há intrigas e desavenças no início, mas ao decorrer da série, a convivência as transforma em amigas que se unem e aprendem a lidar com as diferenças. As mulheres na série passam a se defender, até uma festa de aniversário para a mais deslocada elas fazem. São detalhes, casos sutis que transformam GLOW em uma série que mostra a importância da união feminina.

 

Vocês lembram quando eu falei de estereótipos? Nessa série há muitos. As personagens das lutadoras são baseadas neles (União Soviética vilã x EUA heróis, uma menina indiana caracterizada como terrorista árabe, uma menina do Camboja caracterizada como chinesa, etc). Todas são escolhas do diretor, que muitas vezes é insensível e machista. Mesmo assim, as mulheres têm, sim, consciência. Precisam acatar ordens, mas se incomodam, discutem entre si sobre os temas e vemos que elas sabem muito bem o que acham certo ou errado, mas acabam abaixando a cabeça. A voz das mulheres é silenciada ali, mesmo elas estando em maior número e sabendo que algo não está certo, e vi isso como uma grande crítica, assim como os usos dos estereótipos.

 

Meu único adendo é que essa crítica pode acabar ficando escondida por trás dos dramas das personagens, da rivalidade que acaba existindo entre Ruth e sua melhor amiga Debbie, ou até mesmo da leve comédia da série. Lendo algumas críticas, encontrei uma que falava mais ou menos sobre isso. Nos comentários, só havia defesa pela série, que essas queixas eram infundadas, que não era esse o sentido. Adivinhem de quem era TODOS os comentários? Sim, de homens.

 

 

Essa vida de problematização é muito cansativa, principalmente quando tentam silenciar sua voz no momento em que você expõe algo que te incomoda. Em GLOW isso acontece, nos comentários sobre a série isso acontece, na escola/faculdade/emprego isso acontece, no mercado isso acontece… Enfim, estamos constantemente sendo silenciadas, rivalizadas e estereotipadas, mas a lição que eu tiro disso tudo é: se unam. A união de mulheres assusta mais do que a luta entre elas.

 

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Flávia Muniz

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Autoras mulheres que usavam nomes masculinos

A história da literatura, dos livros e dos textos que ganham vida quando adentram os processos simbólicos da comunicação é cheia de prosas e poesias especiais, cantos escondidos, altos e baixos. E claro, como toda boa história, acompanha a sociedade, e justamente por isso, possui um mundo de curiosidades incríveis que nos fazem refletir sobre o contexto que levou a determinados fatos.

 

Um desses fatos é o uso de pseudônimos, ou seja, assinar um texto ou um livro com um nome fictício. As motivações para usar um pseudônimo hoje em dia podem ser das mais diversas, porém o início dessa prática se deu para evitar perseguições, prisões, retaliações, etc. Esse artifício foi largamente usado pelas mulheres, que só conseguiam publicar utilizando nomes masculinos. Como vocês sabem ou já estão imaginando, as mulheres eram proibidas de escrever até bem pouco tempo. Ainda no século XX, países da Europa tinham leis que impediam as mulheres de ganharem dinheiro com ofício próprio sem a permissão do marido. Logo, publicar um livro assinando como mulher era praticamente impossível, tanto pela questão da proibição, quanto porque a sociedade da época receberia bem mal um texto assinado por uma mulher.

 

Como muitos desses pseudônimos jamais foram descobertos, muitos resíduos dessas histórias acabaram se perdendo. Com certeza, não se sabe quase nada a respeito de escritoras maravilhosas que nunca saíram do anonimato. Mas, a gente tenta recuperar um pouquinho disso e nesse post, vou citar algumas dessas figuras corajosas que foram guiadas pela paixão da literatura e da escrita.

 

– Amandine Aurore Lucile Dupin 

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Ela era a baronesa de Dudevant e viveu de 1804 a 1876.  É considerada a maior escritora francesa e uma das precursoras do feminismo, por lutar pela igualdade de direitos entre os gêneros. Foi obrigada a se casar e assim o fez em 1822, tendo 2 filhos. Seu marido era alcoólatra e infiel e, por isso, Amandine se divorciou em 1836, um fato incomum para a época que gerou extrema polêmica em torno da figura da escritora.

 

Escreveu para o jornal Le Figaro com o nome de Jules Sand e em 1831, ainda casada, lançou o livro Rose et Blanche junto com Jules Sandeau. Foi em 1832 que passou a usar o seu famoso pseudônimo George Sand, quando escreveu sozinha o romance Indiana, um sucesso da época. De 1832 a 1837, ela escreveu muitos romances, que foram publicados, primeiramente, como folhetins em jornais, assim como quase todos os romances do século XIX. O tema dos romances  falava sobre desejos naturais do feminino e suas frustrações posteriores, deixando clara uma posição de reivindicar o direito da mulher pelo amor e vida livres.

 

Amandine possuía vários relacionamentos (momento TV Fama Histórico: ela teve um rami rami com Chopin de 1838 a 1847) e tinha o hábito de se vestir com roupas masculinas, pois ela dizia que as vestes apertadas e sufocantes dirigidas à mulher atrapalhavam na praticidade do dia a dia e na hora de escrever. Também tinha o costume de fumar em público num tempo em que isso era inaceitável para uma mulher.

 

Ela sonhava com um mundo onde o amor fosse livre e que as classes sociais fossem unidas (utópica, né linda? Imagina se pousasse em 2016 e visse a merda que tá?). Participou ativamente da Revolução de 1848 e até essa data seus livros eram bem preocupados com a questão social. Depois disso, acho que ela ficou #xatiada e viu que estava nadando contra a maré e passou a escrever textos mais leves e simples. Lá pra 1875 virou avó e escreveu Contos de uma Avó para os seus netos.

 

Ao todo, a bicha destruidora fez mais de 70 obras, entre contos, romances, novelas, peças de teatro e textos políticos. Alguns dos seus romances foram transformados em filmes e séries de TV, como: Mauprat (1929 e 1972), Les Beaux Messieurs des Bois Dorées (1976), La Petite Fadette (2004), La Mare au Diable (1972), Les Enfants du Siècle (1999), etc. Na ocasião de sua morte Victor Hugo escreveu: Je pleure une morte, et je salue une immortelle. Google Translator: Eu choro uma morte e saúdo uma imortal. 

 

– Mary Anne Evans 

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A britânica e autodidata Mary Anne Evans que viveu de 1819 a 1880 usava o pseudônimo George Eliot por duas razões: evitar as perseguições feitas às mulheres que tentavam publicar e para que sua obra fosse levada a sério. Como eu disse acima, a sociedade da época não estava preparada para aclamar um sucesso proveniente de uma mulher. Mary Anne queria escapar dos esteriótipos de que as mulheres só eram capazes de escrever obras superficiais e leves. Tem outra teoria de que, além de tudo isso, a autora também queria preservar sua vida íntima e o seu relacionamento com George Henry Lewes, que era casado, mas teve Mary Anne como amante por mais de 20 anos. Babados & Confusões versão Personagens Históricos, você vê por aqui! 😉

 

Sua vida pessoal se refletiu em seus textos, pois tratavam-se de conflitos do ser humano, como a angústia, o desespero e a busca pela razão da vida. Sua sensibilidade é reconhecida por várias gerações de leitores posteriores à suas publicações. Foi ela que desenvolveu o método da análise psicológica característico da ficção moderna. A obra Middlemarch: um estudo da vida provinciana (título publicado no Brasil) é considerada um dos maiores romances do século XX. Virginia Wolf possuía profunda admiração por Mary Anne e chegou a escrever um artigo em tributo à ela, no qual falou sobre a obra: “este é um dos poucos romances ingleses escritos para gente grande”.

 

– Irmãs Brontë

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Essas três irmãs, Charlotte (1816-1855), Anne (1820-1849) e Emily (1818-1848) lutaram contra muitos preconceitos em busca do sonho de terem suas obras publicadas. Elas fascinam leitoras há mais de 150 anos e são consideradas pilares da literatura internacional, influenciando outros escritores e escritoras, profissionais do teatro, cinema e da televisão. Ainda nos dias de hoje, seus livros são continuamente lidos por jovens ao redor do mundo. Com muita dificuldade financeira, a perda da mãe e a falta de uma educação adequada, elas foram dar a cara a tapa e hoje são consideradas um mito da literatura ocidental.

 

Elas basicamente só tinham acesso aos livros do pai e aos jornais publicados na época. Mais tarde, começaram a escrever histórias por diversão. Charlotte criou um mundo imaginário chamado Angria, de qual constam aproximadamente cem histórias, entre os anos de 1829 e 1839. Já Emily e Anne criaram um imaginário próprio, chamado Gondal, no qual escreveram sobre de 1834 até 1845, porém todos estes escritos foram perdidos.

 

Na Inglaterra da Era Vitoriana era extremamente difícil para uma mulher tornar-se uma escritora. Então elas decidiram lançar seus poemas e romances com os nomes de Currer, Ellis and Acton Bell. O primeiro livro de poemas foi um fracasso mas elas não desistiram e em 1847, conseguiram apoio de um editor. Então, Charlotte publicou Jane Eyre, Emily publicou Wuthering Heights, o conhecido O Morro dos Ventos Uivantes, e Anne, The Tenant of Wildfell Hall. Depois disso, as três lançaram muitos outros romances, mas tiveram mortes precoces por diferentes razões, o que acabou pondo um fim a criatividade das três.

 

Pra quem quer saber mais um pouco sobre elas, o filme de André Téchiné, Irmãs Brontë, de 1979, conta a vida das três célebres irmãs.

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Olga Bon

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11 mulheres incríveis que não estão nos livros de História

Já repararam que as páginas dos livros de História estão lotadas de feitos magnifícos realizados por grandes homens? Será que as mulheres realmente não faziam nada? Claro que éramos oprimidas pela sociedade e tínhamos que obedecer as regras sociais, mas somos bicho duro na queda! Sempre existiram mulheres a frente do seu tempo, que lutaram e deram a cara a tapa. Mas onde elas estão? Os livros são escritos por homens e os créditos sempre vão todos pra eles. Nada de novo sob o sol, não é mesmo? Mas ao longo dos séculos, as mulheres estavam lá, corajosas e libertárias, tentando fazer acontecer. Cabe a nós resgatar essa memória e não deixar homem nenhum ganhar crédito por algo feito por uma de nós.

 

Vou começar esse resgate nesse post, com 11 mulheres incríveis, que mudaram o mundo e foram fundamentais para as conquistas que temos hoje.

 

1 – Maud Wagner 

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Maud Wagner foi a primeira tatuadora mulher dos Estados Unidos, em 1907. Se hoje, 2016, ainda olham torto pra mulher tatuada, imagina em 1907? Para sobreviver, Wagner também fazia acrobacias circenses e viajava pelos EUA para tatuar e para se expor como “atração tatuada”.

 

2 – Annie Lumpkins 

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Annie Lumpkins foi a mais jovem ativista dos EUA pelo direito ao voto feminino. Aos 18 anos, integrou o ‘Freedom Riders’ (Cavaleiros da Liberdade), ônibus que circulou no sul dos EUA, desafiando as leis racistas locais e colocando suas vidas em risco por justiça racial. Na foto, de 1961, Annie é detida em Little Rock, mas não foi presa e foi fotografada enquanto era dispensada pelo delegado Glascock para voltar a St. Louis no próximo ônibus dos Freedom Riders.

 

3 – Marie Curie 

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Marie Curie foi uma física e química polonesa, que sempre se destacou nos estudos. Mesmo assim, foi impedida de entrar no ensino superior, pois só os homens eram permitidos. Contudo, ela lutou contra esse sistema machista e se tornou uma das principais cientistas de toda a história. Foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel de química e o primeiro ser humano a ganhar dois Prêmios Nobel em áreas científicas diferentes. Em 1995 seus restos mortais foram transladados para o Panteão de Paris, tornando-se a primeira mulher a ser sepultada neste local.

 

4 – Sabiha Gökçen 

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Turca, ela foi a primeira mulher a se tornar pilota de caça, em 1937. Depois de Sabina, muitas outras mulheres viram que era possível e se interessaram pela profissão  e em 1945 elas já eram vistas durante a Segunda Guerra Mundial.

 

5 – Ellen O´Neal 

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Ellen O’Neal foi a primeira mulher a ganhar notoriedade no cenário do skateboard. Ela participou do California Free Former World Professional Skateboard Championship no ano de 1976 e 1977, onde não ganhou títulos mas ficou conhecida por seu carisma e por ser a representação de uma geração inteira de garotas que queriam andar de skate. Além disso, ela foi responsável por disseminar a cultura do skate feminino, além de ter participado de programas de TV, como o seriado “Mulher Maravilha”.

 

6 – Ada Lovelace 

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Essa coisa de computador e tecnologia da informação e engenharia é um mundo tão masculino, né? Pois se eu disser pra você que a primeira pessoa considerada a primeira programadora do mundo foi uma mulher você faz o que? É isso mesmo! O nome dela é Ada Lovelace, nascida em 1815 e filha de Lorde Byron com Anne Isabella. Seus talentos com os números a aproximaram do inventor Charles Babbage, professor e inventor, fazendo com que os dois começassem uma série de estudos, que foram basicamente esquecidos. As reflexões e pesquisas de Ada foram republicados tempos depois e se tornaram essenciais para o trabalho de Alan Turing sobre os primeiros computadores modernos em 1940.

 

7 – Jeanne Manford 

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Jeanne Manford foi uma grande ativista norte-americana que lutou pelos direitos dos homossexuais e essa foto é ela, em 1972, ao lado do filho gay, em uma passeata. Jeanne co-fundou o grupo de suporte PFLAG (Parents, Families and Friends of Lesbians and Gays), pelo qual ela recebeu uma medalha de honra em 2012 (ela faleceu em 2013). Jeanne entendia, nos anos 70, a importância de ter uma rede de suporte para pais e amigos de pessoas gays e a importância de criar uma rede de afeto, pois só assim o respeito, o amor e a tolerância venceriam.

 

8 –  Kathrine Switzer

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Essa aí da foto é a Kathrine Switzer, a primeira mulher a correr a famosa Maratona de Boston, em 1967. E você não está vendo errado: ela realmente está tentando ser impedida por organizadores e corredores indignados com a sua presença. Mesmo assim, ela conseguiu concluir a prova.

 

9 – Sarla Thakral

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Em 1936, Sarla Thakral quase perdeu a vida ao batalhar uma licença pra pilotar na índia. E ela conseguiu!

 

10 – Hipácia de Alexandria

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“Mas só tinha filósofo homem, né?”… tinha não, gente… essa aí é a Hipácia, matemática, astrônoma e uma das mais importantes pensadoras da Antiguidade. Foi morta por cristãos acusada de bruxaria. É considerada a última intelectual de destaque da Alexandria, centro da cultura grega no mundo helenístico.

 

11 – Valentina Tereshkova

 

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Valentina Tereshkova foi a primeira mulher a viajar para o espaço, em 16 de junho de 1963, pela União Soviética. Nascida em uma família comunista de trabalhadores operários e rurais na Rússia, desde cedo ela já gostava de se aventurar em atividades relacionadas ao céu. Aos 22 anos, começou a participar de um clube de paraquedistas amadores e deu seu primeiro salto.

 

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Olga Bon

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Não deixe o padrão te enlouquecer!

Durante as últimas semanas resolvi fazer um texto para o blog falando sobre padrões de beleza, afinal, todas as mulheres que existem, até mesmo a Gisele Bundchen, sofrem por causa dele. E quando resolvemos pesquisar sobre algo, começamos a reparar todas as vezes que estão falando sobre o assunto. Uma coisa, de fato, me impressionou: não existe um dia em que eu não veja nenhuma mulher falando que quer emagrecer, ou que queria colocar silicone, ou tirar o peito, ou ser mais sarada, ou ter o cabelo assim, o nariz assado. E quando comecei a me lembrar de quando eu estava satisfeita com o meu peso, meu cabelo e até meu nariz, lembrei da última vez em que eu nem pensava nisso: quando eu era criança.

 

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Gatas, isso é simplesmente BIZARRO. Eu não consigo lembrar da época em que eu não tinha vontade de emagrecer, só quando eu era criança. Por mais que hoje eu seja super feminista e tenha consciência de que esse desejo de ser magra, ter um nariz menor e um cabelo “comportado” seja por pura imposição da mídia, percebi o quanto é difícil deixar de sofrer pelas insatisfações com o meu corpo, e conversando MUITO sobre o assunto, vi que não é só comigo, é simplesmente com TODAS as mulheres que conheço, inclusive as que se encaixam perfeitamente no padrão de beleza midiático.

 

Não conseguimos nos sentir suficientemente magras, suficientemente saradas, com a pele suficientemente bonita, com o cabelo suficientemente hidratado, com o nariz suficientemente pequeno, e isso nos faz muito mal. Faz mal em níveis pequenos, como querer emagrecer, não querer colocar biquíni e fazer uma dietinha de revista, como também faz mal em escalas enormes: anorexia, bulimia, intervenções cirúrgicas, depressão. Considerando isso tudo, selecionei algumas famosas que são gente como a gente:

 

 

Demi Lovato

 

 

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Demi sofreu bullying por muito tempo e é massacrada pela mídia e por haters a cada quilinho que ela engorda. Pra mim, ela é linda de qualquer jeito, além de talentosa e uma fofura, mas vemos que a loucura de estar no padrão de beleza fez com que ela usasse drogas, cortasse os pulsos e se afundasse em depressão (mais de uma vez). O jeito que Demi encontrou de lidar com isso foi emagrecer e seguir o padrão, assim como…

 

 

Raven-Symoné

 

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A estrela de “As visões da Raven” emagreceu 15 quilos e confessou para o Daily Mail que gostava do corpo dela como era antes, e que agora as pessoas olham para ela por más razões.

 

Queen Latifah

 

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Apesar de parecer que não se importa, Queen Latifah chegou a perder 20 quilos!

 

 

Winnie Harlow

 

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A modelo surgiu em America’s Next Top Model e saiu toda gata na campanha da Diesel, sambando na cara de quem achava que ela nunca conseguiria ser modelo por causa do Vitiligo. E o fato de ter vitiligo não faz com que ela se sinta vítima: ela sabe seu valor e tem certeza da sua beleza.

 

 

 

 

Tyra Banks

 

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tyra banks

Falando em America’s Next Top Model, a modelo e apresentadora Tyra Banks teve muita dificuldade em ser aceita na indústria da moda por conta das suas curvas (maravilhosas). Na segunda foto, os tablóides criticaram duramente Tyra pelo ganho de peso, mas ela deixou seu recado:

 

 

 

O que eu quero dizer com isso tudo, divas, é que se nem as rycas e famosas estão livres de julgamentos, imagine nós, reles mortais? Nós temos corpos normais porque temos vidas normais. Precisamos trabalhar, estudar, cuidar da casa, namorar, sair com os amigos. A gente não vive para o corpo e não seremos perfeitas. Nem as capas de revistas são. Ai delas sem o bendito photoshop! Como a Olga disse muito bem aqui, precisamos de equilíbrio e autoconhecimento para lidar com os limitações do nosso corpo. E por mais que eu tenha exemplificado nosso sofrimento com o peso, quero lembrar que a mídia e as pessoas são muito mais cruéis com as mulheres do que com os homens em outros aspectos, como envelhecimento (fulana é vista com rugas), comparações (o look ficou mais bonito em fulana ou ciclana?), cabelo, roupas, tudo que nos classifique como objeto e dê a ideia de que temos a obrigação de sermos perfeitas.

 

Não deixe o padrão te enlouquecer, ame-se e se aceite como você é, porque eu tenho certeza que você é linda 🙂

 

E para finalizar, quero deixar as ilustrações da Carol Rossetti, que sempre trata os temas relativos às mulheres com genialidade e fofura:

 

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Luma Mattos

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