Diva mas sem Frescura

Manual prático de como lidar com gente insuportável sem pirar

Entre minhas amigas rola a teoria de que em TODO AMBIENTE, não importa se é no trabalho, na faculdade, no cursinho, na academia ou na sua família: SEMPRE HAVERÁ UMA PESSOA INSUPORTÁVEL COM A QUAL VOCÊ DEVERÁ LIDAR. Caso você não identifique essa pessoa, sinto lhe dizer que provavelmente esse alguém insuportável é você.
 
Pois bem, como concordo e sinto na minha pele hidratada essa teoria, quero compartilhar com vocês algumas dicas que costumam ajudar:
 
Ignorar

Por se tratar de solução pacífica, indolor e que não gera consequências na esfera penal, essa é sempre uma boa opção. Quando a pessoa insuportável vier lhe perturbar, tente responder de forma calma, racional e buscando ignorar possíveis provocações. Respire fundo e apenas ignore.

Sorria e acene

A filosofia dos pinguins de Madagascar é uma boa saída para lidar com aquele tiozão que faz piada do “é pavê ou pacumê” e com gente que vem te perturbar na quinta-feira de manhã após o Flamengo perder na noite de quarta. Esse tópico é pra ser utilizado com aquela pessoa que é um insuportável do bem. Em outras palavras, aquele ser humano que, apesar de sem noção e insuportável, aparentemente possui um bom coração.
 
Se a pessoa bancar a louca, banque a louca em dobro

Sou adepta da máxima “assombração sabe pra quem aparece” e, infelizmente, algumas situações pedem medidas extremas. Muita gente que se diz “temperamental” e “de personalidade forte” só é desagradável assim por que nunca apareceu uma boa alma para lhe dar o devido e merecido sacode (que não necessariamente envolve agressão física, por favor, não coloquem palavras em meu post. hahaha). Confesso que anos atrás, em uma galáxia distante, utilizei essa estratégia no calor do momento e funcionou MUITO BEM. A pessoa rapidinho baixou o tom e não foi necessário irmos todos para a delegacia mais próxima.

Respire fundo e mentalize mantras

Essa é para almas que estão em um estágio mais avançado de autocontrole. Vou exemplificar e vocês livre adaptam pra realidade que lhes cabem;
– Patrão ou colega de trabalho te irritando: “Preciso desse emprego e não posso arremessar objetos nesse ser, ó universo dai-me paciência”
– Colega de faculdade te tirando do sério: “Em alguns semestres nunca mais verei a cara desse ser humano, não vale o desgaste, respire profundamente”
 

Agora, falando sério um pouquinho, em “Histórias do Sr. Keuner”, Bertold Brecht relata histórias vividas pelo personagem que dá nome ao livro. Em uma delas, Brecht conta que o Sr. Keuner caminhava pelas calçadas de uma cidade de país inimigo. Um soldado, ao cruzar com ele, mandou que descesse para a rua e andasse pela lama, pois não era cidadão daquele país. Sr. Keuner obedeceu e naquele momento desejou que aquele soldado morresse, assim como toda a população daquele país. Mais tarde, recuperada a razão, Sr. keuner concluiu que quando cruzamos com idiotas, podemos facilmente nos tornarmos um. Então, o melhor é desviar.
 

Nem sempre iremos conseguir, mas não custa tentar! Quais estratégias vocês utilizam para lidar com os insuportáveis que lhes cabem?

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Daniele Fabre

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6 coisas que podem aliviar a ansiedade

 

Eu era uma pessoa tão ansiosa, mas tão ansiosa, que só de pensar em escrever esse post eu já estaria nervosa! Eu era ansiosa no nível de perder sono, mãos suadas, gastrite, problemas emocionais e até vomitar de ansiedade eu vomitava. Era horrível, porque qualquer coisa se tornava um sufoco. Qualquer possibilidade futura se tornava um problemão no presente. O pior de tudo é que a maioria dessas “possibilidades futuras” simplesmente não aconteciam. Eu fazia uma novela mexicana na minha cabeça e sofria (mesmo) por algo que só existia ou na minha imaginação ou num futuro tão distante que o cenário todo seria completamente diferente. Hoje em dia eu continuo me considerando uma pessoa ansiosa (quem não é nesse planeta doidão, né?), mas aquela Olga que quase tinha um filho por qualquer coisa definitivamente sumiu. Meu nível de ansiedade atual pode ser considerado dentro de padrões aceitáveis e quando eu percebo que tô beirando a piração, eu paro, respiro, me dou uns tapas na cara e tento voltar pro centro. Esse caminho não é fácil e nem é de um dia pro outro. Eu devo ter levado uns 3 anos trabalhando de forma natural e orgânica para melhorar meu quadro de ansiedade. Mas mesmo assim, resolvi compartilhar 5 coisinhas simples que me ajudaram MUITO nesse processo. Quem sabe também não ajuda alguém, né? Tudo vai parecer meio tosco e óbvio, mas é assim mesmo.

 

1) NÃO CRIE SITUAÇÕES QUE AINDA NÃO ACONTECERAM

Eu sei que pra um ansioso isso soa até ridículo, mas é verdade. Toda vez que você se pegar pensando em como resolver um problema que ainda não apareceu, em como se virar numa situação que ainda não aconteceu, etc. para, fale pra você mesmo que isso não faz o menor sentido porque você não chegou lá ainda e não tem como saber se vai ser assim como você imagina.

 

2) NÃO SOFRA POR ANTECIPAÇÃO 

 

Quantas vezes o ansioso sofre por antecipação? Sempre! Seja alguma coisa que vai acontecer daqui a 1 dia ou daqui a 80 anos. Como eu disse lá em cima, eu ainda me considero ansiosa. Se eu tenho algo mais sério pra fazer (trabalho, reunião, etc) fico ansiosa, mas mesmo assim não me permito que isso me domine. Nosso cérebro é tão poderoso! Se soubermos controlar um pouquinho nosso pensamento, já estamos em vantagem. Basta você lembrar: quantas vezes que você sofreu por antecipação, chegou lá no motivo do sofrimento e foi totalmente diferente? Seja porque não aconteceu, seja porque não foi tão ruim quanto imaginou, seja porque você conseguiu passar por aquilo? Quem somos hoje é diferente do que seremos amanhã. Seu eu de hoje vai encarar determinadas situações de outra forma. Quem sofre é seu eu de hoje. Não vale a pena.

 

3) MEDITAÇÃO E EXERCÍCIOS DE RESPIRAÇÃO 

 

Acho que o que mais me ajudou a encarar a ansiedade foi meditação e exercícios diários de respiração. Junto com essas práticas, a gente lê um monte de coisas, vê um monte de vídeos, fala com um monte de pessoas e vai trocando e aprendendo sobre uma vida mais leve, sobre o poder das palavras sobre a mente, sobre a importância de estarmos em harmonia espiritual. Definitivamente, esse ponto foi importantíssimo pra mim, pois me fez enxergar que me tratar mal, me cobrar, me adoecer com pensamentos frágeis e inexistentes é um mal que faço a mim mesma e a quem está em minha volta.

 

4) ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA E EXERCÍCIO FÍSICO

 

 

Assim como a meditação e respiração são importantes pra cuidar da mente, comer melhor é essencial também. O que colocamos pra dentro de nós é muito importante, pois é o que nos alimenta, coloca o corpo e mente pra funcionar, equilibra taxas. Muitas vezes, problemas como a ansiedade podem ser causados por fatores biológicos, como a falta de enzimas, aminoácidos, hormônios. TUDO tem na comida. Eu prefiro tentar a cura naturalmente antes de usar qualquer remédio mais brabo para questões assim. Eu sei que é muito difícil conseguir ingerir tudo o que precisamos. Eu mesma uso complementos vitamínicos no dia a dia. Mas procurar um/a médico/a pra dar uma olhada nas suas taxas metabólicas e um/a nutricionista pra pensar numa dieta bacana pode ajudar muito. Dieta não no sentido de emagrecimento e sim no sentido de ser o que você está ingerindo. Cortar açúcar e gordura em excesso, evitar ultraprocessados, enlatados, e por ai vai. A ingestão de alimentos do tipo fazem muito mal, desequilibram nosso organismo e prejudica nosso bem-estar como um todo. Para quem sofre de ansiedade, comer mal piora demais! “Nossa mas quando tô ansiosa, preciso de um chocolate”. Sim, porque açúcar é vício. É um processo químico de dependência. Cortar isso não é fácil, mas devemos tentar. Exercício físico eu nem preciso falar muito: fazer alguma atividade é essencial para ajudar no combate a ansiedade e no bom funcionamento do organismo como um todo.

 

5) SABER – DE VERDADE – QUE A GENTE NÃO CONTROLA NADA 

 

Quando a gente se dá conta real oficial disso a vida muda. Eu sou uma pessoa super pé no chão, penso mil vezes antes de fazer qualquer coisa, tento controlar tudo. Mas hoje em dia, faço isso de uma maneira mais leve. Porque eu cansei de me matar de planejar e na hora H, PÁ! Tudo mudar. Aí são dois sofrimentos: antes e quando acontece. Quer saber? Vamos sofrer uma vez só? Ou nem sofrer? Atualmente, continuo planejando mas sempre tendo em mente que eu não controlo nada. Mais vale a gente se preparar para lidar com as mudanças do que focar num caminho único, sofrer por ele, e bater cabeça.

 

6) FAÇA LISTAS QUE VOCÊ É CAPAZ DE CUMPRIR 

 

Eu sou uma pessoa de listas. Faço lista pra tudo! Geralmente, ansiosos fazem isso. Seja no papel, no computador ou na cabeça. Antigamente, eu fazia umas listas diárias gigantes. No fim do dia, eu só tinha riscado metade das tarefas (que já era coisa pra caramba) e me odiava por não conseguir fazer tudo ou deixava minha ansiedade a mil pensando que acumulei função. O que melhora isso é fazer listas possíveis, com coisas que realmente são viáveis naquele período de tempo. Sempre que minha lista tá ficando gigante eu paro imediatamente e distribuo as tarefas em outros dias. É muito bom e ajuda bastante.

 

Esses foram alguns pontos rápidos que me ajudaram a combater a ansiedade e lidar melhor com ela. Cada um desses pontos levou uns 100 anos pra eu desenvolver bem hahahaha e tô desenvolvendo ainda! Então não se culpe se não conseguir de primeira, muito menos tente mudar tudo de uma vez. Não vai dar certo. Dê um tempo a você mesma, se conheça, se curta, abrace seus defeitos, inicie o processo de melhora com cuidado e tranquilidade. Lembrando que eu não sou médica! Existem casos de ansiedade severíssimos, que são clínicos, e merecem um acompanhamento profissional. Estou relatando minha experiência. Cada caso é um caso.

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Olga Bon

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Conte sua história pra gente!

 

Pra vocês que sempre nos pedem conselho por comentário: essa é sua chance de ter o conselho de 8 amigas muito sensatas que somos nós, escritoras deste blog, no caso. Quer nossa ajuda? Gostaria de saber o que a gente pensa do seu problema? Pode contar com a gente! Mande um e-mail para contato@divasemfrescura.com contando sua história e nós iremos selecionar algumas para postar aqui com nossos conselhos!!!

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Divas

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Primeira tatuagem: uma ajudinha.

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Já faz muito tempo que quero fazer uma tatuagem e durante a minha viagem, resolvi fazer minha primeira. Que processo! Tem gente que consegue rapidinho saber o que quer, onde quer, porque quer: eu não sou assim, pensei e repensei um milhão de vezes até decidir o que realmente queria fazer.

 

E você? Tá pensando em fazer uma tatuagem, mas está que nem eu, louca indecisa? Vem cá que eu vou te ajudar!

 

tatuar

 

Para fazer uma tatuagem, a gente precisa decidir algumas coisinhas:

 

— O desenho que a gente quer

 

— O lugar do corpo que a gente quer tatuar

 

— O estilo da tatuagem

 

— O tatuador

 

O post de hoje é justamente sobre como decidir essas coisas todas!

 

O que eu quero marcar em mim?

 

tatuagem

 

 

Se você está procurando o que tatuar, pense em alguma coisa que signifique algo pra você. Um animal, natureza, algum tipo de hobbie, mandalas ou até um desenho animado – cada um tem algo que é especial e que quer ter consigo para sempre.

 

Nesse processo, o mais indicado é você ver imagens na internet. Procurar tudo quanto é tipo de foto de tatuagem, feminina ou masculina. E depois de decidido o seu desenho, procure tatuagens especificamente do que você quer.

 

Você pode achar imagens de tatuagem…

 

No google imagens

No Pinterest

No Instagram

Em sites de estúdios de tatuagem

 

Pra mim, essa foi a parte mais fácil (ou menos difícil) porque desde criança eu AMO corujas, tenho mil coisinhas de coruja em casa e tudo mais. Já sabia que seria uma coruja minha tatuagem.

 

coruja

Não, essa não é a minha tatuagem.

 

Você não precisa encontrar A imagem correta e perfeita, você pode encontrar várias da mesma coisa (tipo, várias de coruja, mais ou menos no mesmo estilo) e que vão servir para inspirar seu tatuador e a partir dela, ele desenha uma tatuagem pra você. Claro que você pode pedir pra fazer um desenho já pronto, exatamente igual ao de outra pessoa que você achou na internet, mas uma tatuagem sua só sua é algo muito mais pessoal, né?

 

Qual deles, qual deles?

 

carpa-black-perna

 

 

Agora a parte MAIS difícil: onde tatuar o que a gente quer tatuar.

 

O lugar do corpo onde você vai tatuar depende de dois fatores: sua vontade e a tatuagem que você quer fazer.

 

Se o desenho que você escolheu precisa ser feito grande pra ficar bom, então não dá pra fazer no pulso, por exemplo. Se o seu desenho é longo, os melhores lugares vão ser batata da perna, braço, costela ou coxa, por exemplo também. Se for mais largo, costas. Isso é algo que você precisa pensar e dizer ao seu tatuador, ele vai poder dizer se vai ficar bom, se ele tem espaço suficiente para fazer o que você quer naquela área que você quer.

 

A questão é escolher a imagem inspiração e acordá-la com o tamanho da tatuagem e o tamanho da parte do corpo.

 

coxa

 

Se sua primeira tatuagem vai ser pequenininha, esse fator tamanho – parte não é muito importante.

 

Independente da tatuagem, também é legal pensar em uma parte do corpo que seja legal pra você em relação a sua vida profissional e prática. Eu, por exemplo, escolhi uma parte do corpo fácil de esconder e que só é fácil de mostrar porque faço pole e gosto de praia. A tatuagem é pra VOCÊ, não precisa estar exposta em todas as roupas que você usa, mas também é legal poder mostrar sempre que quiser.

 

O estilo da tatuagem

 

Existem vários estilos de tatuagem diferentes, muitos mesmo! Aqui alguns exemplos:

 

new school

New School

 

 

tatuador-3d

3D

 

 

 

realista

Realista

 

tatuagem aquarelada

Aquarelada

 

 

pontilhismo

Pontilhismo (feita de pontinhos)

 

 

Para saber / ver mais, abre esse link AQUI e esse AQUI também =)

 

A importância de saber o estilo que você quer na sua tatuagem é que, a partir daqui, você pode encontrar um bom tatuador. Os tatuadores são muitas vezes especialistas em algum tipo de tatuagem. A minha amiga Léo, que está comigo aqui em Toulouse, queria fazer uma mandala na coxa. Achamos um tatuador especialista em mandala e que tem uma mão ótima pra microdetalhes. Ele desenhou do zero a tatuagem dela. Olha o resultado aqui:

 

leonie

 

 

O tatuador

 

tatuador

A melhor forma de escolher um tatuador é…. TAN TAN TAN TAAAN… a boa e veja indicação.

Se você tem amigos, conhecidos ou etc que fizeram uma tatoo com o cara e ficou maravilhosa, ainda mais dentro do estilo que você quer, corre lá! Não sai entrando em qualquer estúdio não, procura bastante o trabalho da pessoa e vê se é do seu agrado, procura saber se ele sabe fazer o tipo de tatuagem que você quer com o traço que você quer.

 

Tenho uma amiga, por exemplo, que fez uma tatuagem gracinha, mas o tatuador usou uma agulha grossa demais pra um desenho delicado demais: em resumo, o que era pra ficar fofo, ficou fofamente bruto.

 

Então perde a vergonha e se ver alguém na rua com uma tatuagem MARAVILHOSA, corre lá e pergunta onde que ela fez. Pergunta pros amigos tudo que já são tatuados. Procura, procura e procura.

 

Ah, e sempre bom repetir: presta atenção na limpeza do lugar, nas precauções de higiene e tudo mais que se relacione a isso quando estiver no estúdio.

 

E vai na fé!

 

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Jenny Santos

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Viva com ousadia

Eu tô pra escrever esse post há um tempão, desde que eu li um livro que mudou bastante minha forma de enxergar as coisas, o mundo e a mim mesma. O livro em questão é o “Coragem de ser imperfeito”, da Brené Brown. Ele fica na seção de auto-ajuda das livrarias, mas ele é muito mais que isso. Não tem aquelas coisas que a gente sabe, que parecem bobas e óbvias, mas não colocamos em prática nunca? E aí quando a gente lê parece um tapa na cara? Pois bem! Esse livro é assim. Claro que existem pedaços que são um pouco utópicos, pra florear os escritos mesmo, mas ele é, de fato, muito inspirador. E o que mais me chamou atenção foi que a autora não o desenvolveu com base em achismos. Ele é fruto de uma pesquisa admirável, feita ao longo de 12 anos, onde Brené leu, pesquisou e entrevistou arduamente, para obter resultados satisfatórios e que foram, posteriormente, postos em palavras tão bacanas.

 

Download-A-Coragem-de-Ser-Imperfeito-Brené-Brown-em-ePUB-mobi-e-pdf

 

Esse post, então, vai reunir algumas coisas que me marcaram e que eu gostaria de dividir com vocês. Mas tem muito mais, gente. Se vocês quiserem, posso escrever mais sobre isso em outros posts. Se não, podem comprar o livro também que vale a pena. #nãoéjabá

 

– Sobre a escassez

 

ansiedade

 

Isso gira em torno, basicamente, de nunca sermos bom o bastante. Nunca somos ricos o bastante, nunca somos felizes o bastante, nunca estamos produzindo o bastante, nunca estamos bonitas o bastante, nunca estamos sendo mãe o bastante, nunca estamos sendo amigas o bastante, nunca estamos trabalhando o bastante, nunca estamos correndo o bastante, nunca estamos sendo filhas o bastante, nunca estamos sendo companheiras o bastante, nunca estamos sendo amantes o bastante. Nunca estamos sendo gostosas o bastante. Nunca estamos sendo extraordinárias o bastante. UFA! E não é assim mesmo que vamos levando a vida? Geralmente, nosso primeiro pensamento do dia está ligado a uma escassez. “Não dormi o bastante”; “não estudei o bastante”; “não tenho tempo suficiente”. Antes de nos deitarmos, antes de estarmos prontos para mais um dia, já nos colocamos para trás, nos sentimos em falta. Alimentamos uma situação eterna de agonia, escassez e ansiedade.

 

Não existe uma mágica para não vivermos assim. Mas, segundo a autora, devemos entender, de verdade, que não existe ser eficiente em tudo e que é extremamente normal. Ninguém consegue abraçar tudo e viver tentando alcançar isso, só causa frustração e problemas. E principalmente: devemos viver com ousadia, nos tornando vulneráveis.

 

– Sobre ser vulnerável

 

vulneravel

 

Em primeiro lugar, deixe para lá, nesse exato segundo, a ideia de que ser vulnerável tem a ver com fraqueza. Mas também não acredite que ser vulnerável é algo inteiramente bom e positivo. Na verdade, vulnerabilidade é incerteza, risco e exposição emocional. Então, por que devo ser vulnerável? Porque assumir nossa vulnerabilidade significa acolher as emoções que resultam disso. Essa atitude reacende paixões (paixões como um todo, gente. Um hobby, um trabalho, um sonho), ajuda a recuperar a parte emocional das nossas vidas e ajuda a retomar objetivos. Vulnerabilidade tem a ver com coragem. E nada a ver com fraqueza.

 

Compartilhar algo que você tenha feito, por exemplo, mas morre de vergonha, é estar vulnerável de uma forma corajosa. Talvez o maior ensinamento de se estar vulnerável seja o de combater a vergonha. Quando combatemos a vergonha de nos expor, temos a tendência de buscar nossos objetivos de forma muito mais focada, de viver com aquilo que realmente nos faça feliz. Isso chama-se viver com ousadia. Quando aprendemos a lidar com a vergonha, todos os cenários mudam, pois sua autoestima não está em jogo. Você tem consciência de que é muito mais do que um trabalho, um texto, uma arte que tenha feito, um bom profissional da sua área, enfim. Óbvio que vamos nos decepcionar se recebermos uma crítica feroz ou se nossos amigos não curtirem uma criação feita com tanto carinho. Mas essa decepção estará ligada aquilo que você FEZ, e não a quem você É. O fato de você ter tentado já mostra sua vulnerabilidade e sua ousadia e isso sim está alinhado com o seu valor e com a sua pessoa. Segundo Brené: “a autovalorização nos inspira a ser vulneráveis, a compartilhar sem medo e a perseverar. Por outro lado, a vergonha nos mantém atrofiados, tímidos e medrosos”.

 

– Entendi a minha vergonha, mas e agora? 

 

vergonha

 

A palavra mágica é resiliência. Ou seja, nossa capacidade de nos recuperarmos rapidamente de algo ruim que tenha acontecido ou de nos adaptarmos a uma mudança. Devemos, então, SAIR do sentimento da vergonha (uma vez que é impossível não entrar nele) através da empatia. Isso significa vivenciar a vergonha, mas encará-la sem perder nossos valores, com a certeza de quem nós somos, entendendo que todos passam pelo mesmo, que isso é algo natural, mas que deve ser deixado de lado rapidamente, ao invés de ser mastigado por muito tempo. A vergonha é algo social. Algo social deve ser tratado com um bálsamo social e é aí que entra a empatia. Compreenda a si mesmo e ao outro. Brené fala de quatro mecanismos da resiliência à vergonha e que nos levam à empatia. São eles:

 

– reconhecer a vergonha: saiba como e quando ela tem maior poder sobre você e por quê

– praticar a consciência crítica: sua vergonha tem a ver com você verdadeiramente ou corresponde a uma suposição do que os outros esperam ou querem de você?

– ser acessível: só podemos praticar empatia quando deixamos que o outro nos conheça

– fale sobre a vergonha: você conversa sobre como se sente?

 

A resiliência é uma estratégia para proteger os vínculos com nós mesmos e com as pessoas que gostamos.

 

– Seja autêntico 

 

stay true

 

Sabe uma das formas mais bonitas de nos empoderarmos? É saber que existem milhares de normas baseadas em camisas de força de gênero e que não precisamos usá-las para sermos felizes e para alcançarmos sucesso. Jogar fora as listas do que “deveríamos ser” é um ato de coragem, mas que revela frutos muito positivos. Ser o bastante é libertador e significa a aceitação dos próprios valores. Cada pessoa tem um valor dominante (alegria, sucesso, reconhecimento, dinheiro, família, etc). Entender esse valor é se aceitar, impor limites e se envolver de forma mais plena com a vida e com o que ela tem a oferecer.

 

Existem algumas coisas muito típicas da nossa atual sociedade, que boicotam essa busca pelo “ser autêntico”. Uma delas é a “alegria como mau presságio”. Ou seja, aquela ideia de que “ih, tá tudo muito bem, deve dar alguma merda já já”. Essa ideia bloqueia a vivência de momentos felizes e nunca nos prepara pra quando “a merda” acontecer mesmo. Não adianta ficar se preparando para um momento ruim, porque quando acontecer, você vai sofrer do mesmo jeito. Então, saiba aproveitar os momentos felizes que a vida te dá, até porque, a felicidade nos visita nas pequenas coisas. Outra coisa que boicota muito é o perfeccionismo. Eu já enchi a boca para falar que era perfeccionista, mas por quê? Porque o perfeccionismo é um escudo. É a crença de que, se parecermos perfeitos, estaremos livres de críticas e da vergonha. É mentira! Mentira pura! Você sempre será julgado. Sempre! Aceitar que você não é perfeito e que irá falhar (muitas, várias, centenas de vezes) é uma forma de ser vulnerável e ousado. É uma forma de ser bom para você mesmo.

 

– Pratique a gratidão 

 

gratidão

 

Isso é bastante divulgado, mas pouco praticado. Seja grato ao que você tem, ao que você conquistou, a pessoa que você é. A gratidão é um ato de amor com Deus, com a vida e com você mesmo.

 

E pra encerrar, viver com ousadia é se conhecer, conhecer seus valores e cuidar do espírito. É impor limites de acordo com esses valores e com o que você é como pessoa. E isso, meus amigos, não é nenhum pouco fácil. Isso é um trabalho de formiguinha para a vida toda. Mas abrir a consciência para esse tipo de reflexão já traz mudanças significativas na maneira de lidarmos com os outros e com nós mesmos.

 

ESCRITO POR

Olga Bon

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