Diva mas sem Frescura

#LeiaMulheres: Permita-se conhecer escritoras maravilhosas nos próximos meses

Fim do ano passado li uma reportagem do ElPaís que propunha um exercício que,  na época, considerei um pouco radical: LER APENAS LIVROS ESCRITOS POR MULHERES. Na hora me veio aquele pensamento totalmente senso comum que diz “não importa o gênero do escritor, o livro tem que ser bom”. No entanto, bastou analisar a composição da minha estante de livros para perceber que minha coleção é mais desproporcional do que eu imaginava e quase não há livros escritos por mulheres. É óbvio que o livro deve ser considerado bom, independente de quem o escreveu, mas a partir do momento em que há essa imensa disparidade, acredito que é válido refletir sobre alguns pontos.

 

leia-mulheres-5-escritoras-7A expressão da Agatha Christie para quem diz “ain, essas campanhas estimulam guerra entre os sexos” APENAS PAREM!

 

Qual dessas hipóteses você considera mais razoável:

 

(   ) Os homens possuem muito mais talento para a escrita do que as mulheres e, por isso, suas obras são mais publicadas, divulgadas e consequentemente, lidas.

(   ) Vivemos em uma sociedade patriarcal e machista, que privilegia os homens em diversos aspectos e por isso conhecemos e lemos MUITO MAIS livros escritos por homens?

Acho que a segunda, né?

 

“Ao longo da maior parte da História, Anônimo foi uma mulher”

 

A célebre frase de Virgínia Woolf nos mostra que se atualmente a situação está longe de ser ideal, no passado a questão era bem mais gritante. No livro “Um teto todo seu” a autora retrata as dificuldades que as mulheres enfrentavam para escrever (as poucas que eram alfabetizadas). Woolf comenta a falta de recursos financeiros e validação social que impedia as mulheres de escreverem e, principalmente, serem reconhecidas por suas obras. Ainda no século XX muitos países europeus tinham leis que proibiam que as mulheres ganhassem dinheiro sem a permissão dos maridos, logo, era um artifício comum as escritoras utilizarem-se de pseudônimos ao publicar seus escritos. Exemplos bem conhecidos são os de George Eliot (que na verdade era Mary Anne Evans) e George Sand (Amandine Aurore Lucile Dupin). As irmãs Brontë – Anne, Charlotte e Emily – também publicaram poemas e romances através de identidades masculinas.

nywm

Outro dado que acho importante considerarmos é a constituição da Academia Brasileira de Letras. Ao todo, 288 intelectuais já foram consagrados como imortais. Desses, apenas 8 são mulheres, ou seja, cerca de 3% dos membros, num país em que elas são 51,3% da população. É um dado absurdo até pra quem é de humanas, né!?

 

A quem possa interessar, as 8 escolhidas são:

Dinah Silveira de Queiroz; Nélida Piñon; Rachel de Queiroz; Zélia Gattai; Lygia Fagundes Telles; Rosiska Darcy de Oliveira; Cleonice Bernardinelli; Ana Maria Machado;

 

(Dados retirados do site www.academia.org.br/academicos/ em 28/05/2016)

 

Enquanto consultava a lista de imortais da ABL vi rostos como o de Paulo Coelho, Ivo Pitanguy e José Sarney (Sim, ele mesmo), mas não vi as maravilhosas e consagradas Cecília Meirelles, Clarice Lispector e Adélia Prado. Aos homens, basta ser mediano para alcançar certo destaque profissional. O homem pode até possuir uma obra de qualidade bem questionável e ainda assim conquistar certo sucesso.

 

21e-thumb-953x646-129318

Óbvio que mulheres não são seres de luz acima de críticas e que há livros que eu ou você iremos considerar ruins. Eu, por exemplo, jamais indicaria a saga Divergente/Convergente, mesmo sendo escrito pela Veronica Roth, pois não é o tipo de leitura que me agrada. O #LeiaMulheres não se trata de ler qualquer livro só por que é escrito por mulher. Trata-se de priorizar ler mulheres dentro do estilo literário que mais nos apetece. É fato que há muito mais livros escritos por homens e eles são muito mais divulgados. Para chegar no nível de escolhermos “independente do gênero”, é preciso que existam mulheres publicando e é preciso que conheçamos as boas escritoras que estão ocultas por aí. Dito isso, estou pensando seriamente em fazer o mesmo que a moça da reportagem citada no início do post, pelo menos por um tempo. Tenho tentado desde janeiro deste ano comprar apenas livros escritos por mulheres, mas acaba sendo difícil, pois acabamos tendo leituras “obrigatórias” por conta da faculdade, trabalho, concursos e afins. Talvez, agora que escrevi esse post, eu consiga levar o projeto mais a sério!

 

Por aqui já rolou post indicando escritoras que vale a pena conhecer, quais vocês sugerem para aumentarmos essa lista e conhecermos mais escritoras incríveis, hein!?

 

Para saber mais sobre o projeto e a autora, clique aqui (em inglês)

 

Por Daniele Fabre

 

daniele
 
 

Tenho 25 anos e sou graduada em Pedagogia.

Amo cinema, comida, literatura e pessoas. Nessa ordem.

Instagram

ESCRITO POR

Convidada especial

DEIXE UM COMENTÁRIO

0

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *