Diva mas sem Frescura

Me ouve

Sabe aqueles dias que você precisa ouvir um conselho de amiga? Que você quer um papo cabeça, quer alguém que te entenda, quer ter aquele típico momento seu e das amigas? Então vem com a gente, vamos conversar, mas primeiro, miga: me ouve!

Tom (500 dias com ela) em: homens que não gostamos

Vocês já assistiram ao 500 dias com ela? Se a resposta é não, recomendo e aviso que está disponível na Netflix. Para melhor compreensão do post, adianto que o filme é uma comédia romântica não tão romântica, contada através do ponto de vista de Tom (Joseph Gordon-Levitt). Um olhar menos cuidadoso (e sem nosso raio feminazi) pode considerar Tom fofinho, bonzinho, coitadinho e a Summer uma moça sem coração. Mas a nós esse moço não engana e ele é o próximo participante da série “homens que não gostamos”.

– É o famoso machista que acha que por que a moça não o quis, é uma vadia cruel.
 
– Desde o início fica claro que ele amava mais a ideia que tinha da Summer do que ela de fato.
 

– Ele acha que por que a moça gosta das mesmas coisas que ele, eles, obrigatoriamente, devem ficar juntos. Em uma cena, uma criança que devia ter uns 9 anos o alerta: “Só porque uma garota bonita gosta das mesmas coisas bizarras que você, isso não a torna sua alma gêmea.”. É ISSO, TOM!

Sabe quem concorda conosco? O Joseph Gordon-Levitt, que interpretou o macho chato. Em uma entrevista dada à Playboy americana, foi categórico:
 

“Em (500) Dias com Ela, as atitudes dele foram ruins. Muitos homens e também algumas mulheres, especialmente os mais jovens, se identificam com ele. Mas eu encorajaria qualquer um que ficou do lado dele na história, a ver o filme novamente e analisar como ele é egoísta. Ele desenvolve uma obsessão levemente delirante sobre uma garota para quem ele projeta todas as suas fantasias. Ele acha que o sentido da vida dele estava nela. Isso é ser egoísta! Um monte de meninos e meninas acham que suas vidas só têm significado se encontrarem um parceiro ideal. Isso não é saudável, isso é se apaixonar com a ideia do ideal e não com a pessoa real.”

Confesso que na cena em que eles se encontram no parque e ele diz “Você não queria ser apontada como namorada de alguém, e agora você é esposa de alguém?” me deu uma certa peninha dele. Mas gente, ninguém é obrigada! Naquele momento específico Summer não queria nada sério e esse era um direito dela. Assim como também foi seu direito mudar de ideia e se casar logo depois.
 

Apesar de ser uma ode ao sofrimento masculino e colocar a Summer como a algoz, o filme tem seus méritos e vale a pena conferir. Nem que seja para odiarmos o Tom e defendermos a Summer juntas, afinal nenhuma de nós está livre de ser considerada a vadia sem coração na vida de alguém.

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Daniele Fabre

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#LeiaMulheres: Como ser Mulher – Caitlin Moran

Por aqui já falamos sobre o #LeiaMulheres e o escolhido de hoje é o Como ser mulher, da Caitlin Moran.
 

Quando li esse livro pela primeira vez devia ter uns 18/19 anos e sequer me declarava como feminista. Foi através dele que abri minha mente acerca do assunto e parei de repetir mantras senso comum como “feministas odeiam homens”, “feministas não se depilam” e “feministas não usam maquiagem”. O livro é basicamente uma mescla entre memórias da autora com um manifesto bem divertido acerca de questões femininas e feministas. O livro segue a cronologia da vida de Caitlin e possui capítulos que tratam desde a primeira menstruação e a primeira paixão, até a maternidade e vida profissional. A autora utiliza uma linguagem bastante acessível, nada das famigeradas expressões complicadas que vemos nos grupos feministas pela internet, tipo mansplaining, slut-shaming, Gaslighting e afins (no entanto, a autora comenta acerca de questões que envolvem essas expressões, mesmo sem citá-las).

Em determinado capítulo, um dos meus preferidos, Caitlin comenta acerca das mulheres que que curtem se intitular “anti-feministas”:
 

“Hoje em dia, no entanto, estou muito mais calma – desde que me dei conta de que tecnicamente impossível uma mulher argumentar contra o feminismo. Sem o feminismo, você não teria permissão para debater o lugar da mulher na sociedade. Você estaria ocupada demais dando à luz no chão da cozinha – mordendo uma colher de pau para não atrapalhar o carteado dos homens – antes de voltar a esfregar a latrina. É por isso que aquelas colunistas do Daily Mail – que falam mal do feminismo todos os dias – me divertem. Você recebeu 1,6 mil libras por isso, querida. E aposto que foi para a sua conta do banco, não para a do seu marido. Quanto mais as mulheres argumentam, em voz alta, contra o feminismo, mais elas provam que ele existe e que elas se aproveitam dos privilégios conquistados a duras penas.” Página 62

Resolvi revisitar o livro recentemente, após ler um texto de uma feminista criticando a obra e tentando desqualificar a Caitlin enquanto militante. Primeiramente, eu acho bem patético alguém se achar a dona do feminismo, a distribuidora de carteirinhas, a rainha da militância, a ponto de decretar: isso não é feminismo ou ela não é feminista. Por favor, sabe. No mais, reli o livro e gostei bastante. A Caitlin consegue fazer algo que acho muito bacana: tratar de assuntos sérios e necessários de forma acessível e divertida. Vamos combinar, ler teoria e textos acadêmicos é muitíssimo válido e importante, mas não alcança a maioria das pessoas e tende a ficar limitado aos muros das universidades ou determinado grupos. Não é isso que queremos, não é?
 

Não concordo 100% com todos os pontos expostos pela autora, falta recorte social e racial e aparentemente a autora se alinha mais ao feminismo liberal. Mas, ainda assim, considero uma leitura muito válida e divertida. Inclusive é uma boa opção para darmos pra aquela sobrinha que ainda não sabe nada acerca do movimento e o enxerga como uma confraria de mulheres mau humoradas que odeiam homem e são contra as mulheres se maquiarem e/ou serem donas de casa se assim desejarem.

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Daniele Fabre

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Mr. Big (Sex and the city) em: Homens que não gostamos

Sex and the City faz parte do pacote de séries e filmes que assisti no início da adolescência e criei uma relação afetiva. Mas, hoje em dia, sempre que me arrisco a rever algum episódio passo raiva e me vejo criticando uma série de coisas. A relação da Carrie com o Big é uma delas. Anos atrás eu achava a história deles linda e romântica, hoje em dia acho um absurdo a Carrie ter aturado os desaforos e melindres desse boa praça.

Apesar disso, na época da série era bem comum moças sonhando com um Mr. Big para chamar de seu. Sendo assim, reuni algumas evidências provar meu ponto e convencê-las de que esse ser não é esse homão todo.
 

– Mr. Big não sabia o que queria e isso foi bem irritante ao longo das temporadas. Em um momento ele era um cara bacana. Em outro foi ali casar com uma moça aleatória rapidinho pois a Carrie era “mulher demais pra ele”. Por favor, né.
 

– Ao longo da série ele fez a linha mulherengo e lembro de diversas vezes em que ele babou por outras mulheres mesmo estando com a Carrie. Babacão!
 

– Faz a linha que não caga (perdão!) e nem desocupa a moita para outro utilizar. Por sorte Carrie não era de tudo boba, mas ainda assim foi irritante acompanhar o vai e vem deles ao longo da série.
 
– Só corria atrás de nossa estimada protagonista quando ela estava comprometida com outrem.

– Não incluía a Carrie em seus planos. Lembram de quando ele resolveu se mudar para Paris e sequer achou necessário comunicá-la imediatamente acerca da sua decisão?
 

– Ele lançava o famigerado papo do “não tô a fim de compromisso” mas continuava indo atrás da Carrie (Por ANOS, diga-se de passagem)
 

– No primeiro filme da saga ele se vê em dúvida sobre querer casar ou não. Até aí beleza, pode acontecer. AGORA, COMO QUE A PESSOA DEIXA PRA DESISTIR LÁ NA PORTA DO SALÃO? POR QUE NÃO DESISTIU NA NOITE ANTERIOR, POUPANDO A CARRIE DA HUMILHAÇÃO PÚBLICA TRAJANDO UM POMPOSO VESTIDO DE NOIVA?

Lembro de ter lido um texto que afirmava que todas nós, cedo ou tarde, cruzaremos com um Mr. Big e que ele até possui sua utilidade. O lance é que na vida real é insustentável um relacionamento a longo prazo com esse tipo. Um dos produtores da série, inclusive, disse não ter gostado do desfecho da protagonista. Eu também não! E fica aqui o meu protesto.
 
Caso um dia resolvam fazer um terceiro filme para a a série, aguardo esperançosa a Carrie dispensá-lo.

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Daniele Fabre

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5 filmes para apaixonados por cachorros

É difícil encontrar alguma alma que não goste de cachorros. né? Pensando nisso, reuni 5 filmes cuja trama gira em torno do melhor amigo do homem. Infelizmente nem todos estão disponíveis na Netflix, mas todos são fáceis de encontrar por aí e costumam passar na TV.
 

Truman – Cesc Gay

Embora o cachorro dê nome ao filme, o foco da trama é seu dono, um doente terminal com câncer em busca de resolver pendências e se despedir desse mundo. Uma das pendências a ser resolvida é arrumar um novo dono para Truman, sendo bastante bonita e convincente o afeto e empenho envolvidos na difícil tarefa de encontrar um bom tutor para o cão. Dessa seleção, SEM DÚVIDA é o filme que mais gosto.
 
Marley e Eu (Marley & Me) – David Frankel

Provavelmente você pelo menos já ouviu falar nesse filme baseado no livro de crônicas homônimo, que retrata a vida em família do casal John e Jenny Grogan (Owen Wilson e Jennifer Aniston) e a família que se iniciou quando eles levaram Marley para casa, um labrador um pouco diferente da maioria dos cães da raça: extremamente agitado, desengonçado e difícil de adestrar. A película conta a trajetória da família, com destaque para as situações inusitadas proporcionadas pelo cachorro. É um filme bem gracinha.
 
Lembranças de outra vida (Fluke) – Carlo Carlei

Esse filme é um clássico da sessão da tarde e passava muito na minha infância (quase tanto quanto A Lagoa Azul. hahahaha). Conta a história de um Pai que morre e reencarna em um cachorro. Como ele se lembra de quem era na vida passada, ele volta para aquela que foi sua família na vida anterior a fim de protegê-los do homem que causou o acidente de sua morte. Não assisti novamente ao filme na vida adulta para atestar a qualidade, mas lembro que na época eu adorava.

 
Sempre ao seu lado (Hachi: A Dog’s Tale) – Lasse Hallström

Esse também é bem famoso e conta a história de amizade entre Hashi e Parker Wilson (Richard Gere). Parker é um professor universitário que certo dia encontra um filhote na estação de trem ao voltar do trabalho e resolve levá-lo para casa, mesmo ciente que sua esposa será contra. Com o tempo o cão é aceito na casa, cresce e passa a acompanhar Parker até a estação de trem, retornando ao local no horário em que costumeiramente o professor estava de volta. A história é baseada em fatos reais.
 
4 vidas de um cachorro (A Dog’s Purpose) – Lasse Hallström

Eu particularmente não gostei desse filme, mas tenho amigas que amaram, então acho que vale a pena indicar. Conta a história de amizade entre Ethan e o seu cão da adolescência. Após a morte do cão, ele reencarna em diferentes raças e situações, como por exemplo em um cão de polícia e como cão de uma família problemática. Em sua 4ª vida, quando seu primeiro dono já está idoso, ele o reencontra e tenta mostrá-lo que era ELE o seu cão da adolescência.
 
E aí minha gente, lembram de mais algum filme legal protagonizado por um serzinho de 4 patas?

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Daniele Fabre

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Nudez, arte, sexualidade e crianças: o que está acontecendo?

Esses dias surgiram fotos de uma menina, criança, ao lado de um homem nu no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e obviamente a notícia deu o que falar. Fundamentalistas e fanáticos religiosos foram até o local para quebrar o museu e agredir os funcionários, e muita gente que ficou em casa compartilhou a foto e o vídeo da criança ao lado do homem nu (que não era uma pessoa aleatória, era um artista fazendo uma performance) com direito a muito textão. Claro que tudo isso gerou comoção nas redes sociais. Vi muitos comentários controversos em relação a esse assunto desde o cancelamento da exposição do Queermuseu em Porto Alegre, por isso acho importante compartilhar algumas reflexões minhas com vocês, minhas leitoras amadas, queridas e sensatas.

 

 

 

Primeiramente, após a exposição do Queermuseu houve vários e vários textos sobre arte, principalmente afirmando o que é e o que não é arte, e muita gente falando mal desse tipo de texto. Bom, é preciso a gente pensar que nem todo mundo no Brasil tem uma educação de ponta e muito menos uma boa noção artística. Nosso país não investe largamente em incentivo cultural, por isso o acesso de grande parte da população à arte é praticamente inexistente, com isso, o acesso à reflexão sobre o que é arte também é praticamente inexistente pro povão. Então, antes de sair reclamando que “gente burra nem sabe o que é arte e tá falando absurdos” lembre-se de que na maioria dos casos as opiniões das pessoas não são pautadas em falta de inteligência, mas sim no senso comum e na falta de informação sobre os objetivos da arte.

 

 

exposição Queer museu cancelada em Porto Alegre

 

 

Bem, em relação à criança observando o homem nu no museu: sabemos que antes da sala onde ele estava realizando a performance havia sinalização de conteúdo +18, e também sabemos que a mãe da criança estava ao lado e permitiu que ela não somente entrasse, mas que interagisse com o artista. Dentro da minha experiência como mulher e como mãe de uma menina linda de 5 meses, devo confessar que acho isso EXTREMAMENTE problemático. É lógico que o corpo humano é uma coisa natural e que nem todo contexto de nudez é um contexto sexual, então eu realmente não relaciono essa situação com pedofilia ou com incentivo à pedofilia, porque claramente naquele contexto não havia sexualidade envolvida. Apesar disso, as crianças (principalmente meninas) que sofrem abuso ou violência sexual nem sempre sabem reconhecer que estão sofrendo violência/abuso. Isso porque na maioria dos casos, a violência parte de pessoas conhecidas, e além disso, colo e “carinho” raramente são associados a abuso sexual porque a criança não tem essa vivência, essa noção, esse conhecimento de mundo, ela apenas se sente culpada e estranha com a situação envolvendo genitais e mãos e adultos. Acredito que há um momento propício pra falar sobre corpo e sobre sexualidade com as crianças, mas para isso é preciso que elas tenham entendimento do que é sexual e do que não é, e para uma criança, diferenciar as duas situações não é tarefa fácil.

 

manifestantes protestam em frente ao MAM SP

 

Tocar em um estranho pelado pode dificultar a ideia de consentimento pra essa menina, e o lúdico pode se confundir com o sexual porque crianças são inocentes e inexperientes. Acho que a mãe pode e deve ensinar à filha dela sobre como são e como funcionam os corpos de homens e mulheres, mas não acho pertinente que isso seja feito ao vivo e a cores, na frente de várias pessoas, em um museu, com um estranho nu. Acho também que por mais que a intenção da mãe tenha sido boa (pressupondo isso, porque não a conheço), deveria ter algum funcionário do museu na porta para impedir a entrada de menores de 18 anos. Uma vez fui ao cinema com a minha mãe e queríamos ver um filme do Stallone, mas eu tinha 16 anos e não pude entrar nem com a minha mãe do lado. Ou seja: deve-se proteger as crianças da falta de noção alheia, ainda que a pessoa sem noção seja a própria mãe.

 

Eu sei que as experiências pessoais diferem de pessoa pra pessoa, mas eu, particularmente, odiei quando meu corpo começou a mudar aos 12 anos de idade e vários homens NOJENTOS começaram a mexer comigo na rua. Inclusive por 2 vezes homens colocaram o indesejado pinto pra fora na minha frente, na primeira vez eu tinha 13 anos, na segunda 16, e em ambos os casos eu não estava preparada pra isso. Foi um trauma muito grande, eu me senti suja, culpada de alguma forma, e enfim, eu já não era nenhuma criança. Imagina a complexidade de ser criança e ver um pinto na sua frente, e em algum momento posterior, como lidar com a situação caso não haja seu consentimento e apareça um pinto na sua frente, sendo você ainda uma menina?

 

MBL é um grupo político que se diz a favor da moral, mas defendeu Marco Feliciano após acusação de tentativa de estupro

 

Dito isso, gostaria ainda de endossar que grupos políticos extremistas estão se aproveitando desse tipo de situação para apoiar a censura e o controle da arte, senão a própria repulsa e ódio a tudo que é artístico, e isso não tem como ser positivo. É preciso saber bem separar as coisas e entender o que há por trás de todo esse ódio sendo promovido. Podem ter certeza que não é pela moral e bons costumes, ok? Até porque, em casos de tentativa de estupro e de pedofilia comprovada, estes mesmos grupos políticos não se manifestam, e/ou quando se manifestam, culpam a vítima ou a mãe da vítima na maioria dos casos, relativizando o crime e o criminoso. Não vamos nos esquecer que Alexandre Frota, que já confessou ter estuprado uma moça em rede nacional e não sofreu nenhuma penalidade, é hoje quem se declara ultra a favor da educação das crianças, da moral e bons costumes, do pudor e do conservadorismo. Algo errado não está certo, amigas (kkk).

 

Bem, por fim, não sou e nem me sinto a melhor pessoa do mundo pra opinar sobre a arte, mas de forma geral, com base em estudos e leituras, sei que um dos objetivos da arte é provocar as pessoas, chamá-las para sair da sua zona de conforto e refletirem. A arte não tem e nem precisa ter um compromisso ideológico, uma militância, uma moral. Retratar algo de forma artística não significa concordar com aquilo que está sendo retratado. Você pode e DEVE criticar a arte como sendo de bom ou mau gosto, você pode dar seu suado dinheiro a exposições ou boicotá-las. Você pode fazer textão sobre qualquer tipo de arte. O que não se pode é proibir que a arte aconteça, odiar os artistas e censurá-los. É urgente que a gente saiba não gostar ou discordar de algo mas entender que aquilo existe, e simplesmente continuar vivendo, ignorar.

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Luma Mattos

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