Diva mas sem Frescura

Nudez, arte, sexualidade e crianças: o que está acontecendo?

Esses dias surgiram fotos de uma menina, criança, ao lado de um homem nu no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e obviamente a notícia deu o que falar. Fundamentalistas e fanáticos religiosos foram até o local para quebrar o museu e agredir os funcionários, e muita gente que ficou em casa compartilhou a foto e o vídeo da criança ao lado do homem nu (que não era uma pessoa aleatória, era um artista fazendo uma performance) com direito a muito textão. Claro que tudo isso gerou comoção nas redes sociais. Vi muitos comentários controversos em relação a esse assunto desde o cancelamento da exposição do Queermuseu em Porto Alegre, por isso acho importante compartilhar algumas reflexões minhas com vocês, minhas leitoras amadas, queridas e sensatas.

 

 

 

Primeiramente, após a exposição do Queermuseu houve vários e vários textos sobre arte, principalmente afirmando o que é e o que não é arte, e muita gente falando mal desse tipo de texto. Bom, é preciso a gente pensar que nem todo mundo no Brasil tem uma educação de ponta e muito menos uma boa noção artística. Nosso país não investe largamente em incentivo cultural, por isso o acesso de grande parte da população à arte é praticamente inexistente, com isso, o acesso à reflexão sobre o que é arte também é praticamente inexistente pro povão. Então, antes de sair reclamando que “gente burra nem sabe o que é arte e tá falando absurdos” lembre-se de que na maioria dos casos as opiniões das pessoas não são pautadas em falta de inteligência, mas sim no senso comum e na falta de informação sobre os objetivos da arte.

 

 

exposição Queer museu cancelada em Porto Alegre

 

 

Bem, em relação à criança observando o homem nu no museu: sabemos que antes da sala onde ele estava realizando a performance havia sinalização de conteúdo +18, e também sabemos que a mãe da criança estava ao lado e permitiu que ela não somente entrasse, mas que interagisse com o artista. Dentro da minha experiência como mulher e como mãe de uma menina linda de 5 meses, devo confessar que acho isso EXTREMAMENTE problemático. É lógico que o corpo humano é uma coisa natural e que nem todo contexto de nudez é um contexto sexual, então eu realmente não relaciono essa situação com pedofilia ou com incentivo à pedofilia, porque claramente naquele contexto não havia sexualidade envolvida. Apesar disso, as crianças (principalmente meninas) que sofrem abuso ou violência sexual nem sempre sabem reconhecer que estão sofrendo violência/abuso. Isso porque na maioria dos casos, a violência parte de pessoas conhecidas, e além disso, colo e “carinho” raramente são associados a abuso sexual porque a criança não tem essa vivência, essa noção, esse conhecimento de mundo, ela apenas se sente culpada e estranha com a situação envolvendo genitais e mãos e adultos. Acredito que há um momento propício pra falar sobre corpo e sobre sexualidade com as crianças, mas para isso é preciso que elas tenham entendimento do que é sexual e do que não é, e para uma criança, diferenciar as duas situações não é tarefa fácil.

 

manifestantes protestam em frente ao MAM SP

 

Tocar em um estranho pelado pode dificultar a ideia de consentimento pra essa menina, e o lúdico pode se confundir com o sexual porque crianças são inocentes e inexperientes. Acho que a mãe pode e deve ensinar à filha dela sobre como são e como funcionam os corpos de homens e mulheres, mas não acho pertinente que isso seja feito ao vivo e a cores, na frente de várias pessoas, em um museu, com um estranho nu. Acho também que por mais que a intenção da mãe tenha sido boa (pressupondo isso, porque não a conheço), deveria ter algum funcionário do museu na porta para impedir a entrada de menores de 18 anos. Uma vez fui ao cinema com a minha mãe e queríamos ver um filme do Stallone, mas eu tinha 16 anos e não pude entrar nem com a minha mãe do lado. Ou seja: deve-se proteger as crianças da falta de noção alheia, ainda que a pessoa sem noção seja a própria mãe.

 

Eu sei que as experiências pessoais diferem de pessoa pra pessoa, mas eu, particularmente, odiei quando meu corpo começou a mudar aos 12 anos de idade e vários homens NOJENTOS começaram a mexer comigo na rua. Inclusive por 2 vezes homens colocaram o indesejado pinto pra fora na minha frente, na primeira vez eu tinha 13 anos, na segunda 16, e em ambos os casos eu não estava preparada pra isso. Foi um trauma muito grande, eu me senti suja, culpada de alguma forma, e enfim, eu já não era nenhuma criança. Imagina a complexidade de ser criança e ver um pinto na sua frente, e em algum momento posterior, como lidar com a situação caso não haja seu consentimento e apareça um pinto na sua frente, sendo você ainda uma menina?

 

MBL é um grupo político que se diz a favor da moral, mas defendeu Marco Feliciano após acusação de tentativa de estupro

 

Dito isso, gostaria ainda de endossar que grupos políticos extremistas estão se aproveitando desse tipo de situação para apoiar a censura e o controle da arte, senão a própria repulsa e ódio a tudo que é artístico, e isso não tem como ser positivo. É preciso saber bem separar as coisas e entender o que há por trás de todo esse ódio sendo promovido. Podem ter certeza que não é pela moral e bons costumes, ok? Até porque, em casos de tentativa de estupro e de pedofilia comprovada, estes mesmos grupos políticos não se manifestam, e/ou quando se manifestam, culpam a vítima ou a mãe da vítima na maioria dos casos, relativizando o crime e o criminoso. Não vamos nos esquecer que Alexandre Frota, que já confessou ter estuprado uma moça em rede nacional e não sofreu nenhuma penalidade, é hoje quem se declara ultra a favor da educação das crianças, da moral e bons costumes, do pudor e do conservadorismo. Algo errado não está certo, amigas (kkk).

 

Bem, por fim, não sou e nem me sinto a melhor pessoa do mundo pra opinar sobre a arte, mas de forma geral, com base em estudos e leituras, sei que um dos objetivos da arte é provocar as pessoas, chamá-las para sair da sua zona de conforto e refletirem. A arte não tem e nem precisa ter um compromisso ideológico, uma militância, uma moral. Retratar algo de forma artística não significa concordar com aquilo que está sendo retratado. Você pode e DEVE criticar a arte como sendo de bom ou mau gosto, você pode dar seu suado dinheiro a exposições ou boicotá-las. Você pode fazer textão sobre qualquer tipo de arte. O que não se pode é proibir que a arte aconteça, odiar os artistas e censurá-los. É urgente que a gente saiba não gostar ou discordar de algo mas entender que aquilo existe, e simplesmente continuar vivendo, ignorar.

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Luma Mattos

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Cansado das pessoas e não pode mudá-las? Mude você!

Depois do post maravilhoso da Daniele sobre como lidar com pessoas insuportáveis, fiquei pensando em quantas pessoas insuportáveis já passaram na minha vida, quantas sumiram e quantas eu tive simplesmente que aprender a lidar, o que me fez pensar em como eu mudei meu comportamento e certos aspectos da minha personalidade durante a vida adulta (afinal, já tenho quase 30 né mores, tive que crescer em algum aspecto).

 

Sempre fui uma pessoa extremamente crítica, e durante minha adolescência até uns 20 anos posso dizer que fui uma pessoa extremamente antipática com quem eu não conhecia ou com aqueles cuja expressão facial não me agradasse, e também com aquelas pessoas que falavam muita besteira. Só que isso me trouxe um grande problema: sendo assim, eu dava margem para que as pessoas também tivessem antipatia instantânea por mim, e isso piorava muito a forma como eu era interpretada.

 

meu lema por anos

 

Hoje em dia não me sinto mal por ser uma pessoa crítica, porque com o passar dos anos descobri que todo mundo é: todo mundo coloca os outros em categorias e estereótipos, todo mundo tem pessoas que “o santo não bate”, todo mundo julga, a diferença é que uns fingem que não, e outros mostram que sim, e eu era parte desse segundo grupo. A partir de um dado momento na minha vida, não sei bem qual, resolvi mudar. Ao invés de fazer aquela cara de “AFF” e revirar os olhos, dei um sorriso, discordei educadamente, tentei entender a vida daquela pessoa e o que a levava a ter aquelas ideias, e para a minha surpresa, as reações foram melhores e fui mais ouvida também.

 

cara de aff

 

Quando aprendemos a ouvir os outros, mais gente aprende a nos ouvir com disposição. Quando tentamos não julgar os outros, as pessoas sentem nossa vibe e são mais legais com a gente também. Quando valorizamos as qualidades das pessoas e as atitudes delas, mais pessoas nos valorizam também. Um simples sorriso e uma tentativa de compreensão é capaz de mudar a forma como vemos os outros e como somos vistos, e mesmo que a gente diga “ah, eu não ligo pra opinião dos outros”, vamos falar a real: ninguém gosta de ser odiado, de ser mal interpretado, de ser julgado, não é? Mas cuidado: ser mais legal com as pessoas, fazer menos cara de nojo e tentar ser mais compreensiva não vai impedir que muita gente continue te julgando, falando mal de você pelas costas ou interpretando mal suas mais sinceras intenções. Só vai fazer com que você lide melhor com isso e fique bem consigo mesma, e no fim das contas, é isso que realmente importa, não é?

 

 

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Luma Mattos

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Miss Brasil, racismo e representatividade

Neste sábado (19) ocorreu o concurso do Miss Brasil Be Emotion e eu confesso que já estava até triste porque eu amei muito a miss Brasil 2016 Raissa Santana, que quebrou um jejum de 30 anos de misses brancas e ganhou o concurso de mulher mais linda do Brasil, sendo negra e cacheada.

 

A Miss Brasil 2016 Raissa Santana

 

Antes de mais nada, preciso ressaltar aqui que: sim, sabemos que os concursos de beleza são extremamente problemáticos porque estabelecem ou concordam com um padrão de beleza: só são bonitas as magras, altas, de cabelo liso, brancas, etc. Sim, sabemos que mesmo as misses negras também tem um corpo padrão. Mas uma coisa boa existe na premiação de mulheres negras como as mais bonitas do país: o aumento da auto estima de mulheres como elas, como eu, como muitas que conheço que sempre se sentiram inferiores e incomparavelmente menos bonitas ou mais feias do que mulheres brancas de cabelo liso. Mas nem tudo são flores: a Miss Piauí teve de enfrentar o racismo ferrenho de grande parte da população, e para mostrar pra vocês tive de colecionar uma série de prints que sério, me deixam muito triste:

 

 

Se tem coragem pra falar em rede internacional, não precisamos tampar o rostinho da moça né?

 

 

 

 

O preconceito se mostra até em relação ao tipo de cabelo crespo mais aceito pela sociedade, que é o cacheado. E tudo isso porque a nossa Miss, Monalysa Alcântara, não fez fitagem nos cabelos:

 

 

 

Mas o que mais me chocou foi isso aqui:

 

 

 

OPA MEU AMOR, VOCÊ DISSE NUNCA ESCOLHER UMA MULHER BRANCA?????????????

 

Misses Brasil 1954-1976: encontre a branca

 

 

Misses Brasil 1977-2002: encontre a branca

 

Misses Brasil 2002-2008: encontre a branca

 

 

Misses Brasil 2009-2015: encontre a branca

 

Mesmo o Brasil tendo mais de 50% da população preta-parda, as mulheres consideradas as mais bonitas do Brasil desde 1954 são em sua esmagadora maioria o que: brancas de cabelo liso! E quando DUAS vezes se elegeram mulheres negras (lindíssimas), isso incomodou a ponto de causar rebuliço nas redes sociais.

 

Monalysa Alcântara, Miss Brasil 2017

 

O racismo no nosso país se manifesta sem a menor vergonha, sem o menor pudor. Imagine se a Miss fosse uma negra de pele escura, de cabelo tipo 4, com nariz largo e manequim 40? Muitas pessoas não tem a menor vergonha em manifestar que mulheres com estas características são inferiores às mulheres brancas, mas nos últimos concursos isso mudou MINIMAMENTE: nós, mulheres negras, começamos timidamente a ser incluídas no público alvo de marcas de beleza, começamos a ser vistas como belas, começamos a não ser inferiorizadas por cabelos lisos, loiros e pele clara. E isso é muito positivo.

 

 

A imagem acima me emociona bastante, porque durante toda a minha infância e adolescência eu quis um cabelo liso, eu quis me adequar para ser considerada bonita também, e muitas, muitas, MUITAS vezes eu me senti e fui considerada menos do que meninas brancas de cabelo liso. Nós, mulheres negras, não estamos numa guerra contra as brancas. Nós apenas queremos ser valorizadas, queremos ser apreciadas, queremos nos sentir bem com a nossa aparência, e isso nos foi e nos é negado por muitos anos. Mas felizmente, essa realidade está mudando. Com passos de formiga e sem vontade, mas está. É claro que esperamos que um dia não haja mais concursos de beleza e todas as mulheres se sintam lindas, mas enquanto eles existirem, esperamos ter oportunidades de estar lá, ter chances de sermos consideradas lindas, e até mesmo as mais lindas do país que sim, queiram vocês racistas ou não, somos maior parte da população do país, e sim, somos belas. E felizmente, não só no Brasil, mas no mundo essa realidade vem mudando:

 

Miss USA 2016: Deshauna Barber

 

 

Miss USA 2017: Kara McCullough

 

 

Miss França 2017: Alicia Ayles

 

Quero finalizar este post me direcionando às mulheres negras: ei, preta, você é linda! Mais cedo ou mais tarde todos vão enxergar isso, então comece por você!

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Luma Mattos

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A linha tênue entre o direito de não querer filhos e odiar crianças

Estamos vivendo tempos sombrios e acho que isso não é mais segredo pra ninguém, né? Grupos racistas e extremistas voltando sem a menor vergonha, altíssimo índice de violência no Brasil e no mundo, o preconceito espalhado por todos os lugares, o ódio virando moda e a aversão aos estudos e à cultura se propagando. Mas tudo isso teve um começo, que infelizmente não se pode mais mudar, tem um presente, e terá um futuro. A parte promissora do futuro que viveremos é complicada, pode ser mentirosa, pirracenta e imatura: nossas crianças. Como já contei pra vocês inúmeras vezes, sou mãe há pouco tempo e a maternidade me tornou outra pessoa, e mudou toda a minha visão de mundo, contudo, eu realmente não acredito que ter filhos é algo compulsório, ou seja, acredito que nem todo mundo nasceu pra ter filho.

 

 

São diversas as coisas que nos fazem felizes, mas sendo mulheres, muitas vezes nos é imposto que a felicidade está obrigatoriamente no casamento e na maternidade. Apesar de ser casada e mãe, eu discordo disso totalmente. Inclusive tanto o meu casamento quanto a maternidade foram coisas que aconteceram repentinamente e rapidamente na minha vida, e apesar de ser muito feliz, não posso negar: minha felicidade não se resume a isso. Sou um ser humano, e continuo prezando pela minha vida profissional, continuo tendo desejos e necessidades pessoais, que muitas vezes não envolvem ninguém além de mim mesma, meus objetivos e minha superação e conquistas pessoais. Sendo assim, me considero apta a falar sobre o movimento Childfree, algo que vem crescendo e infelizmente tomando proporções catastróficas pelo menos no âmbito virtual.

 

 

O movimento teve início com mulheres reivindicando o direito de NÃO serem mães, o que é totalmente válido e concordo totalmente. É preciso rebater a ideia de que a plenitude de uma mulher está no “poder” de gerar a vida, na responsabilidade de educar a vida gerada, e enfim, em todos os prós e contras que ser mãe traz consigo. As mulheres são diferentes, tem vivências diferentes, tem desejos diferentes, sonhos diferentes, e ter filhos não é e nem deve ser um objetivo na vida de todas elas. Porém, na época do discurso de ódio em que vivemos, o que era uma simples vontade de não ser mãe se tornou uma militância e praticamente uma perseguição não só a crianças, mas também a mães.

 

 

O negócio tomou uma proporção tal que já vi fotos na internet de estabelecimentos que não aceitam a presença de crianças. Já vi comentários horríveis agrupando TODAS as crianças que existem no mundo como mal educadas, desagradáveis, melequentas, fedidas, chatas, inconvenientes, choronas, e uma série de xingamentos e comentários que buscavam praticamente afirmar que crianças deveriam ficar trancadas em casa com os pais e que só quem deveria “aturar” seriam eles. E bom, como isso vem crescendo, se faz necessária uma reflexão sobre o assunto.

 

 

Primeiramente: crianças são pessoas. Segundamente: todos já fomos crianças um dia. Todos nós fomos educados por alguém, tivemos chances de refletir, mudar, pensar nas besteiras que fizemos. Nem todas resultaram em adultos maravilhosos, mas todas obrigatoriamente envelheceram. Se você não quer ter filhos, basta não ter um. Não precisa militar e propagar ódio contra pessoinhas que ainda estão aprendendo as regras de convívio social e os limites do que é aceitável e do que não é. Se você não é pai nem mãe, não tem obrigação nenhuma de educar e aturar malcriação e pirraça. Mas não precisa sentir ódio, afinal: com certeza você também não foi um anjinho e já deve ter feito muito disso um dia, mas ninguém te deixou em cárcere privado, certo? Provavelmente você recebeu bronca, de repente até uns tapas, uns castigos, e tá aí sobrevivente, depois de aprender como a vida funciona de verdade.

 

 

Você pode não ter  jeito com crianças. Pode não querer ter filhos. Pode não ter paciência com birra, choro, gritos, pirraça. Mas você não precisa sentir ódio, entende? Pois de você, adulto, é esperado que se tenha maturidade, e da criança, é esperado que se tenha infantilidade mesmo. Ou seja: ao fazer birra e querer isolar crianças limitando-as ao convívio apenas dos pais e familiares, você cai num paradoxo de estar sendo extremamente infantil. As crianças são pessoas que ainda tem jeito. Precisamos ter tolerância com elas porque elas podem aprender, podem mudar, podem amadurecer. Se odiarmos as crianças, qual legado deixaremos para o nosso futuro? Nada diferente do ódio. E se você não tem filhos, não se julgue apto a dar palpites na educação que os pais dão porque muito provavelmente você não tem conhecimento suficiente pra isso. Apenas respire fundo, e lembre-se que um dia era você no lugar daquela criança pirracenta, mas te deram muitas chances, e se hoje você está aqui, se aprendeu tudo o que sabe, é porque acreditaram que você iria mudar e amadurecer.

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Luma Mattos

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10 motivos para assistir RuPaul’s Drag Race

Graças ao bom Deus as drag queens estão em alta nos últimos tempos e temos visto até Pablo Vittar e Lorelay Fox arrasando no cenário nacional aparecendo na TV aberta. Já no cenário internacional, temos visto uma onda de Drags super famosas como Alaska, Chad Michaels, Latrice Royale, Sharon Needles e muitas outras, e tudo graças ao reality show RuPaul’s Drag Race.

 

Se você conhece, provavelmente ama, se não conhece, calma, eu explico: o reality é apresentado pela drag RuPaul, e funciona assim: 13 ou 14 participantes que já são drag queens, e elas passam por um mini desafio e um desafio principal toda semana. Após serem julgadas, as duas piores precisam fazer uma performance de dublagem e quem perder, volta pra casa. Os desafios envolvem múltiplos talentos: costurar, atuar, cantar, dublar, fazer piadas, dançar, fazer ensaios fotográficos e muitas outras coisas, cada um mais criativo que o outro.  E por que você deveria assistir? Vamos aos motivos:

 

1- Porque é muito engraçado

 

 

 

Drag queens são artistas, e a grande maioria delas leva a vida de forma muito bem humorada, sabendo relevar desentendimentos e brigas OU NÃO meu amô, e daí acabam criando altos barracos que depois de um tempo acabam sendo esquecidos ou se tornando motivo de piada. Elas falam alto, zombam umas das outras e inclusive de si mesmas. Além disso, as provas de atuação, teatro, stand up comedy ou musicais são riso garantido. Fora que sempre tem drags que são engraçadas só de respirar: Alaska, Alyssa Edwards, Shangela, Bob the Drag Queen, Bianca del Rio: o que não falta são comedy queens pra matar a gente de rir!

 

2- Porque explica o trabalho das Drags

 

RuPaul e as vencedoras das 7 primeiras temporadas

 

Kim Chi

 

Sharon Needles

 

Muita gente acha que ser drag é apenas ser homem e se vestir de mulher, mas não: as drags muitas vezes trabalham a parte estética sim, e podem criar personagens muito diferentes como Kim Chi, Sharon Needles e Sasha Velour, mas além de roupa e maquiagem, elas dublam, atuam, dançam, costuram, fazem Stand Up comedy, desfilam e até cantam se for preciso! Assistir o programa mostra como as drags são talentosas e merecem reconhecimento pelo trabalho que fazem.

 

3- Porque ajuda a eliminar preconceitos

 

 

Várias vezes meu marido assistiu junto comigo e no começo ele reclamava, dizendo: “não acredito que você ta assistindo isso”, depois de alguns episódios ele começou a dizer “caramba que legal” até que na última temporada ele acompanhou tudo comigo. Hoje em dia, ele declara sua admiração por esse trabalho incrível das drags e derrubou todos os preconceitos que ele tinha, e isso é algo muito legal de se ver. A gente acaba sentindo que está entrando no mundo das drags – e adorando isso!

 

4- Porque tem gírias maravilhosas

 

 

Sasha away? Charisma, uniqueness, nerve and talent? Jogar um shade? Aguentar a T? Untuck? Pra saber o que é isso tudo, só acompanhando a série. Queria muito que todo mundo assistisse pra eu poder usar o vocabulário RuPauliano na minha vida todos os dias e ser compreendida. Amo! Vamos combinar que seja em inglês ou em português, as melhores gírias saem do meio LGBT, né non?

 

5- Porque tem música boa

 

Naomi Smalls

 

RuPaul, uma das drags mais famosas do mundo, é cantor e toda temporada tem uma música dele sendo lançada. Sou suspeita pra falar porque tenho todas no meu Spotify, inclusive faço performances no banho e até no meio da rua se começar a tocar kkkk.

 

6- Porque sempre tem convidados legais

 

 

Latoya Jackson, Khloé Kardashian, e na nona temporada, ninguém menos que LADY GAGA! Toda temporada tem convidados super legais que muitas vezes nem são famosos aqui no Brasil, mas que dão um toque legal ao programa e também dicas profissionais para as drags, pois muitas vezes diretores, atrizes, cantores, coreógrafos e fotógrafos participam como convidados e jurados.

 

 7- Porque causa empatia

 

Carmen Carrera se declarou mulher trans após o programa

 

Entre um desafio e outro, as drags saem um pouco de seus personagens e acabam desabafando sobre suas vidas: como foi a infância e adolescência sendo gay, as dificuldades que passaram na escola e no meio familiar, o início da carreira drag e como foi a reação das pessoas, e contam um pouco sobre a vida delas. Duas drags inclusive revelaram durante o programa que eram mulheres trans, e foi super emocionante. Toda essa abertura emocional causa muita empatia porque nós, que não passamos pelas mesmas coisas, vemos o quanto é difícil não ser o que a sociedade espera e nos tornamos mais compreensivos e solidários com a comunidade LGBT.

 

8- Porque quebra estereótipos de gênero

 

 

 

Várias temporadas tiveram um desafio principal em que as drags deveriam transformar um homem hétero e todo machão em drag também, e os resultados são incríveis! Ao contrário do que os hetero topzera podem pensar, é preciso ser muito homem pra se vestir de mulher, andar de salto, se maquiar e usar peruca! Um convidado estava com tanto medo das zoações que sofreria por seus colegas de time (ele era jogador de basquete), que começou a vomitar depois de desfilar como drag. Em uma das temporadas, agora não me lembro qual, a equipe de filmagem de RuPaul participou e vários ali são casados e tem filhos. Nenhum deles teve vergonha e inclusive deram lindas declarações de como filmar o programa mudou a visão deles sobre as drags, e como eles as admiravam por tudo.

 

9- Porque tem divas drag

 

 

Derick Barry é cover de Britney em L.A.

 

Lil Kenya Michaels

 

Valentina

 

Tyra Sanchez

 

Farrah Moan

 

Beyoncé, Rihanna, J. Lo? Pode esquecer as divas pop! Temos várias drags maravilhosamente divas que deixam a gente com inveja e com vontade de ser drag também. Tem várias pra se admirar a beleza: Tyra Sanchez, Lil Kenya Michaels, Farrah Moan, Trinity Taylor, Kimora Black, Peppermint, Gia Gunn e  muitas outras que com certeza estou esquecendo agora…

 

10- Porque os looks da RuPaul são maravilhosos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu simplesmente quero ser a RuPaul. gente, que drag maravilhosa! Inclusive vou falar pra vocês que tô planejando meu aniversário de 30 anos (daqui a 3 anos kkkk) e quero festa temática do programa, em que logicamente entrarei vestida de RuPaul tocando Cover  girl ao fundo. Obrigada de nada.

 

E aí, gostou? Se quiser assistir comenta com a gente depois!! Vamos fofocar sobre tudooo!!

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Luma Mattos

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