Diva mas sem Frescura

5 Comfort Movie para assistir na Netflix

Acho que todos conhecem a expressão “comfort food”, que representa aquela “comida que abraça” e gera bem estar, mesmo sem se tratar de algo super sofisticado ou elaborado. Pois bem, eu adoro comidinhas que abraçam e tenho essa mesma sensação com alguns filmes que assisto vez ou outra, quando preciso de horinhas de leveza e conforto. Não necessariamente eles possuem enredos 100% felizes, mas todos transmitem uma mensagem positiva e proporcionam uma sensação gostosa, mesmo em meio a acontecimentos dramáticos. Todos estão disponíveis no catálogo da Netflix na data do post!

 

Meia noite em Paris – Woody Allen

Dentre os mais recentes do Woody Allen esse é um dos meus preferidos. É um charme de filme em um cenário apaixonante e um deleite para fãs de literatura (embora eu acredite que não entender as referência literárias não compromete muito a experiência com o filme). Essa comédia romântica nos mostra a história de um jovem escritor (Owen Wilson) que está passando as férias em Paris com sua noiva e que faz uma espécie de viagem para o passado em seus passeios noturnos solitários. Em tal viagem o protagonista é acompanhado por grandes nomes da literatura e, através dela, o jovem escritor percebe a sua insatisfação com a vida que está levando.
 

Boyhood: Da Infância à Juventude – Richard Linklater

Provavelmente você pelo menos ouviu falar nesse filme em época de premiações. Ele foi filmado ao longo de 12 anos e, como sugere o nome, nos mostra a trajetória de Mason de sua infância até a sua juventude, com seus conflitos, descobertas e dramas familiares. Gosto muito da forma pela qual é exposta a passagem do tempo, através das roupas músicas e cultura pop, nada de legenda com “5 anos depois” e corte pra próxima cena. Apesar de um ou outro acontecimento mais melancólico, considero um filme alegrinho, que deixa uma sensação boa e que combina com o restante da lista.
 

O Fabuloso destino de Amélie Poulain – Jean-Pierre Jeunet

Essa gracinha de filme conta a história de Amélie, uma moça sonhadora que teve uma infância solitária e, descrita no filme como uma pessoa “sensível ao charme discreto das coisas simples da vida”. A história se passa na charmosa Paris e o enredo se desenrola quando Amélie encontra uma caixinha dentro de seu apartamento e decide procurar o dono. A partir daí ela percebe a grandiosidade que pequenas ações podem carregar e passa a se dedicar ao ofício de praticar pequenos atos positivos. Esse é totalmente comfort movie e é inevitável terminar a película com aquela sensação de que o mundo e as pessoas são boas em essência.
 

Chef – Jon Favreau

Conta a história de um chef de um restaurante badalado que constantemente enfrenta seu chefe ao querer inovar o cardápio ao invés de preparar os tradicionais pratos do local. Quando um renomado crítico gastronômico faz uma dura nota criticando, justamente, a falta de criatividade do cardápio, o protagonista briga com o crítico, é demitido, sua “má fama” se espalha pelo twitter e resta a ele recomeçar abrindo um food truck, contando com a ajuda do filho e da ex esposa. Um enredo aparentemente bobo, né!? Mas o filme é uma gracinha, vão por mim.
 

Comer, Rezar, Amar – Ryan Murphy

Esse famoso romance baseado no livro homônimo conta a história de Liz Gilbert (Julia Roberts), uma mulher recém divorciada que até então possuía uma vida e uma carreira estáveis. Diante do divórcio e reviravolta na vida pessoal, a escritora começa a questionar suas prioridades e inicia uma busca rumo ao autoconhecimento, que a leva à Italia, à Índia e a Bali, locais nos quais ela vivencia o Comer, Rezar e o Amar que dão nome a obra. (Que chato, né! Imagina se pudéssemos viajar o mundo a cada vez que rola uma sofrência… hahahaha)
 

E aí!? Lembram de mais filmes gracinhas que geram essa sensação de conforto?

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Daniele Fabre

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7 romances não clichês para assistir na Netflix

Durante anos alimentei o discurso que eu não gostava de romances, mas, com o tempo, descobri que o problema estava em minhas escolhas, que se restringiam a filmes que passavam na Globo e SBT. Felizmente, hoje é bem mais acessível ter TV por assinatura e, principalmente, existe essa maravilha chamada Netflix para acalentar nossos dias ociosos. Entendo que haverá dias em que a vontade é assistir “O casamento da minha melhor amiga” ou “O Diário de Bridget Jones” pela 1550 vez, mas, quando estiverem procurando romances que fogem um pouquinho do arroz com feijão hollywoodiano, escolham algum dessa singela lista que preparei para vocês:

 

Amor dos meus amores (Amor de mis amores) – Manolo Caro

Adoro uma atriz chamada Rossy de Palma e joguei o nome dela na busca da Netflix para ver o que apareceria. Escolhi “Amor de mis amores” e fiquei positivamente surpresa com essa obra espanhola que conta a história de dois casais que se interessam por outras pessoas às vésperas de se casarem. Mas não é um interessezinho… É no nível “quero essa pessoa loucamente”, vou largar tudo, dane-se o buffet já pago e os convidados! A forma como a história se desenrolou foi bem interessante e fiquei totalmente surpresa com o final. Jurei que terminaria de outra forma e concluí que ultimamente meus palpites amorosos não andam funcionando nem no mundo cinematográfico. Que fase! hahahaha
 

Apenas uma noite (Sólo una noche) – Massy Tadjedin

Descobri esse filme enquanto procurava cineastas mulheres e como adoro essa carinha blasé da Keira Knightley, logo assisti! O romance mostra um jovem casal confrontados pela famosa tentação. O moço se interessa por uma colega de trabalho, enquanto a moça reencontra um antigo caso mal resolvido de um passado não tão distante. O interessante é que o filme retrata apenas 2 dias da vida do casal, mas dada a intensidade dos acontecimentos, parece ser bem mais. Não dá para falar mais que isso sem estragar a experiencia com a obra, mas confiram e me contem o que acharam do desfecho, pois até hoje não defini como me sinto em relação a ele, além de ter ficado confusa sobre o que pode ser considerado traição ou não.
 

Foi apenas um sonho (Revolutionary Road) – Sam Mendes

EU AMO ESSE FILME, talvez até já tenha o indicado em algum outro post. Como a obra reúne a dupla maravilhosa Kate Winslet e Leo DiCaprio, na primeira vez que assisti foi esperando algo na linha do Titanic. Mas não. E à proposito, “Foi apenas um sonho” me agradou muito mais que o famoso filme do navio afundando.  A película conta a história de um casal na década de 1950. Ele trabalhando em um emprego que odeia e ela desejando uma rotina diferente e mais apaixonada para os dois. Trata-se de uma história bem densa, dessa lista é o filme mais dramático e até me questionei se ele realmente seria adequado a essa lista. Mas é sim. E é muito bom.
 

Um amor a cada esquina (She’s Funny That Way) -Peter Bogdanovich

Pra não falarem que só tem filme espanhol na lista, esse está aqui para cumprir a cota de filme americano! É um romance mais voltado para comédia, cujo enredo envolve uma garota de programa que sonha em ser atriz, um casal infiel, um idoso influente apaixonado pela garota de programa e um outro casal que também se relaciona com os outros personagens. Não dá pra falar mais que isso sem estragar a surpresa com o desenrolar da história. A abordagem do filme me lembrou muito algumas cenas de obras do Woody Allen (não as melhores, mas ok). Enfim, é um romance engraçadinho e com um desfecho bacana.
 

Ata-me – Pedro Almodóvar

Esse é o mais controverso dessa lista, mas não poderia deixá-lo de fora pois é o primeiro que me vem a mente quando penso em romances “atípicos”. O personagem principal, interpretado pelo Antonio Banderas, se apaixona por uma atriz e considera uma boa ideia sequestrá-la e mantê-la em cárcere a fim de se conhecerem melhor. Com os dias torna-se difícil mantê-la escondida e o desenrolar da obra é bem louco, não agradando a todos. Inclusive é bem engraçado ler a caixa de comentários da Netflix sobre esse filme. Nem todos estão preparados para meu amado Almodóvar. hahahahaa
 

Inevitável (Inevitable) – Jorge Algora

Sou a louca dos filmes espanhóis e tenho uma predisposição a gostar de todos, mas esse, em especial, eu adorei do início ao fim! É uma obra bem densa, envolvendo paixão, traição, crises existenciais e morte. A trama envolve o protagonista que se envolve com uma amante, sua esposa traída que é terapeuta e se vê confrontada pelos dramas de seus pacientes e um sábio idoso cego que ocasionalmente aconselha o protagonista. Em certo momento as histórias se entrelaçam e nos leva ao clímax e conclusão do filme.
 

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall) – Woody Allen

Esse clássico do Woody Allen é um dos meus preferidos do gênero! Woody interpreta um humorista judeu que se apaixona por Annie Hall (a desde sempre maravilhosa Diane Keaton). Eles decidem morar juntos apesar do pouco tempo de relacionamento, o que gera crises conjugais que nos brinda com diálogos maravilhosos. Apesar de ter sido feito há mais de 40 anos, os diálogos e humor seguem bem atuais. Vale dizer que o filme levou 4 Oscars em 1977 (melhor filme, diretor, roteiro original e atriz principal para Diane Keaton). Assistam antes que a Netflix tire essa pérola do catálogo.
 

E aí? Já conheciam algum desses? Também já rolou por aqui uma lista com 5 comédias românticas reais e sem mimimi. Assistam e me contem!

 

Nota: No momento todos os filmes citados estão no catálogo da Netflix, mas, como vocês sabem, eles constantemente atualizam as obras e retiram muita coisa.

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Daniele Fabre

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Ele não está tão a fim de você

Recentemente revi o filme “Ele não está tão a fim de você” e, embora o filme não seja nenhuma obra prima, acho que proporciona válidas reflexões sobre relacionamentos, que quero compartilhar com vocês!
 

Logo na primeira cena é mostrado crianças em um parquinho. Após um dos meninos xingar uma das meninas, fazendo-a chorar, a mãe dela justifica a agressão com “ele fez isso por que gosta de você”. Após isso, segue uma sequencia de cenas com mulheres adultas, de diversas culturas e idades, justificando o descaso ou indiferença dos homens com “ele fez isso porque gosta de você” ou frases do gênero. Infelizmente é bem isso que boa parte das mulheres fazem. Muitas de nós possuímos o péssimo hábito de inventarmos desculpas para justificar atitudes babacas, mesmo quando o portador das atitudes babacas sequer tentou se justificar ou desculpar.

Sendo assim, achei prudente criar um guia didático para refletirmos honestamente se somos ou não o tipo exposto no filme através da Gigi (personagem da Ginnifer Goodwin)
 

– Você e o moço já ficaram algumas vezes e durante um tempo ele demonstrou imenso interesse e entusiamo. DO NADA, ele simplesmente sumiu, ignorando suas mensagens e ligações. O que você pensa:
 

(   ) Provavelmente ele foi sequestrado, está em cativeiro com as mãos amarradas e daí a dificuldade de entrar em contato.

(   ) Ele foi acometido por uma doença rara que consiste no endurecimento das articulações superiores, o impedindo de digitar seu número e realizar uma ligação.

(   ) Nesse meio tempo ele se converteu e decidiu abrir mão dos prazeres mundanos. Está careca e meditando em um mosteiro.

(   ) Eu sei que ele gosta de mim, sabe!!? Mas é que ele tem medo de se envolver
 
( X ) ELE NÃO QUER MAIS FICAR COM VOCÊ.

( X ) ELE ESTÁ FICANDO COM OUTRA PESSOA.
 

– Vocês começaram a namorar há pouco, e o moço possui mudanças bruscas no humor que estão te afetando. Em um momento é extremamente carinhoso, em outros te trata mal ou age de forma agressiva.
 

(   ) Na infância os pais tomavam o brinquedo dele e davam para o irmão, por isso que ficou assim, tadinho.

(   ) Na adolescência caiu uma maçã na cabeça dele e ele ficou com esse bloqueio emocional pra se relacionar, sabe!!?

(   ) Ahhh, ele é escorpiano, amiga! Escorpiano é assim, mesmo. Ainda mais que ele tem ascendente em áries e lua em touro.

(   ) Sabe o medo de se envolver que comentei que ele tem? Então, pode ser isso…
 
( X ) ELE NÃO GOSTA DE VOCÊ

( X ) ELE GOSTA DE VOCÊ MAS É UM PÉSSIMO SER HUMANO, É IMATURO E VOCÊ NÃO PRECISA LIDAR COM A FALTA DE EVOLUÇÃO ALHEIA.

Em resumo: Se ele age como se não se importasse, é por que ele não se importa. Se ele não demonstra gostar de você, é por que ele não gosta. Se ele não te telefona é por que ele não quer ouvir sua voz, tampouco ver sua cara. Não caia na armadilha de fantasiar algo quando as coisas estão bem claras diante de você. (Espero não estar sendo muito dura, mas quem não quer ver você sendo trouxa e sofrendo posteriormente diz a verdade)
 

Além da Gigi, a iludida, também há outros tipos expostos no filme: O cara que possui fixação por uma moça que o faz de estepe. A mulher recém casada traída. O casal que está junto há anos e só a mulher sonha com o casamento. A amante que se apega à exceção e acredita que o bofe vai largar a esposa para ficar com ela e que tudo será lindo, tal qual com a prima da vizinha da mãe de sua colega de trabalho.
 

Claaaaro que tudo na vida tem exceção e sempre rola a esperança de sermos Ela quando nos deparamos com essas situações, mas eu, particularmente, não acho uma boa contar com isso, tampouco tenho paciência para relações complicadas demais. Mas aí vai de cada um, né. Longe de mim ditar regras para a vida alheia. Se acha que vale a pena insistir e acreditar que com você será diferente: vá na fé.
 

“Miga, sua louca”


 

Pra finalizar, deixo aqui a mensagem final do filme:
 
“Ensinam muitas coisas às garotas:
 
– Se um cara lhe machuca, ele gosta de você.

– Nunca tente aparar a própria franja.

– E que um dia, você vai conhecer um cara incrível e ser feliz para sempre.
 

Todo filme e toda história implora para esperarmos por isso: a reviravolta no terceiro ato, a declaração de amor inesperada, a exceção à regra. Mas às vezes focamos tanto em achar nosso final feliz que não aprendemos a ler os sinais, a diferenciar entre quem nos quer e quem não nos quer, entre os que vão ficar e os que vão te deixar. E talvez esse final feliz não inclua um cara incrível. Talvez seja você sozinha recolhendo os cacos e recomeçando, ficando livre para algo melhor no futuro. Talvez o final feliz seja só seguir em frente.”

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Daniele Fabre

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Ele está de volta?

-Você é um monstro.

 

-Sou? Então é melhor você culpar também aqueles que elegeram esse monstro. Eles todos eram monstros? Não, eram pessoas normais, que escolheram eleger alguém diferente dos outros para confiarem o destino de seu país. O que quer fazer, Sawatzki? Impedir as eleições? Você nunca se perguntou por que as pessoas me seguem? Porque, no fundo, elas são como eu. Têm os mesmo princípios. Você não vai se livrar de mim. Eu sou parte de você. De todos vocês.

 

(Diálogo do filme “Er Ist Wieder Da” – David Wnendt)

 

Ele Está de Volta (Alemanha, 2015) foi baseado no livro homônimo e conta como seria o retorno de uma das figuras mais repudiadas do mundo: Hitler. Ele mal reconhece sua pátria ao aterrissar na Alemanha atual, que após 70 anos está cheia de imigrantes e governada por uma mulher. Ao encontrá-lo, um produtor de TV imagina se tratar de um ator fazendo uma sátira e o convida para compor um programa de humor. Inacreditavelmente as piadas preconceituosas fazem sucesso e ele ganha certa notoriedade como apresentador. No decorrer do longa, Hitler percorre Berlim ouvindo as queixas da população sobre o atual governo.

Ele está de volta2

As piadas do Hitler 2.0 fizeram sucesso no filme tal qual certos humoristas fazem na vida real. É comum comediantes ganharem notoriedade e serem considerados ousados através de piadas com discursos opressivos contra minorias. Não sei onde reside a coragem de quem opta por ridicularizar minorias que já são estruturalmente oprimidas, mas, infelizmente, há quem goste e ache graça. Quando me indicaram a obra imaginei que se tratasse de uma sátira com um fundo de crítica social e que todas as falas faziam parte do roteiro. Mas, todas as entrevistas e conversas com civis nas ruas são reais, o que torna tudo bem assustador. Em “A Grande Aposta”, outro filme que gosto muito, é dito que basta uma crise econômica para as pessoas culparem imigrantes e pobres. É exatamente isso que acontece na maioria das entrevistas com os civis durante o longa. Muitos destilaram xenofobia e sequer se constrangeram em fazê-lo, outros concordaram com o discurso do protagonista de forma discreta e, se não me engano, apenas um cara discordou veementemente, dizendo ser vergonhoso vangloriar a figura do famigerado bigodudo. Entre muitas selfies e cumprimentos, os entrevistados manifestavam acreditar que é preciso resgatar o nacionalismo de outrora para garantir os “bons costumes”. Esse discurso nos remete aos posicionamentos de um certo político brasileiro e seus seguidores, que certamente assinaram um termo de abdicação do cérebro antes de apoiar essa figura. (Nooossa, mas que drama, miga!)

 Ele está de volta3

 

Relacionando o documentário com nossa realidade, repleta de Trumps e Bolsonaros, podemos concluir que passagem temporal não é sinônimo de evolução. Discursos que já considerávamos superados e esquecidos têm voltado e ganhado força. A história é repleta de ciclos, cabendo a nós cuidarmos para que discursos xenófobos, racistas e homofóbicos não tornem-se regra novamente.

 

(O filme está disponível na Netflix, assista ao trailer aqui)

 

Por Daniele Fabre

 

daniele

 
 

Tenho 25 anos e sou graduada em Pedagogia.

Amo cinema, comida, literatura e pessoas.

Nessa ordem.

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Convidada especial

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Ele tirou a sua pele por mim

“É isso que você quer? Ele perguntou e eu disse que sim, então ele tirou a sua pele para mim.”

 
Ele pendura a pele solta no armário e desce as escadas para se juntar à namorada na mesa de jantar. Essa coisa toda parece ser uma boa ideia. Ele se tornou exatamente o que ela sempre quis que ele fosse.
 
Mas nem tudo é perfeito.
 
São as pequenas coisas. As manchas. Ela tem que lavar os lençóis todo dia. À noite ele fica frio, então eles têm que ligar o aquecedor. Isso significa mais dinheiro gasto com contas. Na verdade, o dinheiro se torna um problema mais do que nunca. Ele está perdendo clientes no trabalho e eles começam a brigar por isso.
 
Velhos amigos vêm para o jantar, mas a noite não rola bem. Ele fica quieto e retraído. A casa está coberta de manchas – em maior quantidade do que ela pode limpar.
 
Eles param de se falar. O silêncio é ensurdecedor. Ela começa a se preocupar que ele possa estar arrependido.
 
Ele está.
 
(Livre adaptação do conto “He took off his skin for me” de Maria Hummer. Conto completo aqui)

 

eletirousuapelepormim

Dia desses assisti a um curta metragem bastante intrigante que me fez pensar sobre relacionamentos. O curta foi inspirado no conto que resumi logo acima e expõe a história de um homem que, literalmente, arrancou sua pele, a pedido da esposa. A princípio ela fica feliz por ele ter satisfeito sua vontade, mas as consequências dessa mudança extrema faz com que os dois repensem se fizeram o correto. O arrancar a pele trata-se de uma alegoria, mas é bem comum deixarmos de fazer determinadas coisas para atender ao desejo de nosso parceiro(a). Mesmo quem nunca passou por isso, certamente já viu alguma amiga transformar traços de sua personalidade depois de começar a namorar alguém. Tais mudanças em nome de um relacionamento podem ir desde renúncias mais leves, como deixar de usar o cabelo e as unhas de determinada maneira, visando agradar ao outro, até abdicações maiores, como deixar de conversar com amigos antigos para evitar ciúmes ou até mesmo transformar traços de sua personalidade que eram sua marca registrada, como o bom humor e espontaneidade.

 

Claro que tudo nessa vida é questão de bom senso. Não estou sugerindo que seja razoável a pessoa manter hábitos de solteiro, por exemplo, após começar a namorar. Tampouco que você não deva fazer concessão alguma ao se relacionar. Claro que é essencial que as partes cedam diariamente para manter a paz e o amor. A crítica do curta e o ponto que quero abordar é a importância de não mudarmos traços essenciais, a ponto de perdermos a identidade e individualidade. Outra questão a se pensar, que também é pincelada no curta, são as cessões unilaterais. Na cena do banho fica bem claro que ela não faria o mesmo pelo parceiro (tirar a pele). Transpondo isso para a vida real, não faz sentido apenas uma das partes estar empenhada em mudar hábitos em nome do relacionamento. Não dá. Se enquanto você faz mil concessões e adaptações em sua rotina o lindo nada muda e age no estilo “adapte-se a mim se quiser”, acredito que seja o momento de tentar uma conversa ou até mesmo repensar a relação.

 

Sempre que nos depararmos com algum conflito em que o outro solicite mudança de nossa parte, acho interessante refletir sobre o quanto de nós pode se perder nessas concessões. Vale a pena anular o que somos e deturpar a nossa essência em nome de um relacionamento? Vale a pena tirar nossa pele pelo outro? Pesquisas informais indicam que NÃO.

 
É possível assistir ao curta nesse link. São apenas 11 minutos, vale a pena! (Para colocar legendas é só clicar no ícone “CC” e selecionar “português”)

 

Por Daniele Fabre

 

 

daniele
 
 

Tenho 25 anos e sou graduada em Pedagogia.

Amo cinema, comida, literatura e pessoas. Nessa ordem.

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