Diva mas sem Frescura

Me ouve

Sabe aqueles dias que você precisa ouvir um conselho de amiga? Que você quer um papo cabeça, quer alguém que te entenda, quer ter aquele típico momento seu e das amigas? Então vem com a gente, vamos conversar, mas primeiro, miga: me ouve!

Feminismo e o casamento: opostos ou não?

Assim que eu anunciei que iria me casar, algumas pessoas me questionaram sobre o “meu feminismo”, e vejo que em 2017 muita gente ainda entende que ser feminista é ser contra o casamento. Resolvi fazer esse post pra contar um pouco pra vocês sobre a vida de feminista casada, e espero que todos os leitores possam ver que é uma coisa completamente normal.

 

 

Quem é que manda: você ou ele?

 

Bom, como não somos funcionários um do outro, ninguém manda em ninguém e nem em nada. Nós dois entendemos o casamento como uma parceria, então nós nos ajudamos sempre, conversamos, tomamos decisões juntos sobre tudo: quem vai limpar o que, quem cozinha e quem lava a louça, o que vamos fazer com nosso dinheiro e o que vamos comprar no mercado. Tudo é decidido mediante um acordo em que ambos saiam felizes e satisfeitos.

 

 

Você bota o seu marido pra fazer faxina? Uau.

 

Eu não boto ele pra fazer faxina porque como qualquer ser humano que preze uma condição mínima de higiene pra viver, ele limpa a casa quando vê que ela precisa de limpeza, e não por tirania minha. (Obs: homem nenhum merece um prêmio por isso). Nós geralmente fazemos uma permuta: ele odeia lavar a louça, então eu lavo. Eu odeio lavar o banheiro, então ele lava. E assim vai. Como sou professora e ele tatuador, às vezes precisamos trabalhar no final de semana, e então um dos dois limpa sozinho mesmo. E como temos uma bebê de 3 meses, às vezes eu cuido dela e ele limpa, às vezes ele cuida e eu limpo.

 

 

Como funcionam as finanças?

 

Olha, isso é muito particular de casal para casal. Nós dois trabalhamos, e uma parte do dinheiro e gente gasta com o que quiser, outra parte nós pagamos contas, fazemos compras e decidimos como gastar juntos. Cada um tem sua conta no banco, mas o cartão de crédito é usado para as necessidades dos dois, então sempre consultamos um ao outro quando precisamos recorrer a essa modalidade de pagamento. A gente não precisa pedir permissão pra gastar com o que quer, mas também não somos egoístas com gastos pessoais.

 

 

foto: arquivo pessoal

 

Quem cuida do bebê?

 

Eu seria injusta se dissesse que ele não cuida nada, mas também estaria mentindo se dissesse que há uma divisão justa nesse quesito. Ele dá banho, troca fralda, fica com nossa filha, mas tudo quando eu peço. Com a maioria das mulheres casadas e mães feministas que eu conheço também é assim. Todo mundo fala do tal “instinto de mãe”, mas infelizmente não rola um instinto de pai. Eu sinceramente não sei dizer se é algo social ou biológico, visto que em muitas espécies é comum a mãe ficar cuidando exclusivamente dos filhotes e o pai não estar nem aí (kkkk to rindo mas é sério).

 

 

Como é o ciúme e como lidam com as redes sociais?

 

Eu particularmente casei com um homem que eu confio e admiro, e que confia em mim e me admira, então nunca tivemos problemas com isso. Apesar de não termos segredos, temos sim um pouco de privacidade. Nunca mexemos no celular um do outro, mas se for necessário, temos livre acesso. Sabemos as senhas um do outro, mas nunca olhamos nada sem permissão. Isso é respeito e confiança, vai de relacionamento pra relacionamento. Ele nunca criticou nenhuma roupa minha, nunca teve ciúme de nenhum amigo, nunca invadiu meu espaço, e acredito que a recíproca seja verdadeira.

 

 

Você abdicou do seus desejos pessoais e profissionais por causa do casamento?

 

Não. Quando decidi formar uma família, meus objetivos foram mudando ao longo do tempo, mas prezo muito pela minha carreira profissional, por isso me casei com um homem que respeita e admira isso, e sempre me incentiva a conquistar meus sonhos e metas. É difícil dizer que tenho “desejos pessoais” porque a maioria das coisas grandes que sonho em fazer, quero meu marido e minha filha comigo, mas nas poucas necessidades pessoais que tenho, como cuidar do meu corpo, do meu visual e da minha sanidade mental, trabalhar e crescer no meu trabalho, etc… Ele me ajuda no que pode, compreende e respeita, então não precisei abrir mão dessas coisas.

 

 

E as brigas?

 

Nenhum casamento é perfeito, então lógico que brigamos, mas nunca, jamais, em tempo algum, na frente dos outros. Sempre esperamos o momento certo e nunca nos desrespeitamos com xingamentos ou agressões de nenhum tipo. Como homem criado em uma sociedade machista e eu mulher criada em um ambiente feminista, lógico que temos embates às vezes, e eu sempre aponto o machismo dele quando há, e ele geralmente escuta e reflete sobre o que eu disse.

 

 

 

Como vocês podem ver, é um relacionamento normal, saudável, respeitoso e parceiro. Por ser feminista, eu não odeio os homens e não odeio o casamento, o que odeio é a ideia de que só por ter uma vagina a mulher é quem deve limpar, fazer comida e educar os filhos, abdicando de seus sonhos e desejos enquanto o homem prospera e conquista o mundo em seu infinito tempo livre. Para que uma relação entre uma feminista e um homem dê certo, basta que ele deixe o machismo de lado, seja respeitoso e companheiro, e pense não só nas necessidades e na felicidade dele mesmo, mas na de sua companheira também. Não existe chefe e subordinado. Não existe “papel de homem” e “papel de mulher”. Existem duas pessoas que se amam, se ajudam, se respeitam e sonham juntas. Não acho que precise ser feminista pra querer isso. E vocês?

ESCRITO POR

Luma Mattos

DEIXE UM COMENTÁRIO

2

“Moço, fecha essa perna”: Sobre ser mulher no transporte público

As moças proletárias do meu Brasil certamente já se depararam com o infortúnio de sentar ao lado de algum homem que não só ocupa a cadeira em que está, como também boa parte da cadeira ao lado. A maioria deles não se acanha quando alguma mulher senta ao seu lado e segue lá, com as pernas arreganhadas e confortáveis. Locomovo-me por meio de ônibus pelo menos 2 vezes ao dia de segunda à sexta-feira, logo, utilizo aqui com propriedade os dados empíricos de minha rotina.
 
Durante muito tempo me questionei:
 
– Será que eles possuem bolas de cristal?
– Será que eles estão ocultando algum objeto quebrável entre a virilha e, por isso, não pode fechar as pernas?
– Será que eles pagaram uma passagem pra eles e outra para as bolas e, por isso, podem ocupar dois lugares?
– Será que são espaçosos, folgados e sem noção?

Alguns podem alegar que homens possuem testículos e é impossível sentar com as pernas fechadas quando se é um portador de bolas. Mas, para concluir que isso está longe de ser uma justificativa plausível, basta observar o que milagrosamente acontece com esses homens quando outro sacudo senta ao lado: Mais que rapidamente as pernas milagrosamente se fecham, afinal, nenhum dos dois quer ficar roçando a perna em outro moço, né.

Considerando a falta de educação, noção e senso coletivo desses queridos, Madri lançou uma campanha de conscientização para os homens “fecharem as pernas” no transporte público. Por meio de um comunicado, a Empresa Municipal de Transportes de Madrid disse que o objetivo das placas foi alertar os passageiros do sexo masculino acerca da “necessidade de manter o comportamento cívico e respeitar o espaço de todos a bordo do ônibus”.
 
Em 2014, a autoridade responsável pelo transporte metropolitano de Nova York também lançou uma iniciativa similar ao espalhar placas no metrô da cidade que diziam: “Cara…pare de abrir as pernas, por favor”. A cidade americana da Filadélfia também iniciou a campanha “Cara, isso é rude”, enquanto o departamento de transportes de Seattle pendurou placas que mostravam um polvo espalhando seus tentáculos nos assentos próximos.
 

Eu quando sento ao lado de homem espaçoso.


 

Desde cedo as meninas são ensinadas a cultivar posturas retraídas: “Senta igual uma mocinha”, “mocinha tem modos”, “mocinha não faz falta de educação”. O mesmo não ocorre aos meninos. Sendo assim, podemos refletir além do fato de que se tratam de homens mal educados e espaçosos, pontuando que tal questão também envolve relações de poder e corporeidade. A maioria dos homens naturalmente se sentem a vontade para serem espaçosos, mesmo que inconscientemente. Eu realmente acredito que muitos não o façam de propósito, visando prejudicar ou invadir o espaço do outro, daí a importância de campanhas de conscientização como essa. Talvez, a maioria deles sequer tenha se dado conta desse hábito um tanto inconveniente para quem está ao lado.
 
Vamos ajudar a alertá-los?

ESCRITO POR

Daniele Fabre

DEIXE UM COMENTÁRIO

0

6 coisas que podem aliviar a ansiedade

 

Eu era uma pessoa tão ansiosa, mas tão ansiosa, que só de pensar em escrever esse post eu já estaria nervosa! Eu era ansiosa no nível de perder sono, mãos suadas, gastrite, problemas emocionais e até vomitar de ansiedade eu vomitava. Era horrível, porque qualquer coisa se tornava um sufoco. Qualquer possibilidade futura se tornava um problemão no presente. O pior de tudo é que a maioria dessas “possibilidades futuras” simplesmente não aconteciam. Eu fazia uma novela mexicana na minha cabeça e sofria (mesmo) por algo que só existia ou na minha imaginação ou num futuro tão distante que o cenário todo seria completamente diferente. Hoje em dia eu continuo me considerando uma pessoa ansiosa (quem não é nesse planeta doidão, né?), mas aquela Olga que quase tinha um filho por qualquer coisa definitivamente sumiu. Meu nível de ansiedade atual pode ser considerado dentro de padrões aceitáveis e quando eu percebo que tô beirando a piração, eu paro, respiro, me dou uns tapas na cara e tento voltar pro centro. Esse caminho não é fácil e nem é de um dia pro outro. Eu devo ter levado uns 3 anos trabalhando de forma natural e orgânica para melhorar meu quadro de ansiedade. Mas mesmo assim, resolvi compartilhar 5 coisinhas simples que me ajudaram MUITO nesse processo. Quem sabe também não ajuda alguém, né? Tudo vai parecer meio tosco e óbvio, mas é assim mesmo.

 

1) NÃO CRIE SITUAÇÕES QUE AINDA NÃO ACONTECERAM

Eu sei que pra um ansioso isso soa até ridículo, mas é verdade. Toda vez que você se pegar pensando em como resolver um problema que ainda não apareceu, em como se virar numa situação que ainda não aconteceu, etc. para, fale pra você mesmo que isso não faz o menor sentido porque você não chegou lá ainda e não tem como saber se vai ser assim como você imagina.

 

2) NÃO SOFRA POR ANTECIPAÇÃO 

 

Quantas vezes o ansioso sofre por antecipação? Sempre! Seja alguma coisa que vai acontecer daqui a 1 dia ou daqui a 80 anos. Como eu disse lá em cima, eu ainda me considero ansiosa. Se eu tenho algo mais sério pra fazer (trabalho, reunião, etc) fico ansiosa, mas mesmo assim não me permito que isso me domine. Nosso cérebro é tão poderoso! Se soubermos controlar um pouquinho nosso pensamento, já estamos em vantagem. Basta você lembrar: quantas vezes que você sofreu por antecipação, chegou lá no motivo do sofrimento e foi totalmente diferente? Seja porque não aconteceu, seja porque não foi tão ruim quanto imaginou, seja porque você conseguiu passar por aquilo? Quem somos hoje é diferente do que seremos amanhã. Seu eu de hoje vai encarar determinadas situações de outra forma. Quem sofre é seu eu de hoje. Não vale a pena.

 

3) MEDITAÇÃO E EXERCÍCIOS DE RESPIRAÇÃO 

 

Acho que o que mais me ajudou a encarar a ansiedade foi meditação e exercícios diários de respiração. Junto com essas práticas, a gente lê um monte de coisas, vê um monte de vídeos, fala com um monte de pessoas e vai trocando e aprendendo sobre uma vida mais leve, sobre o poder das palavras sobre a mente, sobre a importância de estarmos em harmonia espiritual. Definitivamente, esse ponto foi importantíssimo pra mim, pois me fez enxergar que me tratar mal, me cobrar, me adoecer com pensamentos frágeis e inexistentes é um mal que faço a mim mesma e a quem está em minha volta.

 

4) ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA E EXERCÍCIO FÍSICO

 

 

Assim como a meditação e respiração são importantes pra cuidar da mente, comer melhor é essencial também. O que colocamos pra dentro de nós é muito importante, pois é o que nos alimenta, coloca o corpo e mente pra funcionar, equilibra taxas. Muitas vezes, problemas como a ansiedade podem ser causados por fatores biológicos, como a falta de enzimas, aminoácidos, hormônios. TUDO tem na comida. Eu prefiro tentar a cura naturalmente antes de usar qualquer remédio mais brabo para questões assim. Eu sei que é muito difícil conseguir ingerir tudo o que precisamos. Eu mesma uso complementos vitamínicos no dia a dia. Mas procurar um/a médico/a pra dar uma olhada nas suas taxas metabólicas e um/a nutricionista pra pensar numa dieta bacana pode ajudar muito. Dieta não no sentido de emagrecimento e sim no sentido de ser o que você está ingerindo. Cortar açúcar e gordura em excesso, evitar ultraprocessados, enlatados, e por ai vai. A ingestão de alimentos do tipo fazem muito mal, desequilibram nosso organismo e prejudica nosso bem-estar como um todo. Para quem sofre de ansiedade, comer mal piora demais! “Nossa mas quando tô ansiosa, preciso de um chocolate”. Sim, porque açúcar é vício. É um processo químico de dependência. Cortar isso não é fácil, mas devemos tentar. Exercício físico eu nem preciso falar muito: fazer alguma atividade é essencial para ajudar no combate a ansiedade e no bom funcionamento do organismo como um todo.

 

5) SABER – DE VERDADE – QUE A GENTE NÃO CONTROLA NADA 

 

Quando a gente se dá conta real oficial disso a vida muda. Eu sou uma pessoa super pé no chão, penso mil vezes antes de fazer qualquer coisa, tento controlar tudo. Mas hoje em dia, faço isso de uma maneira mais leve. Porque eu cansei de me matar de planejar e na hora H, PÁ! Tudo mudar. Aí são dois sofrimentos: antes e quando acontece. Quer saber? Vamos sofrer uma vez só? Ou nem sofrer? Atualmente, continuo planejando mas sempre tendo em mente que eu não controlo nada. Mais vale a gente se preparar para lidar com as mudanças do que focar num caminho único, sofrer por ele, e bater cabeça.

 

6) FAÇA LISTAS QUE VOCÊ É CAPAZ DE CUMPRIR 

 

Eu sou uma pessoa de listas. Faço lista pra tudo! Geralmente, ansiosos fazem isso. Seja no papel, no computador ou na cabeça. Antigamente, eu fazia umas listas diárias gigantes. No fim do dia, eu só tinha riscado metade das tarefas (que já era coisa pra caramba) e me odiava por não conseguir fazer tudo ou deixava minha ansiedade a mil pensando que acumulei função. O que melhora isso é fazer listas possíveis, com coisas que realmente são viáveis naquele período de tempo. Sempre que minha lista tá ficando gigante eu paro imediatamente e distribuo as tarefas em outros dias. É muito bom e ajuda bastante.

 

Esses foram alguns pontos rápidos que me ajudaram a combater a ansiedade e lidar melhor com ela. Cada um desses pontos levou uns 100 anos pra eu desenvolver bem hahahaha e tô desenvolvendo ainda! Então não se culpe se não conseguir de primeira, muito menos tente mudar tudo de uma vez. Não vai dar certo. Dê um tempo a você mesma, se conheça, se curta, abrace seus defeitos, inicie o processo de melhora com cuidado e tranquilidade. Lembrando que eu não sou médica! Existem casos de ansiedade severíssimos, que são clínicos, e merecem um acompanhamento profissional. Estou relatando minha experiência. Cada caso é um caso.

ESCRITO POR

Olga Bon

DEIXE UM COMENTÁRIO

0

Ted Mosby em: homens que não gostamos

(O texto está repleto de spoilers. Se ainda não terminou de assistir, não leia.)
 

Eu ADOREI How I Met Your Mother mesmo com o controverso desfecho da série, que desagradou muita gente. Ao longo das 9 temporadas acompanhamos a evolução de um grupo de amigos e seus relacionamentos, com ênfase na trajetória de Ted Mosby e a história de como ele conheceu a mãe de seus dois filhos (o episódio piloto mostra ele no futuro iniciando o relato para os rebentos adolescentes). Pois bem. Dito isso, dia desses passou em minha timeline um post cujo título era: “TED MOSBY OU ROSS GELLER: QUEM É O HOMEM PERFEITO?”.

 

SOCORRO!! Esses dois são extremamente insuportáveis e estão BEM LONGE da perfeição. Como a Flávia já fez esse maravilhoso post abrindo os olhos da sociedade acerca de Ross Geller, hoje farei a advogada do diabo e apontarei umas verdades sobre Ted Mosby.

– Logo na primeira temporada já conseguimos perceber que Ted é mimado e acha que o mundo deve girar em torno de sua busca pelo grande amor. Ele demonstra ser o tipo de homem que eu, particularmente, detesto: O que se acha especial, sensível, diferente de todos e, por isso, quem ele deseja tem praticamente uma OBRIGAÇÃO MORAL de correspondê-lo. Ousou não querer o sensível e perfeito Ted Mosby? Prepare-se para ser considerada uma vaca sem sentimentos que valoriza cafajestes (tipo o Barney) ou só pensa na vida profissional (tipo a Robin) enquanto despreza os caras legais.

 

– Ted não apoiou e foi incapaz de participar e ficar feliz com o segundo casamento de sua Mãe, afinal, que absurdo ela ser feliz no amor enquanto ele ainda estava à procura, né.

 

– Ted, o bom moço, traiu a Victoria com a Robin. Mesmo sendo esse ser humano querido, sensível e diferenciado, Ted simultaneamente mentiu para conseguir ficar com a Robin e enganou a namorada que estava morando em outro país.

– Tempos depois, Ted incentivou Vitoria fugir no dia do casamento dela, para, meses depois, MAIS UMA VEZ, concluir que não era ela a tal mulher da vida dele.

 

– Ted não hesitou em continuar investindo sentimentalmente na Robin mesmo após ela ficar com Barney. Prova disso foi o episódio em que ela procura o medalhão às vésperas do casamento com Barney e ele, o prestativo Ted, vai lá ajudá-la e rola aqueeeele climão presenciado pelo noivo.

Antes que você pense “Por que não fazer esse tipo de post para o Barney?”, eu respondo: O Barney pelo menos foi transparente em relação ao fato de que ele era um sem vergonha e não queria um relacionamento. Barney não é o tipo que as moças ficam “ain, ele é perfeito”, Barney não é uma propaganda enganosa. Já Ted e seu discurso de quero uma esposa e filhos faz com que muitas o considerem o homem dos sonhos, quando na realidade não é bem assim. Bom, pelo menos ele não foi um “homem dos sonhos” para as inúmeras mulheres que ele envolveu para posteriormente concluir que, bem… ele quer tentar a Robin mais uma vezinha!

 

Claro que tudo isso não o torna o monstro. Ted possui seus bons momentos e é um excelente amigo! Todos somos imperfeitos e estamos sujeitos a fazer uma ou outra cagada no campo amoroso, mas não dá pra não comentar as incoerências e vacilos desse personagem que está longe de ser o mocinho perfeito que muitos defendem.

 
E aí!? Lembram de mais algum personagem que todas amam e você detesta?

ESCRITO POR

Daniele Fabre

DEIXE UM COMENTÁRIO

0

O brilho das mulheres de GLOW

Alguém pare a menina Netflix!! Todo dia é série, filme, produção original diferente e só procrastinando muito para conseguir acompanhar tudo. Aproveitando esses lindos dias de recesso escolar, resolvi fazer jus à mensalidade e parei para maratonar algumas séries. Uma delas foi GLOW, novíssima série original da Netflix.

 

Lá vai um resumo sem spoilers para vocês pegarem a ideia: GLOW é a sigla para Gorgeous Ladies of Wrestling (ou garotas lindas lutando). Um diretor com a autoestima lá embaixo recruta mulheres de todos os tipos, muitas nem atrizes e nem atletas são, para um programa de luta livre feminina. Entre as escolhidas, temos Ruth Wilder, uma atriz frustrada e insegura que não consegue papel algum e resolve encarar o desafio. Ruth e mais 13 mulheres lutam juntas (literalmente) para fazer o projeto sair do papel, passando por vários dramas e problemas pessoais.

 

 

O grupo de mulheres é, como vocês devem imaginar, bem heterogêneo. Todas são diferentes e vêm de lugares diferentes, com histórias diferentes. O interessante dessa série é que as distinções entre elas ficam claras ao longo dos episódios e vamos descobrindo, juntas, suas características. Não existe aquele vai e vem, comum em algumas séries, para explicar a origem da personagem tal, e isso me chamou atenção.  GLOW é uma série de comédia dramática. Às vezes consegue ser engraçadinha mesmo, mas consegue ser dramática o tempo todo. Existe sempre uma tensão com alguma das personagens e acaba sendo impossível não se apegar a uma delas. Até com diretor, Sam, a gente consegue sentir alguma empatia.

 

A série se passa nos anos 80 e isso é um ponto positivo por motivos de: figurino e trilha sonora. Muito brilho (glow rs), collants, cabelos cheios de spray e músicas ótimas e animadas. A caracterização não ficou estereotipada, mas podem esperar porque ainda vou falar sobre estereótipos por aqui.

 

 

Quando acabei de assistir ao último episódio, fiquei um tempinho olhando para o teto tentando refletir sobre o que assisti. Confesso que GLOW parece ser meio bobinho, as lutas são toscas e é preciso um olhar mais profundo para realmente chegar a uma interpretação. Para quem assiste despretensiosamente, GLOW pode parecer mais uma série ok para ser assistida durante o intervalo de um Game of Thrones da vida, mas há uma bela mensagem por trás dos 10 episódios da primeira temporada.

 

O tema de mulheres lutando entre si não é tão imaginário assim, né? O que mais vemos é rivalização feminina, sempre tendo de haver uma inimiga. Mulheres se rivalizam por motivos pequenos e crescemos acreditando que é normal, que mulher é falsa, que é melhor ser amiga de homem. Contudo, ao longo dos anos descobrimos que isso não é verdade. Mulheres são as únicas que podem se entender e se proteger. E é exatamente isso que acontece em GLOW.

 

 

Todas ali disputam por uma vaga no programa, depois pela melhor personagem, etc. Há intrigas e desavenças no início, mas ao decorrer da série, a convivência as transforma em amigas que se unem e aprendem a lidar com as diferenças. As mulheres na série passam a se defender, até uma festa de aniversário para a mais deslocada elas fazem. São detalhes, casos sutis que transformam GLOW em uma série que mostra a importância da união feminina.

 

Vocês lembram quando eu falei de estereótipos? Nessa série há muitos. As personagens das lutadoras são baseadas neles (União Soviética vilã x EUA heróis, uma menina indiana caracterizada como terrorista árabe, uma menina do Camboja caracterizada como chinesa, etc). Todas são escolhas do diretor, que muitas vezes é insensível e machista. Mesmo assim, as mulheres têm, sim, consciência. Precisam acatar ordens, mas se incomodam, discutem entre si sobre os temas e vemos que elas sabem muito bem o que acham certo ou errado, mas acabam abaixando a cabeça. A voz das mulheres é silenciada ali, mesmo elas estando em maior número e sabendo que algo não está certo, e vi isso como uma grande crítica, assim como os usos dos estereótipos.

 

Meu único adendo é que essa crítica pode acabar ficando escondida por trás dos dramas das personagens, da rivalidade que acaba existindo entre Ruth e sua melhor amiga Debbie, ou até mesmo da leve comédia da série. Lendo algumas críticas, encontrei uma que falava mais ou menos sobre isso. Nos comentários, só havia defesa pela série, que essas queixas eram infundadas, que não era esse o sentido. Adivinhem de quem era TODOS os comentários? Sim, de homens.

 

 

Essa vida de problematização é muito cansativa, principalmente quando tentam silenciar sua voz no momento em que você expõe algo que te incomoda. Em GLOW isso acontece, nos comentários sobre a série isso acontece, na escola/faculdade/emprego isso acontece, no mercado isso acontece… Enfim, estamos constantemente sendo silenciadas, rivalizadas e estereotipadas, mas a lição que eu tiro disso tudo é: se unam. A união de mulheres assusta mais do que a luta entre elas.

 

ESCRITO POR

Flávia Muniz

DEIXE UM COMENTÁRIO

0