Diva mas sem Frescura

#LeiaMulheres: Como ser Mulher – Caitlin Moran

Por aqui já falamos sobre o #LeiaMulheres e o escolhido de hoje é o Como ser mulher, da Caitlin Moran.
 

Quando li esse livro pela primeira vez devia ter uns 18/19 anos e sequer me declarava como feminista. Foi através dele que abri minha mente acerca do assunto e parei de repetir mantras senso comum como “feministas odeiam homens”, “feministas não se depilam” e “feministas não usam maquiagem”. O livro é basicamente uma mescla entre memórias da autora com um manifesto bem divertido acerca de questões femininas e feministas. O livro segue a cronologia da vida de Caitlin e possui capítulos que tratam desde a primeira menstruação e a primeira paixão, até a maternidade e vida profissional. A autora utiliza uma linguagem bastante acessível, nada das famigeradas expressões complicadas que vemos nos grupos feministas pela internet, tipo mansplaining, slut-shaming, Gaslighting e afins (no entanto, a autora comenta acerca de questões que envolvem essas expressões, mesmo sem citá-las).

Em determinado capítulo, um dos meus preferidos, Caitlin comenta acerca das mulheres que que curtem se intitular “anti-feministas”:
 

“Hoje em dia, no entanto, estou muito mais calma – desde que me dei conta de que tecnicamente impossível uma mulher argumentar contra o feminismo. Sem o feminismo, você não teria permissão para debater o lugar da mulher na sociedade. Você estaria ocupada demais dando à luz no chão da cozinha – mordendo uma colher de pau para não atrapalhar o carteado dos homens – antes de voltar a esfregar a latrina. É por isso que aquelas colunistas do Daily Mail – que falam mal do feminismo todos os dias – me divertem. Você recebeu 1,6 mil libras por isso, querida. E aposto que foi para a sua conta do banco, não para a do seu marido. Quanto mais as mulheres argumentam, em voz alta, contra o feminismo, mais elas provam que ele existe e que elas se aproveitam dos privilégios conquistados a duras penas.” Página 62

Resolvi revisitar o livro recentemente, após ler um texto de uma feminista criticando a obra e tentando desqualificar a Caitlin enquanto militante. Primeiramente, eu acho bem patético alguém se achar a dona do feminismo, a distribuidora de carteirinhas, a rainha da militância, a ponto de decretar: isso não é feminismo ou ela não é feminista. Por favor, sabe. No mais, reli o livro e gostei bastante. A Caitlin consegue fazer algo que acho muito bacana: tratar de assuntos sérios e necessários de forma acessível e divertida. Vamos combinar, ler teoria e textos acadêmicos é muitíssimo válido e importante, mas não alcança a maioria das pessoas e tende a ficar limitado aos muros das universidades ou determinado grupos. Não é isso que queremos, não é?
 

Não concordo 100% com todos os pontos expostos pela autora, falta recorte social e racial e aparentemente a autora se alinha mais ao feminismo liberal. Mas, ainda assim, considero uma leitura muito válida e divertida. Inclusive é uma boa opção para darmos pra aquela sobrinha que ainda não sabe nada acerca do movimento e o enxerga como uma confraria de mulheres mau humoradas que odeiam homem e são contra as mulheres se maquiarem e/ou serem donas de casa se assim desejarem.

ESCRITO POR

Daniele Fabre

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