Diva mas sem Frescura

A arte de ser feliz sozinha

Vamos combinar aqui que só dependemos de nós mesmas para sermos felizes. É sempre bom ter alguém pra dividir a vida e viver bons momentos, mas enquanto essa pessoa não aparece, saber apreciar nossa própria companhia é fundamental.

 

Não somente no dia dos namorados, mas em todos os dias da sua vida, você merece ser feliz e se bastar. Por isso, vou compartilhar com vocês algumas dicas de como passo meu tempo sozinha e dicas do que podemos fazer pra mandar a solidão embora.

 

Então vamos às dicas:

 

Conheça uma banda nova ou que tal começar a leitura de um novo livro?

 

Se desligar da internet de vez em quando é libertador, tente passar um dia inteiro só com seus livros, músicas (Spotify ♥) ou que tal também escrever? Liberte a sua imaginação.

 


Tire um dia pra você, para se cuidar, que tal fazer um SPA caseiro?

 

Se arrume para você . Afinal, a gente não precisa esperar um encontro para se sentir bem e bonita. Hoje é o dia pra usar aquela roupa nova ou o batom que tá guardado para uma ocasião especial. Todo dia é um dis especial.

 

 


Faça maratona de séries/ filmes

 

A famosa Netflix tá aí pra nos ajudar nisso e há uma segunda opção, um app chamado stremio, que também tem muito conteúdo bacana (mas por enquanto só tem pra iOS e windows, android ainda não. E o melhor de tudo: é 0800)

 

 


Organize seu quarto

 

Tô longe de ser Marie Kondo, mas eu juro que não há coisa mais relaxante. Coloque aquela música que você adora e mão na massa. Organize suas gavetas, troque móveis de lugar caso tenha vontade, mude a decoração, etc… Use sua criatividade!

 


Faça um programa que nunca fez antes

 

Seja um ponto turístico da cidade ou ir ao cinema sozinha, ir a um restaurante novo que abriu ou até mesmo ir pra cozinha e pôr em prática seus dotes culinários, enfim… o que te der vontade, vai sem medo!

 

 

 

Por fim, quero dizer duas coisas que mudaram minha vida e minha forma de olhar para o cotidiano e me tornaram uma pessoa mais feliz e autoconfiante:

 

1- Se respeite 100% e não aceite nada menos que isso de outras pessoas.
2- Se abra para novas oportunidades e se entregue ao máximo a cada uma delas. No ruim, você terá mais uma experiência pra conta e o aprendizado.

 

 

Sem mais delongas, se ame, se perdoe, sonhe grande e viva intensamente! A vida passa num piscar de olhos.

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Jessica Ribeiro

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Aos homens, a desculpa. Às mulheres, a culpa.

Acho que nenhuma outra frase expressa tão bem minha sensação em relação às últimas polêmicas, quanto essa que usei no título do post. Pra quem não sabe, no dia 31 de Março foi publicado no blog “agora é que são elas”, da Folha de São Paulo, o relato da figurinista Su Tonani, de 28 anos, descrevendo o assédio que sofreu do ator José Mayer quando trabalharam juntos. Inicialmente José Mayer negou veementemente as acusações e afirmou que as atitudes descritas por Su eram típicas de seu personagem, não dele. Posteriormente, José Mayer assumiu o assédio e pediu desculpas.

 

Foto: Divulgação


 

Recentemente, o cantor Vitor, da dupla sertaneja Vitor e Léo, foi denunciado pela esposa por violência doméstica. Em um primeiro momento ele também negou as acusações veementemente e, curiosamente, logo em seguida sua esposa fez uma declaração à imprensa dizendo que ele jamais a machucaria. No entanto, semana passada Vitor foi indiciado pela Polícia Civil com base em um vídeo no qual é visto empurrando a companheira grávida.

 

Foto: Divulgação


 

Nos dois casos a palavra da vítima foi desacreditada. Nos dois casos as pessoas logo imaginaram que as duas queriam tirar algum tipo de proveito dessa situação. Não consigo imaginar qual seria a vantagem em se expor dessa forma em uma sociedade machista como a nossa, que tende a culpar mulheres e dar aquele desconto para os homens. Mas enfim, há quem pense isso.

 

Não vou entrar no mérito de as desculpas de José Mayer serem sinceras ou não, tampouco vou sugerir medidas punitivas para o cantor Vitor, pois não cabe a mim fazê-los. Quero refletir sobre o que leva parte da sociedade a SEMPRE desacreditar a palavra da vítima em casos de abuso ou violência. Quando alguém diz que foi assaltado ninguém fica “ahhhh, mas será que ele foi assaltado mesmo ou só quer difamar o suposto ladrão?”, “Será que ele quer aparecer inventando esse roubo? Sei não hein”. Quando alguém conta ter sido vítima de um estelionatário não vejo questionamentos como “ihhh, mas será que ele não contou a senha do cartão e agora quer se fazer de vítima?”.

 

Por que esse tipo de descrédito instantâneo só ocorre em crimes específicos, sofridos majoritariamente por mulheres?

 

 

Quando alguma mulher anônima denuncia violência doméstica já é bem comum ouvirmos tentativas de justificar a agressão e questionar a idoneidade da vítima. Tais reações são amplificadas quando o agressor ou assediador se trata de algum artista ou personalidade querida pelo povo, tal qual percebemos nas últimas semanas.Talvez, daí a hesitação de muitas mulheres em denunciar e o medo em insistir na denúncia! Talvez, por tudo isso, a esposa do Vitor tenha declarado que ele jamais a machucaria. Ela, assim como todas as anônimas que são agredidas, sabe que além das marcas físicas e psicológicas da agressão, teria que lidar com o descrédito e julgamento da sociedade.

 

Imagem da campanha promovida pela APAV (O número no cartaz é de Portugal, aqui no Brasil ligue 180)


 

Se pensarmos em outros contextos e situações, veremos que esse padrão que deu título ao post se repete.

 

Ao homem sempre é dada uma desculpa, uma justificativa, um atenuante. Não importa o quanto sua atitude foi absurda ou criminosa, ele sempre será aliviado de alguma forma. Umas semana atrás foi muito compartilhada a notícia de que foi negado aborto legal a uma criança estuprada de 11 anos. Como não tenho vergonha na cara, cliquei na caixa de comentários da página do G1 no Facebook e li vários: “Cadê a mãe dessa criança?” e “Tem muita menina de 11 anos que só anda de shortinho”

 

Também algumas semanas atrás, noticiaram sobre um homem que matou 2 filhos e suicidou em seguida, deixando bilhete vingativo para a ex esposa. Comentários na redes sociais: “Mas não é possível que essa mulher não percebeu que ele era psicopata”, “Pra ele chegar a loucura de fazer isso alguma ela aprontou com ele”. Mesmo quando, inegavelmente, o homem é o culpado da situação, tentam aliviar para ele e culpar a vítima ou a mulher mais próxima.

 

Nos últimos anos houve um aumento considerável do número de mulheres que denunciam assédio ou agressões físicas. Isso, entre outras mudanças positivas, me deixa otimista acerca do nosso futuro no que tange a questões de gênero. Mas, para não corrermos o risco de retroceder nessas questões, precisamos ter o cuidado de não colaborar com um sistema que desacredita a vítima a priori, desestimula a denúncia e fortalece o agressor.

 

Cabe a nós rompermos, cotidianamente, com discursos que dão aos homens as desculpas e às mulheres, a culpa.

 

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Daniele Fabre

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Nudez e feminismo: empoderador ou não?

Antes de começar o post, preciso afirmar que estou longe de ser uma pessoa puritana (quem me conhece sabe). O primeiro pensamento ao ler o título do post pode levar a este engano, mas não se deixe levar por ele: esse questionamento nada tem a ver com uma condenação às mulheres que sentem-se bem em mostrar o corpo onde quer que seja.

 

 

 

A segunda coisa que preciso afirmar é que, como mulher negra, vejo duas perspectivas claramente diferentes em questões feministas: alguns pontos que causam um efeito X em mulheres negras, causam um efeito Y em mulheres brancas, e isto se deve ao curso da história da humanidade, e não temos como evitar: a sociedade já foi escravocrata, e por séculos colocou as mulheres negras abaixo das brancas. Não tem como não relacionar as consequências disso no pensamento que ficou enraizado no inconsciente de todos, e por isso a gente precisa sempre ler, ouvir e se desconstruir pra poder entender bem um lado que às vezes não enxergamos, ou não sofremos, mas que está lá.

 

Muitas manifestações feministas divulgadas na mídia causam repulsa em algumas mulheres porque sempre tem lá mulheres com mamilos de fora, mulheres nuas, ou manifestações que atacam crenças. Por causa disso, muita gente que sabe pouco sobre o movimento feminista acha que sabe tudo, e que o movimento se baseia em reivindicar o direito de andar com mamilo de fora por aí. Claro que quem é feminista sabe que o objetivo do movimento é fazer com que as mulheres parem de ser julgadas por suas roupas, que tenham direito sobre seus próprios corpos dentre muitas outras reivindicações válidas, mas quero refletir sobre esse direito de usar a roupa que quiser e sobre a forma como manifestamos esta necessidade.

 

 

 

Uma coisa é fato: mulheres brancas são vistas como “pra casar” e mulheres negras “pra transar”. Essa ideia é algo que está no inconsciente coletivo desde a época da escravidão, e muitas mulheres brancas reivindicam o direito de não se casar, não ter filhos, de levar a vida que querem e se vestirem como querem tendo sua segurança garantida. Esta é uma luta TOTALMENTE válida, a qual eu apoio e concordo 100%. Não acho que o fato de uma mulher postar nudes ou fotos de biquíni minimiza em nada todas as qualidades dela. Não acho que uma mulher postar nudes retire dela o direito de ser respeitada e levada à sério de maneira nenhuma. Agora vamos pensar no caso das mulheres negras: como eu já disse em posts anteriores, a auto estima das mulheres negras é constantemente massacrada pela mídia, e hoje vemos uma leve mudança nesse conceito de beleza, leve mesmo, pois mulheres negras estão conseguindo ser misses, modelos, atrizes, coisa que não acontecia antes. O grande problema, para mim, é que desde os 12 anos de idade (ou menos), as mulheres negras já tem corpos musculosos, muitas vezes o quadril e seios grandes, e por conta disso, muitos homens imbecis e sem noção nos hipersexualizam e nos vêem como um pedaço de carne, como uma mulher que está ali para servi-los sexualmente, e nada mais. O empoderamento das mulheres negras está acontecendo sim, mas o que eu vejo é que o foco deste empoderamento é estético, apenas: muitas pessoas estão começando a ver beleza nos cabelos crespos, nos lábios grossos, no corpo grande que temos.

 

 

 

 

 

Muitas mulheres negras que antes achavam que jamais seriam tão bonitas quanto uma loira de olhos claros, estão (finalmente e graças a Deus) aumentando sua auto estima, ou criando uma auto estima que antes não existia, e estão tendo coragem de exibir seus corpos maravilhosos onde quer que seja, principalmente nas redes sociais. O grande ponto é que muitas mulheres fazem isso porque se amam e agora tem uma boa auto estima, mas outro ponto que acontece e que eu vivi por anos, é o seguinte: a confirmação do estereótipo de que a mulher negra é gostosa, boa pra transar, musa do carnaval, APENAS. Muitas vezes minha insegurança me levou a crer que um cara só se apaixonaria por mim se a gente transasse e fosse maravilhoso, ou que ele se apaixonaria por mim inicialmente pela minha raba enorme e que depois isso levaria a um outro tipo de relacionamento. Por fim, o que quero dizer é: o número de likes em uma foto de uma mulher negra, de biquíni, de costas, é infinitamente maior do que o número de likes em uma foto de uma mulher negra se formando na universidade. Esta forma de mostrar auto estima muitas vezes reforça o pensamento de que o melhor que uma mulher negra tem a oferecer é o seu próprio corpo, e o grande problema não são os homens babacas acharem isso, e sim NÓS MESMAS nos convencermos disso.

 

 

 

Eu não me sinto empoderada pela nudez, pois por muito tempo fui vista apenas como um pedaço de carne, um objeto feito para servir sexualmente, um fetiche. Esta imagem de mim mesma me convenceu de que a sensualidade e o corpo eram a melhor parte de mim, quando na verdade nunca foram. Muitas vezes ninguém queria ouvir o que eu tinha pra dizer, mas queria me ver rebolando e mostrando o que meu corpo tinha de melhor. Quando me dei conta que havia me tornado uma escrava da minha sensualidade, confesso que tomei certa repulsa dessa imagem que eu transmitia. É claro que o empoderamento e o que aumenta nossa auto estima é diferente para cada mulher, e de maneira nenhuma pretendo colocar todas as mulheres numa caixa e querer que elas pensem como eu. Mas, por um momento, devemos refletir se nos tornamos escravas da admiração pelos nossos corpos, e estamos deixando nossas outras qualidades de lado. Se continuamos nos achando burras, incapazes, sem potencial, a verdade é que não estamos empoderadas, ainda que a gente se sinta linda e confiante o suficiente pra postar 92038979847 fotos nuas por dia.

 

A nudez é o tipo de empoderamento que o patriarcado ama. Os homens gostam de ver belos corpos expostos, ainda que o discurso deles seja acompanhado de machismo sobre o valor de mulheres que postam nudes. Fala mal, mas tá sempre lá olhando e curtindo foto de um peitinho, né queridão? Independente de como isso afete o patriarcado, é necessário refletir como isso afeta a nós mesmas. A imagem que nós passamos para o mundo não é importante, mas e a imagem que nós temos do que nós somos de verdade? Isso sim importa.

 

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Luma Mattos

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Toma coragem, mulher!

Se você é uma mulher e está lendo este blog, já temos muito em comum. Podemos ser completamente diferentes em tudo na vida, mas uma coisa nos une: a sociedade em que estamos inseridas. O fato de termos nascido mulheres também nos aproxima em algumas coisas como o medo do assédio, as injustiças que sofremos por sermos mulheres e muitas outras coisas, mas principalmente: o medo de errar.

 

 

 

O mundo é muito machista, e por mais que tenhamos melhorado e atingido algum grau de liberdade e direitos, ainda somos muito afetadas pela forma como crescemos e fomos criadas e por tudo que ouvimos ao longo da vida. Por ser negra e pobre, sempre ouvi da minha mãe que eu deveria ser duas vezes melhor do que os outros, que eu deveria tirar ótimas notas e provar pra todo mundo o quanto eu sou inteligente, que eu deveria me formar e provar para todos que eu consegui, que eu deveria ter minha independência financeira e até mesmo amorosa e fazer da felicidade algo que dependesse só de mim. E tudo isso que fui ouvindo moldou muito da minha personalidade e quem eu sou hoje, e uma das consequências não foi tão legal pra mim: o medo das críticas.

 

Desde cedo, as meninas são muito criticadas em tudo: cabelo, roupas, corpo, “modos”, e somos também treinadas para ter um certo perfil, que é gostarmos de rosa, gostarmos de tarefas do lar, querermos casar e ser mães (ou qual seria a razão de tantos brinquedos rosas, bonecas iguaizinhas a bebês, vassourinha, ferrinho de passar roupa, mini cozinha, mini fogão, mini geladeira…?). Ninguém gosta de ser criticado, e como mulheres são massacradas desde que eram menininhas, nós somos levadas a ter um comportamento mais submisso e menos ousado do que os homens, para evitar julgamentos.

 

 

 

Brinquedos “de menina”

 

 

Brinquedos “de menino”

 

 

Os meninos, por outro lado, desde cedo são estimulados a ter criatividade, a sonharem alto, a serem super heróis, astronautas, engenheiros, e isso gera consequências de forma geral: homens tem mais facilidade de assumir riscos do que nós, mulheres. O ambiente em que um menino cresce o ensina a ser corajoso, a não chorar, a não desistir até que consiga, a reagir com agressividade em busca do que deseja. As consequências disso? Homens sem medo de pedir um aumento, de tentar um cargo mais alto mesmo sem a qualificação exigida, de chamar alguém pra sair. Assistindo a um TED Talk muito interessante chamado “Teach girls bravery, not perfection” (tradução livre: Ensine às meninas coragem, não perfeição), a palestrante Reshma Saujani disse uma frase que mexeu comigo: Estamos ensinando meninas para serem perfeitas, e meninos para serem corajosos.

 

Quantas oportunidades você já perdeu pelo medo do fracasso? Quantas vezes deixou de fazer algo por medo do que os outros iriam pensar? Quantas roupas deixou de usar? Quantas maquiagens deixou de fazer? Quantas vezes deixou de pintar o cabelo? Quantas vezes não se candidatou a um emprego porque não preenchia 100% dos requisitos? Quantas vezes evitou fazer um comentário por medo de ser vista como idiota?  Quantas vezes deixou de dançar em público? Quantas fotos deixou de postar?

 

Somos tão socializadas para serem perfeitas, que muitas vezes deixamos de tentar coisas que queremos fazer pelo medo de falhar uma ou mais vezes, o medo de ser imperfeita nos impede de perseverar até atingirmos nossos objetivos. Muitas vezes na escola, não deixei a professora olhar o meu caderno e falei “eu não fiz, professora” só porque eu não tinha conseguido chegar ao resultado correto no final. Muitas vezes preferimos ocultar nosso progresso só porque não atingimos a perfeição. Muitas vezes, agimos como 8 ou 80. Ou somos 100% perfeitas, ou preferimos nem tentar.

 

 

Precisamos aprender a ter coragem, pois errar não vai nos fazer pessoas piores. Continuaremos sendo amadas e admiradas se tivermos coragem, ainda que sejamos imperfeitas, ainda que venhamos a errar. Tenha coragem para ser vulnerável, para pedir ajuda, para mostrar seus erros, para tentar e se necessário, de tentar de novo e de novo até que você consiga. Não importa do que você tem medo, mas de qualquer forma: tome coragem!

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Luma Mattos

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o que é empoderamento e porque precisamos dele

Acho que no último ano a palavra que mais se ouviu falar até agora foi empoderamento, mas muita gente não sabe bem do que se trata, não é mesmo? A primeira palavra que vem à cabeça quando ouvimos falar em empoderamento COM CERTEZA é “poder”. Mas que tipo de poder? E o que seria empoderar alguém ou ser empoderada por alguém? Bom, isso é o que vamos ver no post de hoje!

 

ideias

 

 

O empoderamento da mulher

 

Como vocês já devem saber, vivemos em uma sociedade machista. A maioria dos ocupantes de cargos altos em empresa são homens. A maioria dos políticos que governam são homens. Homens possuem os maiores salários e possuem muitas vantagens: são menos criticados por suas atitudes, podem engordar e envelhecer sem encheção de saco, cometem atrocidades que são justificadas por todos, inclusive pela mídia e imprensa, são campeões em relacionamentos abusivos e em cometer as mais diversas violências contra as mulheres. Até nos casos de crimes cometidos contra as mulheres, a mídia e a sociedade procuram no comportamento DA MULHER VÍTIMA uma justificativa para o que lhe ocorreu. Por todas essas situações e muitas outras mais, é preciso que a mulher tome consciência de seus direitos. A essa simples tomada de consciência, esse simples plim-plim que ocorre na cabeça de uma mulher quando ela pensa: ei, mas por que só eu tenho que limpar a casa? Ei, mas por que eu ganho menos se eu faço o mesmo trabalho do meu colega aqui? Ei, mas por que eu preciso sempre pintar o cabelo enquanto esse homem da mesma idade pode ser grisalho e considerado charmoso? Quando essas perguntinhas surgem: eis o primeiro passo para uma mulher empoderada.

 

 

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O empoderamento estético

 

Como o mundo é machista, as mulheres são muito cobradas por seus atributos físicos. Sempre sofremos comparações e sempre somos julgadas pela aparência: não pode ser gorda demais, nem magra demais, nem musculosa demais. Não pode ter cabelo branco, nem crespo, nem pouco volumoso, nem frisado. Não pode ter peito pequeno, mas também não pode ser muito grande; não pode ser caído e é melhor que seja natural. Não podemos ter estrias, nem celulite, nem manchas pelo corpo. Não pode ter pelos. Tem que estar sempre com as unhas feitas e grandes, mas não muito grandes. Também não pode esquecer de fazer as sobrancelhas, buço, e depilar tudinho. Mulheres são cobradas esteticamente pelo que aparece nas revistas, jornais, filmes e novelas. O padrão de beleza varia pouco de país para país, mas em geral, bonitas são as suecas. Quantas mulheres se odeiam porque nunca serão loiras, magrelas e de olhos claros? Hoje em dia o discurso do empoderamento está avançando (graças a Deus), e já existem muitas opções de roupas para todos os tipos de corpos, muitas referências de moda fora das revistas (em blogs, vlogs e instagrams), e muitos grupos de mulheres que se ajudam nessa questão do amor próprio e da aceitação da própria imagem. As marcas sempre ganharam muito dinheiro com a insegurança das mulheres: produtos para pele, cabelos, roupas, clínicas de estética. Hoje, a abordagem das marcas mais inteligentes está mudando, e caminhando para um discurso mais inclusivo, ao invés do clássico “isso pode x isso não pode”, “tal coisa só fica boa em mulher magra/branca/de cabelo liso”. Quando começamos a nos amar, a encontrar  formas de resistir e aceitar nosso corpo, nosso cabelo, nossas marcas pelo corpo, nossos pelos, aí começa a semente do empoderamento.

 

 

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O empoderamento feminino nos relacionamentos

 

Esse é o mais importante de todos, mas está interligado aos que citei anteriormente. Na verdade, todo empoderamento é uma coisa só: é um processo em que a mulher finalmente percebe que está sendo desrespeitada de alguma forma e resolve mudar sua forma de se enxergar, de agir consigo mesma e também diante das situações que venham tentar colocá-la para baixo. Muitas mulheres possuem a auto estima tão fragilizada, são tão inseguras, que aceitam coisas inaceitáveis num relacionamento. Desde o clássico “você está louca”, que passa a ser uma maneira cotidiana de desprezar os sentimentos da mulher, até os casos de violência física e verbal: todo relacionamento abusivo pode ter fim quando a mulher se empodera. Se empoderar é tomar coragem para sair de uma relação ruim tendo a certeza de que vai ser feliz, de que merece ser amada, de que tem valor, merece respeito, carinho, afeto, confiança. Se empoderar é tomar coragem para denunciar violências. Se empoderar é ter certeza de que não está maluca, que tem argumentos e que não vai tolerar um tratamento desrespeitoso, traições, manipulação e violência. Se empoderar é também se preparar financeiramente para sair de um relacionamento. Nos últimos dois meses ouvi relatos de 3 mulheres diferentes, de faixas etárias diferentes, que não “podem” se separar dos maridos porque não tem condição financeira pra isso. É importante tomar consciência inicialmente, para em um segundo momento se qualificar e conquistar seu emprego e sua independência financeira, não se esquecendo de que existem meios jurídicos para se separar e ter algum amparo.

 

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Por todas as injustiças e opressões que sofremos diariamente, é importante nos informarmos, estarmos cercada de mulheres que nos entendem, que nos ajudam, e principalmente: nos  empoderarmos! Se você tem condições, ajude uma mulher que precisa. Elogie uma mulher todos os dias. Se você tem condições, dê emprego para mulheres. Se você é advogada, atenda mulheres que precisam de ajuda. Se você não tem condições, insira uma mulher que precisa de ajuda em grupos feministas, sempre haverá alguém disposta a ajudar, sempre haverá alguém que passou pela mesma situação. Ao contrário do que tentam nos fazer acreditar ao longo das nossas vidas, nós, mulheres, não somos inimigas. Vamos juntas? We can do it!

 

 

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Luma Mattos

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