Diva mas sem Frescura

10 motivos para assistir RuPaul’s Drag Race

Graças ao bom Deus as drag queens estão em alta nos últimos tempos e temos visto até Pablo Vittar e Lorelay Fox arrasando no cenário nacional aparecendo na TV aberta. Já no cenário internacional, temos visto uma onda de Drags super famosas como Alaska, Chad Michaels, Latrice Royale, Sharon Needles e muitas outras, e tudo graças ao reality show RuPaul’s Drag Race.

 

Se você conhece, provavelmente ama, se não conhece, calma, eu explico: o reality é apresentado pela drag RuPaul, e funciona assim: 13 ou 14 participantes que já são drag queens, e elas passam por um mini desafio e um desafio principal toda semana. Após serem julgadas, as duas piores precisam fazer uma performance de dublagem e quem perder, volta pra casa. Os desafios envolvem múltiplos talentos: costurar, atuar, cantar, dublar, fazer piadas, dançar, fazer ensaios fotográficos e muitas outras coisas, cada um mais criativo que o outro.  E por que você deveria assistir? Vamos aos motivos:

 

1- Porque é muito engraçado

 

 

 

Drag queens são artistas, e a grande maioria delas leva a vida de forma muito bem humorada, sabendo relevar desentendimentos e brigas OU NÃO meu amô, e daí acabam criando altos barracos que depois de um tempo acabam sendo esquecidos ou se tornando motivo de piada. Elas falam alto, zombam umas das outras e inclusive de si mesmas. Além disso, as provas de atuação, teatro, stand up comedy ou musicais são riso garantido. Fora que sempre tem drags que são engraçadas só de respirar: Alaska, Alyssa Edwards, Shangela, Bob the Drag Queen, Bianca del Rio: o que não falta são comedy queens pra matar a gente de rir!

 

2- Porque explica o trabalho das Drags

 

RuPaul e as vencedoras das 7 primeiras temporadas

 

Kim Chi

 

Sharon Needles

 

Muita gente acha que ser drag é apenas ser homem e se vestir de mulher, mas não: as drags muitas vezes trabalham a parte estética sim, e podem criar personagens muito diferentes como Kim Chi, Sharon Needles e Sasha Velour, mas além de roupa e maquiagem, elas dublam, atuam, dançam, costuram, fazem Stand Up comedy, desfilam e até cantam se for preciso! Assistir o programa mostra como as drags são talentosas e merecem reconhecimento pelo trabalho que fazem.

 

3- Porque ajuda a eliminar preconceitos

 

 

Várias vezes meu marido assistiu junto comigo e no começo ele reclamava, dizendo: “não acredito que você ta assistindo isso”, depois de alguns episódios ele começou a dizer “caramba que legal” até que na última temporada ele acompanhou tudo comigo. Hoje em dia, ele declara sua admiração por esse trabalho incrível das drags e derrubou todos os preconceitos que ele tinha, e isso é algo muito legal de se ver. A gente acaba sentindo que está entrando no mundo das drags – e adorando isso!

 

4- Porque tem gírias maravilhosas

 

 

Sasha away? Charisma, uniqueness, nerve and talent? Jogar um shade? Aguentar a T? Untuck? Pra saber o que é isso tudo, só acompanhando a série. Queria muito que todo mundo assistisse pra eu poder usar o vocabulário RuPauliano na minha vida todos os dias e ser compreendida. Amo! Vamos combinar que seja em inglês ou em português, as melhores gírias saem do meio LGBT, né non?

 

5- Porque tem música boa

 

Naomi Smalls

 

RuPaul, uma das drags mais famosas do mundo, é cantor e toda temporada tem uma música dele sendo lançada. Sou suspeita pra falar porque tenho todas no meu Spotify, inclusive faço performances no banho e até no meio da rua se começar a tocar kkkk.

 

6- Porque sempre tem convidados legais

 

 

Latoya Jackson, Khloé Kardashian, e na nona temporada, ninguém menos que LADY GAGA! Toda temporada tem convidados super legais que muitas vezes nem são famosos aqui no Brasil, mas que dão um toque legal ao programa e também dicas profissionais para as drags, pois muitas vezes diretores, atrizes, cantores, coreógrafos e fotógrafos participam como convidados e jurados.

 

 7- Porque causa empatia

 

Carmen Carrera se declarou mulher trans após o programa

 

Entre um desafio e outro, as drags saem um pouco de seus personagens e acabam desabafando sobre suas vidas: como foi a infância e adolescência sendo gay, as dificuldades que passaram na escola e no meio familiar, o início da carreira drag e como foi a reação das pessoas, e contam um pouco sobre a vida delas. Duas drags inclusive revelaram durante o programa que eram mulheres trans, e foi super emocionante. Toda essa abertura emocional causa muita empatia porque nós, que não passamos pelas mesmas coisas, vemos o quanto é difícil não ser o que a sociedade espera e nos tornamos mais compreensivos e solidários com a comunidade LGBT.

 

8- Porque quebra estereótipos de gênero

 

 

 

Várias temporadas tiveram um desafio principal em que as drags deveriam transformar um homem hétero e todo machão em drag também, e os resultados são incríveis! Ao contrário do que os hetero topzera podem pensar, é preciso ser muito homem pra se vestir de mulher, andar de salto, se maquiar e usar peruca! Um convidado estava com tanto medo das zoações que sofreria por seus colegas de time (ele era jogador de basquete), que começou a vomitar depois de desfilar como drag. Em uma das temporadas, agora não me lembro qual, a equipe de filmagem de RuPaul participou e vários ali são casados e tem filhos. Nenhum deles teve vergonha e inclusive deram lindas declarações de como filmar o programa mudou a visão deles sobre as drags, e como eles as admiravam por tudo.

 

9- Porque tem divas drag

 

 

Derick Barry é cover de Britney em L.A.

 

Lil Kenya Michaels

 

Valentina

 

Tyra Sanchez

 

Farrah Moan

 

Beyoncé, Rihanna, J. Lo? Pode esquecer as divas pop! Temos várias drags maravilhosamente divas que deixam a gente com inveja e com vontade de ser drag também. Tem várias pra se admirar a beleza: Tyra Sanchez, Lil Kenya Michaels, Farrah Moan, Trinity Taylor, Kimora Black, Peppermint, Gia Gunn e  muitas outras que com certeza estou esquecendo agora…

 

10- Porque os looks da RuPaul são maravilhosos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu simplesmente quero ser a RuPaul. gente, que drag maravilhosa! Inclusive vou falar pra vocês que tô planejando meu aniversário de 30 anos (daqui a 3 anos kkkk) e quero festa temática do programa, em que logicamente entrarei vestida de RuPaul tocando Cover  girl ao fundo. Obrigada de nada.

 

E aí, gostou? Se quiser assistir comenta com a gente depois!! Vamos fofocar sobre tudooo!!

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Luma Mattos

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Feminismo e o casamento: opostos ou não?

Assim que eu anunciei que iria me casar, algumas pessoas me questionaram sobre o “meu feminismo”, e vejo que em 2017 muita gente ainda entende que ser feminista é ser contra o casamento. Resolvi fazer esse post pra contar um pouco pra vocês sobre a vida de feminista casada, e espero que todos os leitores possam ver que é uma coisa completamente normal.

 

 

Quem é que manda: você ou ele?

 

Bom, como não somos funcionários um do outro, ninguém manda em ninguém e nem em nada. Nós dois entendemos o casamento como uma parceria, então nós nos ajudamos sempre, conversamos, tomamos decisões juntos sobre tudo: quem vai limpar o que, quem cozinha e quem lava a louça, o que vamos fazer com nosso dinheiro e o que vamos comprar no mercado. Tudo é decidido mediante um acordo em que ambos saiam felizes e satisfeitos.

 

 

Você bota o seu marido pra fazer faxina? Uau.

 

Eu não boto ele pra fazer faxina porque como qualquer ser humano que preze uma condição mínima de higiene pra viver, ele limpa a casa quando vê que ela precisa de limpeza, e não por tirania minha. (Obs: homem nenhum merece um prêmio por isso). Nós geralmente fazemos uma permuta: ele odeia lavar a louça, então eu lavo. Eu odeio lavar o banheiro, então ele lava. E assim vai. Como sou professora e ele tatuador, às vezes precisamos trabalhar no final de semana, e então um dos dois limpa sozinho mesmo. E como temos uma bebê de 3 meses, às vezes eu cuido dela e ele limpa, às vezes ele cuida e eu limpo.

 

 

Como funcionam as finanças?

 

Olha, isso é muito particular de casal para casal. Nós dois trabalhamos, e uma parte do dinheiro e gente gasta com o que quiser, outra parte nós pagamos contas, fazemos compras e decidimos como gastar juntos. Cada um tem sua conta no banco, mas o cartão de crédito é usado para as necessidades dos dois, então sempre consultamos um ao outro quando precisamos recorrer a essa modalidade de pagamento. A gente não precisa pedir permissão pra gastar com o que quer, mas também não somos egoístas com gastos pessoais.

 

 

foto: arquivo pessoal

 

Quem cuida do bebê?

 

Eu seria injusta se dissesse que ele não cuida nada, mas também estaria mentindo se dissesse que há uma divisão justa nesse quesito. Ele dá banho, troca fralda, fica com nossa filha, mas tudo quando eu peço. Com a maioria das mulheres casadas e mães feministas que eu conheço também é assim. Todo mundo fala do tal “instinto de mãe”, mas infelizmente não rola um instinto de pai. Eu sinceramente não sei dizer se é algo social ou biológico, visto que em muitas espécies é comum a mãe ficar cuidando exclusivamente dos filhotes e o pai não estar nem aí (kkkk to rindo mas é sério).

 

 

Como é o ciúme e como lidam com as redes sociais?

 

Eu particularmente casei com um homem que eu confio e admiro, e que confia em mim e me admira, então nunca tivemos problemas com isso. Apesar de não termos segredos, temos sim um pouco de privacidade. Nunca mexemos no celular um do outro, mas se for necessário, temos livre acesso. Sabemos as senhas um do outro, mas nunca olhamos nada sem permissão. Isso é respeito e confiança, vai de relacionamento pra relacionamento. Ele nunca criticou nenhuma roupa minha, nunca teve ciúme de nenhum amigo, nunca invadiu meu espaço, e acredito que a recíproca seja verdadeira.

 

 

Você abdicou do seus desejos pessoais e profissionais por causa do casamento?

 

Não. Quando decidi formar uma família, meus objetivos foram mudando ao longo do tempo, mas prezo muito pela minha carreira profissional, por isso me casei com um homem que respeita e admira isso, e sempre me incentiva a conquistar meus sonhos e metas. É difícil dizer que tenho “desejos pessoais” porque a maioria das coisas grandes que sonho em fazer, quero meu marido e minha filha comigo, mas nas poucas necessidades pessoais que tenho, como cuidar do meu corpo, do meu visual e da minha sanidade mental, trabalhar e crescer no meu trabalho, etc… Ele me ajuda no que pode, compreende e respeita, então não precisei abrir mão dessas coisas.

 

 

E as brigas?

 

Nenhum casamento é perfeito, então lógico que brigamos, mas nunca, jamais, em tempo algum, na frente dos outros. Sempre esperamos o momento certo e nunca nos desrespeitamos com xingamentos ou agressões de nenhum tipo. Como homem criado em uma sociedade machista e eu mulher criada em um ambiente feminista, lógico que temos embates às vezes, e eu sempre aponto o machismo dele quando há, e ele geralmente escuta e reflete sobre o que eu disse.

 

 

 

Como vocês podem ver, é um relacionamento normal, saudável, respeitoso e parceiro. Por ser feminista, eu não odeio os homens e não odeio o casamento, o que odeio é a ideia de que só por ter uma vagina a mulher é quem deve limpar, fazer comida e educar os filhos, abdicando de seus sonhos e desejos enquanto o homem prospera e conquista o mundo em seu infinito tempo livre. Para que uma relação entre uma feminista e um homem dê certo, basta que ele deixe o machismo de lado, seja respeitoso e companheiro, e pense não só nas necessidades e na felicidade dele mesmo, mas na de sua companheira também. Não existe chefe e subordinado. Não existe “papel de homem” e “papel de mulher”. Existem duas pessoas que se amam, se ajudam, se respeitam e sonham juntas. Não acho que precise ser feminista pra querer isso. E vocês?

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Luma Mattos

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A força das mulheres de Game of Thrones

Diferentemente da nossa série “homens que não gostamos”, nos pediram pra fazer post sobre personagens de Game of Thrones e a primeira coisa que me ocorreu foi falar sobre as mulheres. Elas são todas fortes, inteligentes, não ficam sofrendo por macho como na grande maioria das séries, filmes e novelas, e tem planos grandiosos como conquistar os sete reinos ou matar todos os inimigos para vingar a morte da sua família. É possível admirar algo em todas, é incrível. Vamos à elas:
 

Missandei

 

 

Missandei até o momento é uma grande aliada de Daenerys e se não fosse por ela, a loirinha provavelmente não teria conseguido juntar seu exército de imaculados. Inteligente e séria, acredito que Missandei ainda vai surpreender por causa da carinha de boazinha. Se fosse tão boazinha assim, não ajudaria a amiga nas mais diversas guerras e adversidades que acabam por matar várias pessoas. Apesar disso, é uma personagem do bem (até o momento pelo menos, porque em GoT nunca se sabe né…)

 

Melisandre

 

 

É verdade que ela é detestável? É. Que é cruel e sem coração? É. Que é uma louca fanática religiosa e bruxa no pior sentido da palavra? É. Mas, Melisandre é uma mulher extremamente esperta, não se  deixa levar por paixonites e está sempre se safando do pior graças à sua esperteza. Não é por isso que não estamos esperando ansiosamente pela hora em que ela vai se ferrar.

 

Daenerys

 

(AP Photo/HBO, Keith Bernstein)

 

Pra não gostar da Daenerys tem que se esforçar bastante. Maltratada pelo irmão babaca, Daenerys poderia ter ficado naquele sofrimento eterno quando foi forçada a se casar com  Khal Drogo, mas preferiu ser forte, seduzir o bofe e se tornar a Khaleesi do povo dele. Foi uma decisão realmente inteligente, pois ao invés de posar de vítima e ficar chorando as pitangas, Daeny foi à luta e resolveu tentar de tudo pra conquistar os sete reinos. A jornada dela é uma grande lição sobre autoconfiança, sobre acreditar em si mesma e não ficar dando moral pra macho. Sendo solteira, chove ome atrás dela, mas ela nunca fez deles mais do que uma possibilidade de saciar seus desejos sexuais. Muito esperta mesmo amiga, porque macho só dá problema e quer ficar cantando de galo.

 

Arya

 

 

Ela é outra difícil de não gostar. Tem que se esforçar bastante pra não achar ela uma garotinha incrível. Desde petiquinha já rejeitava o papel imposto ao gênero feminino e se recusou desde sempre a ser a mocinha indefesa que se casa e passa a vida agradando o marido, por isso vivia fugindo para aprender técnicas de luta e com isso acabou se virando. Sobreviveu ao pão que o diabo amassou, perdeu sua família, sua loba, seu aliado, foi espancada até dizer chega, e nem por isso ficou chorando as pitangas ou desistiu de viver, muito pelo contrário. Cada vez mais Arya está determinada a matar todo mundo que fez da vida dela um inferno, e ela tá mais do que certa mesmo. Vai que é tua, menina Arya!

 

Sansa

 

 

Nunca que eu imaginei fazer post e falar bem da Sansa. Ela foi muito trouxa por um bom tempo, muito aquele tipinho frágil que sofre na mão de homem (no caso dela nem foi por amá-los, coitada, foi por eles não deixarem ela em paz mesmo). Depois de se casar mais do que a Gretchen e nunca por opção própria, Sansa foi ficando cada vez mais espertinha e após sofrer tanto, se vingou deliciosamente da peste do Ramsay e desde então parece que a garota acordou pra vida! Sansa percebeu todo o seu potencial e deu uma guinada na sua história de menina injustiçada e sofrida, correndo atrás do que lhe pertencia e também buscando uma vingancinha, porque vamos combinar que é muito bom né? (pelo texto vocês já podem perceber que eu tenho sangue nos olhos né? kkk)

 

Cersei 

 

 

Vocês podem até estranhar, mas de todas ela é minha preferida. Cersei parece uma louca sem noção que teve 3 filhos do próprio irmão (arg), mas em seus raros momentos de fragilidade, Cersei mostra que no fundo é uma mulher que está e sempre esteve disposta a fazer de tudo pelo bem da família. Ela sempre quis o melhor para seus filhos e por isso a manutenção do poder de sua família era tão importante. Por erros em seus julgamentos e alianças, e também por criar filhos visando que eles fossem megalomaníacos, acabou perdendo tudo o que mais amava, e isso ensinou a ela uma grande lição. Maaaaaaaas, não é por isso que ela vai ficar chorando pitangas e ficar de luto eterno, né? Cersei é provavelmente a mulher mais forte de todas, manipuladora, estrategista, calculista e não deixa que nada a abale a ponto de perder a razão de viver. Ela nos dá uma grande lição sobre manter o foco e não enlouquecer apesar das circunstâncias, por piores que elas sejam, e muito menos desistir.

 

O que mais gosto na série é que os personagens são muito reais no sentido de que todos eles tem qualidades e defeitos, pontos bons e ruins. Todos tem a capacidade de mentir, de amar, de se vingar e de buscar seus objetivos, e o que diferencia as mulheres da série é que todas tem um papel crucial e um protagonismo indiscutível. Apesar de precisar dos homens para realizarem alianças que possibilitarão a conquista dos seus objetivos, elas não se subjugam a eles e nem deixam que eles as confundam. Todas elas quebram esse padrão novelístico e televisivo de mulher frágil, e não vou negar: amamos isso!

 

E você, quais as suas personagens preferidas? Conta pra gente!

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Luma Mattos

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Chester, suicídio e depressão

Todo mundo tem crises existenciais de tempos em tempos, e é muito comum nos perguntarmos “Deus, o que é que tá acontecendo?” ou então simplesmente concluímos que estamos infelizes. Depois do suicídio do Chester, vocalista da banda Linkin Park, eu fiquei pensando sobre essa questão: em algum ponto da vida a gente pode concluir que não apenas está, mas que É infeliz, e fiquei refletindo sobre como esse sentimento de fatalidade pode levar às pessoas a perderem toda a esperança a ponto de acabarem com suas próprias vidas.

 

Infelizmente, a depressão ainda não é levada a sério por muitas pessoas, que não entendem que é uma doença e que precisa de ajuda profissional, além de muito apoio e paciência de familiares e amigos. É muito difícil lidar com uma pessoa deprimida, porque o emocional dela vai além da tristeza, e no mundo de hoje estamos tão mergulhados nos nossos afazeres, nas nossas vontades, em nós mesmos, que não temos tempo ou paciência o suficiente para enfrentar os problemas de outra pessoa, não importa o quão querida ela seja.

 

O que eu quero dizer para você que está lendo esse texto e pode estar triste ou até mesmo deprimida, com pensamentos suicidas ou que envolvem morte, é o seguinte: pense em todos os momentos que você estava profundamente triste e superou. Pense em todas as dificuldades que você passou e que acabaram. Pense em quantos problemas você já resolveu, quantas pessoas já ajudou, quantas vezes você superou sua vontade de desistir e continuou? Eu posso não te conhecer, mas tenho certeza que foram muitos. Por mais que a gente acredite estar sozinho, nós não estamos. Você não está. Existem milhares de pessoas que você pode nunca ter visto na vida, mas que estão passando ou já passaram pelo mesmo que você, e são perfeitamente capazes de te entender e te ajudar. Não tenha medo ou vergonha de procurar ajuda, mesmo que seja no facebook, no instagram, neste blog, em vídeos do youtube, simplesmente compartilhe com alguém. Desabafe. Tenha coragem de ser vulnerável.

 

Além disso, é muito importante não se comparar com as outras pessoas. Pode parecer clichê, mas todo mundo passa por uma luta que não sabemos qual é. Todo mundo tem problemas. Todo mundo sofre. Mesmo que todos do seu círculo só mostrem vitórias, conquistas, momentos de felicidade. Meu pedido aqui é que você nunca compare sua vida, seus problemas, seus talentos, com a vida, os problemas e os talentos de outra pessoa. Podem existir milhões de mulheres lindas, isso não diminui a sua beleza. Podem existir milhões de jovens talentosos, isso não anula o seu talento. O sucesso de uma pessoa não é um parâmetro para o seu próprio sucesso. Você pode fechar os seus olhos e ter certeza de que é amada por alguém nesse mundo, de que é insubstituível e única, e se você nasceu, é porque só você, com toda a sua história, sua vida e suas características, é que poderiam preencher esse lugar no universo.

 

Tudo nessa vida é passageiro: a tristeza e a felicidade também. Os fracassos passam, os sucessos também. As conquistas passam, as perdas também. A dificuldade passa, e os momentos tranquilos também. E nessas passagens é que descobrimos mais sobre nós mesmas, sobre o que podemos suportar, sobre nossa capacidade de superação e de seguir em frente ainda que não superemos, sobre quem éramos, somos e seremos. Nunca se esqueça que um momento triste não é o fim. E que mesmo fins também são novos recomeços.

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Luma Mattos

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É muito mais fácil ser um bom pai do que uma boa mãe

Minha filha está no auge de seus dois meses, e nesse pouco tempo em que ela está, de fato, nesse mundão de meu Deus, pude sentir na pele tudo aquilo que eu já sabia: o mundo é cruel demais com as mulheres, mas em especial com as mães. Sempre ouvi dizer que o filho é mais da mãe, que mãe é mãe e que por melhor que seja o pai, nem se compara à mãe, mas no auge do meu amor pelo marido (eu ainda o amo, não me entendam mal), eu jurava que comigo seria diferente. Mas não é. Não coloco a culpa de toda a desigualdade na nossa divisão de tarefas nele, mas na sociedade que impossibilita uma divisão real de tarefas maternas e paternas.

Meu relato aqui é específico para o meu caso: sou mãe de primeira viagem, casada e minha filha mama exclusivamente no peito. Essas informações são relevantes pra entender que se tá ruim pra mim, a coisa é muito pior pra mulheres que não tem o apoio do pai do bebê e são mães solo.

 

 

Pra começo de conversa, mãe é mãe antes do pai ser pai. Pode parecer um extremismo, mas acredito que toda mulher que já engravidou sabe do que estou falando e provavelmente concorda. Durante a gestação, nós já cuidamos do bebê através do cuidado que temos com a nossa própria saúde. Eu sempre odiei dieta, mas pela Maya, eu fiz. Eu sempre amei refrigerante, mas pela Maya eu parei. Eu nunca fui chegada em vegetais, mas pela Maya, eu comi. Tudo o que nunca fiz por mim eu me esforcei pra fazer por ela, porque desde o momento em que caiu a minha ficha de que eu estava gerando um outro ser, meu corpo e alma se dedicaram a fazer isso da melhor maneira possível. Foram muitos enjoos, restrições alimentares, uma dificuldade muito grande de trabalhar com um barrigão em pleno verão, muito xixi, muito cansaço, muito sono, e mesmo assim continuei me esforçando, trabalhando muito e descansando pouco, estudando, fazendo tudo o que eu fazia antes mas com muita dificuldade (porque gravidez pode até não ser doença, mas nos dá várias limitações que somos obrigadas a superar para não sermos consideradas “frescas”).

 

Como nem só de sacrifícios vive uma grávida, cada interação com o pequeno ser que crescia dentro de mim me enchia de felicidade, me renovava, me deixava na ânsia de conhecer aquela pessoa que meu corpo estava formando. E parecia que ela estava tão ansiosa quanto eu. Para um homem, a ficha demora muito mais a cair. Mesmo que o pai do bebê fique ao seu lado e te apoie, o fato é que você sofre sozinha a montanha russa hormonal, as alterações de humor, a mudança nas necessidades físicas e psicológicas que o seu corpo sofre por conta do bebê. O pai só vem a ser pai depois do nascimento, mas a mãe é mãe desde o momento em que descobre e se dá conta de que precisa fazer alguns esforços para que aquela vida crescendo em seu interior vingue e nasça com saúde.

 

 

O machismo institucional: entende-se que cuidar do bebê é obrigação apenas da mãe

 

 

Pois bem, nasceu a criança. O pai? 5 dias de licença paternidade. A mãe? 120 dias. Eu não vou entrar no mérito da dor das contrações, que ultrapassam nosso limite do racional, e nem na dor do parto, nem dos pontos. Aliás vou sim. A gente tá lá, cheia de pontos, com a ppk aberta ou com a barriga, e mesmo assim a gente amamenta, dá banho, cuida, dá carinho. E a ajuda que recebemos? Um trilhão de palpites e críticas, e o próprio sentimento de que nosso esforço é vão e estamos fazendo tudo errado. As primeiras semanas pós parto são muito, muito, MUITO difíceis. Mais uma vez a montanha russa hormonal ataca novamente, e a tristeza que nos assola é constante. As alterações de humor lembram uma TPM bem pesada, mas se agravam com a responsabilidade cuidar de uma outra vida 100% dependente de você.

 

O primeiro desafio é conseguir amamentar, pois os bebês (ao contrário do que se imagina) não nascem sabendo. E as mulheres também não nascem sabendo amamentar. Pois bem: eu tentando aprender a amamentar e ela tentando aprender a mamar: foi muito choro, muita perda de peso e muita tristeza. Pensam que a família compreende? Não. Todo mundo se preocupa com o bebê, mas não com a mãe. Ninguém entende e considera que você agora sofre duplamente: por você e pelo bebê, que você provavelmente ama mais que tudo na sua vida. Eu não gosto de generalizar, mas é realmente muito comum que a maioria das mães sinta um amor avassalador por seus filhos. É um sentimento incomparável. Não amamos ninguém nesse mesmo nível, nem nossas próprias mães. Esse instinto de leoa nos faz ficar muitas vezes sem comer, sem tomar banho, sem ir ao banheiro, pra ficar com o bebê e garantir que ele está bem e feliz. Enquanto isso, o pai está junto com o resto de toda a família (as duas: a dele e a sua) te dando palpites e te criticando. É na melhor das intenções? É. Ajuda em alguma coisa? Só no aumento do seu sofrimento e da sua solidão.

 

 

 

A partir de agora, é você e o bebê. Só o bebê te entende e te perdoa. O que mais me ajudou foi o amor da minha filha. Seu bebê não se importa se você é inexperiente, se você não está cheirosa, se seu cabelo está feio, se você é inteligente, se você tem ensino médio, graduação, mestrado e doutorado, se você pesquisou muito ou nada, se você sabe ou não sabe trocar fraldas: você é a mãe, e ele te ama mais do que tudo e todos, assim como você o ama. O bebê pode ter pai, avós, tios, primos e o universo bajulando: se a mãe não estiver por perto, ele vai chorar e se sentir desprotegido. O bebê quer VOCÊ, mãe, perto. O bebê quer o SEU colo, o SEU carinho, quer ouvir a SUA voz. Não importa se você vai errar tentando descobrir os motivos do choro, ele te perdoa e quer estar ao seu lado 100% do tempo. Isso faz com que tudo perca a importância: você deixa de trabalhar, deixa suas necessidades de lado e vai cuidar do seu bebê e retribuir todo o amor e confiança que ele te dá.

 

 

 

O pai chegou do trabalho e fez o bebê rir, trocou 1 fralda (após você pedir, claro). Pronto. É um ótimo pai. Ajuda muito. Você abandonou seu trabalho, suas necessidades, fica horas sem banho, com fome, apertada pra ir ao banheiro, acordando de 3 em 3 horas pra amamentar, noites sem dormir de preocupação com a saúde frágil do bebê, você segura o bebê pra dar vacina, você toma banhos de 5 minutos pro bebê não chorar, você se arruma pra sair, arruma o bebê e arruma a bolsa do bebê, mas bom mesmo é o pai que troca uma fralda por dia. De você, mãe, é esperado que o bebê nunca chore, esteja sempre saudável, no peso certo, nunca sinta dor, esteja sempre cheiroso, esteja sempre sorridente, nunca faça manha ou malcriação. Mesmo que você consiga gerenciar isso tudo com sucesso, ninguém vai te elogiar e achar que você é uma boa mãe, pois as pessoas pensam que isso não é mais do que sua obrigação. E como você passa o dia inteiro com o bebê, ele vai se apegar. E se ele sentir falta do seu colo e chorar, vão dizer que a culpa é sua, que acostuma no colo, mima demais, não coloca no carrinho, não coloca no berço. Do pai, é esperado que pegue o bebê no colo e brinque por 3 minutinhos. Só isso. E ele receberá todas as honras, méritos e glórias de ser um ótimo pai.

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Luma Mattos

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