Diva mas sem Frescura

“Moço, fecha essa perna”: Sobre ser mulher no transporte público

As moças proletárias do meu Brasil certamente já se depararam com o infortúnio de sentar ao lado de algum homem que não só ocupa a cadeira em que está, como também boa parte da cadeira ao lado. A maioria deles não se acanha quando alguma mulher senta ao seu lado e segue lá, com as pernas arreganhadas e confortáveis. Locomovo-me por meio de ônibus pelo menos 2 vezes ao dia de segunda à sexta-feira, logo, utilizo aqui com propriedade os dados empíricos de minha rotina.
 
Durante muito tempo me questionei:
 
– Será que eles possuem bolas de cristal?
– Será que eles estão ocultando algum objeto quebrável entre a virilha e, por isso, não pode fechar as pernas?
– Será que eles pagaram uma passagem pra eles e outra para as bolas e, por isso, podem ocupar dois lugares?
– Será que são espaçosos, folgados e sem noção?

Alguns podem alegar que homens possuem testículos e é impossível sentar com as pernas fechadas quando se é um portador de bolas. Mas, para concluir que isso está longe de ser uma justificativa plausível, basta observar o que milagrosamente acontece com esses homens quando outro sacudo senta ao lado: Mais que rapidamente as pernas milagrosamente se fecham, afinal, nenhum dos dois quer ficar roçando a perna em outro moço, né.

Considerando a falta de educação, noção e senso coletivo desses queridos, Madri lançou uma campanha de conscientização para os homens “fecharem as pernas” no transporte público. Por meio de um comunicado, a Empresa Municipal de Transportes de Madrid disse que o objetivo das placas foi alertar os passageiros do sexo masculino acerca da “necessidade de manter o comportamento cívico e respeitar o espaço de todos a bordo do ônibus”.
 
Em 2014, a autoridade responsável pelo transporte metropolitano de Nova York também lançou uma iniciativa similar ao espalhar placas no metrô da cidade que diziam: “Cara…pare de abrir as pernas, por favor”. A cidade americana da Filadélfia também iniciou a campanha “Cara, isso é rude”, enquanto o departamento de transportes de Seattle pendurou placas que mostravam um polvo espalhando seus tentáculos nos assentos próximos.
 

Eu quando sento ao lado de homem espaçoso.


 

Desde cedo as meninas são ensinadas a cultivar posturas retraídas: “Senta igual uma mocinha”, “mocinha tem modos”, “mocinha não faz falta de educação”. O mesmo não ocorre aos meninos. Sendo assim, podemos refletir além do fato de que se tratam de homens mal educados e espaçosos, pontuando que tal questão também envolve relações de poder e corporeidade. A maioria dos homens naturalmente se sentem a vontade para serem espaçosos, mesmo que inconscientemente. Eu realmente acredito que muitos não o façam de propósito, visando prejudicar ou invadir o espaço do outro, daí a importância de campanhas de conscientização como essa. Talvez, a maioria deles sequer tenha se dado conta desse hábito um tanto inconveniente para quem está ao lado.
 
Vamos ajudar a alertá-los?

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Daniele Fabre

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Ted Mosby em: homens que não gostamos

(O texto está repleto de spoilers. Se ainda não terminou de assistir, não leia.)
 

Eu ADOREI How I Met Your Mother mesmo com o controverso desfecho da série, que desagradou muita gente. Ao longo das 9 temporadas acompanhamos a evolução de um grupo de amigos e seus relacionamentos, com ênfase na trajetória de Ted Mosby e a história de como ele conheceu a mãe de seus dois filhos (o episódio piloto mostra ele no futuro iniciando o relato para os rebentos adolescentes). Pois bem. Dito isso, dia desses passou em minha timeline um post cujo título era: “TED MOSBY OU ROSS GELLER: QUEM É O HOMEM PERFEITO?”.

 

SOCORRO!! Esses dois são extremamente insuportáveis e estão BEM LONGE da perfeição. Como a Flávia já fez esse maravilhoso post abrindo os olhos da sociedade acerca de Ross Geller, hoje farei a advogada do diabo e apontarei umas verdades sobre Ted Mosby.

– Logo na primeira temporada já conseguimos perceber que Ted é mimado e acha que o mundo deve girar em torno de sua busca pelo grande amor. Ele demonstra ser o tipo de homem que eu, particularmente, detesto: O que se acha especial, sensível, diferente de todos e, por isso, quem ele deseja tem praticamente uma OBRIGAÇÃO MORAL de correspondê-lo. Ousou não querer o sensível e perfeito Ted Mosby? Prepare-se para ser considerada uma vaca sem sentimentos que valoriza cafajestes (tipo o Barney) ou só pensa na vida profissional (tipo a Robin) enquanto despreza os caras legais.

 

– Ted não apoiou e foi incapaz de participar e ficar feliz com o segundo casamento de sua Mãe, afinal, que absurdo ela ser feliz no amor enquanto ele ainda estava à procura, né.

 

– Ted, o bom moço, traiu a Victoria com a Robin. Mesmo sendo esse ser humano querido, sensível e diferenciado, Ted simultaneamente mentiu para conseguir ficar com a Robin e enganou a namorada que estava morando em outro país.

– Tempos depois, Ted incentivou Vitoria fugir no dia do casamento dela, para, meses depois, MAIS UMA VEZ, concluir que não era ela a tal mulher da vida dele.

 

– Ted não hesitou em continuar investindo sentimentalmente na Robin mesmo após ela ficar com Barney. Prova disso foi o episódio em que ela procura o medalhão às vésperas do casamento com Barney e ele, o prestativo Ted, vai lá ajudá-la e rola aqueeeele climão presenciado pelo noivo.

Antes que você pense “Por que não fazer esse tipo de post para o Barney?”, eu respondo: O Barney pelo menos foi transparente em relação ao fato de que ele era um sem vergonha e não queria um relacionamento. Barney não é o tipo que as moças ficam “ain, ele é perfeito”, Barney não é uma propaganda enganosa. Já Ted e seu discurso de quero uma esposa e filhos faz com que muitas o considerem o homem dos sonhos, quando na realidade não é bem assim. Bom, pelo menos ele não foi um “homem dos sonhos” para as inúmeras mulheres que ele envolveu para posteriormente concluir que, bem… ele quer tentar a Robin mais uma vezinha!

 

Claro que tudo isso não o torna o monstro. Ted possui seus bons momentos e é um excelente amigo! Todos somos imperfeitos e estamos sujeitos a fazer uma ou outra cagada no campo amoroso, mas não dá pra não comentar as incoerências e vacilos desse personagem que está longe de ser o mocinho perfeito que muitos defendem.

 
E aí!? Lembram de mais algum personagem que todas amam e você detesta?

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Daniele Fabre

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O método de organização de Marie Kondo na pratica

Um tempinho atrás li o “A Mágica da Arrumação”, de Marie Kondo. Sou uma virginiana com ascendente em virgem muito desorganizada (pra vocês verem como esse negócio de horóscopo não é confiável) e supus que esse livro poderia me ajudar. O formato da obra não me agradou muito, achei a abordagem um tanto auto-ajuda e a autora é bem machista ao afirmar que vontade de arrumar é algo essencialmente feminino (VERGONHA ALHEIA HEIM MINHA AMIGA).
 
Mas, apesar dos pesares, ela dá algumas dicas legais que compartilharei com vocês.


1- Fazer uma avaliação REALMENTE HONESTA do que você PRECISA

O tempo todo somos bombardeados por propagandas e estímulos para consumir. Isso faz com que ocasionalmente a gente compre por impulso coisas totalmente inúteis, que vão se acumulando e tomam espaços nos ambientes da casa. Sempre tem aquele sapato desconfortável que você sabe que não vai mais usar mas deixa na sapateira ocupando espaço. Pra quê? Por quê? O mesmo com roupas: calça jeans, por exemplo, é uma peça que a gente tende a usar sempre as mesmas, que provavelmente são as que vestem melhor, e simplesmente ignoramos as outras que figuram em nosso guarda-roupa. Pra quê mantê-las ali? Esse primeiro passo de desapegar do que você não gosta ou precisa já faz uma enorme diferença e é a chave para o método de organização proposto funcionar e se sustentar a longo prazo.
 
2- Manter APENAS peças que lhe tragam felicidade

Essa parte é meio difícil e subjetiva demais, mas vamos lá! Marie Kondo sugere que no processo de se livrar do excesso de coisas você deve segurar o objeto ou peça de roupa e se perguntar: ESSA COISA ME TRAZ FELICIDADE? Soa meio ridículo, né!? Mas a essência da ideia é bacana: se você mantem por perto apenas objetos que lhe geram alguma satisfação, a tendencia é que seus espaços se tornem mais acolhedores e mais “a sua cara”. Além disso, fazer esse tipo de avaliação em relação a objetos e roupas faz com que a gente consiga identificar e pensar nossas preferências e senso estético, para aprimorar nossas futuras aquisições e evitar compras aleatórias, totalmente sem critério.

3- Organize por CATEGORIAS ao invés de CÔMODOS.

A maioria das pessoas dividem a arrumação por partes da casa: primeiro o quarto, depois sala, cozinha e assim sucessivamente. Para a autora essa opção não é a mais eficaz. Para ela, o ideal é criar categorias, como: impressos (revistas, apostilas, cadernos) e cosméticos (maquiagens, cremes, perfumes, pincéis) para em seguida avaliar e organizar tais categorias, independente desses objetos que a englobam estarem no mesmo cômodo. No caso dos cosméticos, por exemplo, uma parte costuma ficar no quarto e a outra parte no banheiro. A autora sugere que juntar os objetos dessa categoria e analisar o que fica e o que sai é mais eficaz que organizar os cosméticos do quarto quando arrumar o quarto e os do banheiro quando chegar a esse cômodo. O mesmo com todas as outras categorias possíveis.
 
4- Colocar em prática o “tirou, devolve”

Essa é simples e certamente você ouve isso de sua mãe desde a infância, quando tirava os brinquedos do lugar. Claro que por vezes estamos com muita pressa e simplesmente não dá pra devolver o que acabamos de usar para o lugar de origem. Acontece. Mas é preciso tentar tornar esse hábito uma exceção e ter o cuidado de devolver para o respectivo lugar tudo aquilo que você utilizar durante o dia. Além de garantir que o ambiente se manterá organizado, isso faz com que tenhamos maior consciência dos locais que os objetos ocupam, tornando mais raras as vezes em que nos questionamos: “onde será que enfiei aquele negócio, hein!?”

Marie Kondo também trabalha com consultoria e no livro expõe relatos de clientes que viviam no mais completo caos. Entre um e outro caso a autora também dá pequenas sugestões práticas, como por exemplo a de que a melhor forma de guardar bolsas é acomodar as menores dentro das maiores e que o jeito correto de guardar meias é as dobrando normalmente e NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, fazendo aquelas belas bolinhas na qual um par da meia se acomoda dentro do outro. Mas olha, infelizmente essa última dica não vai dar pra seguir. Foi mal Kondo, não dá pra abrir mão dessa prática quase milenar de não misturar os pares de meia.
 
Mas o resto a gente repensa!

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Daniele Fabre

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5 Comfort Movie para assistir na Netflix

Acho que todos conhecem a expressão “comfort food”, que representa aquela “comida que abraça” e gera bem estar, mesmo sem se tratar de algo super sofisticado ou elaborado. Pois bem, eu adoro comidinhas que abraçam e tenho essa mesma sensação com alguns filmes que assisto vez ou outra, quando preciso de horinhas de leveza e conforto. Não necessariamente eles possuem enredos 100% felizes, mas todos transmitem uma mensagem positiva e proporcionam uma sensação gostosa, mesmo em meio a acontecimentos dramáticos. Todos estão disponíveis no catálogo da Netflix na data do post!

 

Meia noite em Paris – Woody Allen

Dentre os mais recentes do Woody Allen esse é um dos meus preferidos. É um charme de filme em um cenário apaixonante e um deleite para fãs de literatura (embora eu acredite que não entender as referência literárias não compromete muito a experiência com o filme). Essa comédia romântica nos mostra a história de um jovem escritor (Owen Wilson) que está passando as férias em Paris com sua noiva e que faz uma espécie de viagem para o passado em seus passeios noturnos solitários. Em tal viagem o protagonista é acompanhado por grandes nomes da literatura e, através dela, o jovem escritor percebe a sua insatisfação com a vida que está levando.
 

Boyhood: Da Infância à Juventude – Richard Linklater

Provavelmente você pelo menos ouviu falar nesse filme em época de premiações. Ele foi filmado ao longo de 12 anos e, como sugere o nome, nos mostra a trajetória de Mason de sua infância até a sua juventude, com seus conflitos, descobertas e dramas familiares. Gosto muito da forma pela qual é exposta a passagem do tempo, através das roupas músicas e cultura pop, nada de legenda com “5 anos depois” e corte pra próxima cena. Apesar de um ou outro acontecimento mais melancólico, considero um filme alegrinho, que deixa uma sensação boa e que combina com o restante da lista.
 

O Fabuloso destino de Amélie Poulain – Jean-Pierre Jeunet

Essa gracinha de filme conta a história de Amélie, uma moça sonhadora que teve uma infância solitária e, descrita no filme como uma pessoa “sensível ao charme discreto das coisas simples da vida”. A história se passa na charmosa Paris e o enredo se desenrola quando Amélie encontra uma caixinha dentro de seu apartamento e decide procurar o dono. A partir daí ela percebe a grandiosidade que pequenas ações podem carregar e passa a se dedicar ao ofício de praticar pequenos atos positivos. Esse é totalmente comfort movie e é inevitável terminar a película com aquela sensação de que o mundo e as pessoas são boas em essência.
 

Chef – Jon Favreau

Conta a história de um chef de um restaurante badalado que constantemente enfrenta seu chefe ao querer inovar o cardápio ao invés de preparar os tradicionais pratos do local. Quando um renomado crítico gastronômico faz uma dura nota criticando, justamente, a falta de criatividade do cardápio, o protagonista briga com o crítico, é demitido, sua “má fama” se espalha pelo twitter e resta a ele recomeçar abrindo um food truck, contando com a ajuda do filho e da ex esposa. Um enredo aparentemente bobo, né!? Mas o filme é uma gracinha, vão por mim.
 

Comer, Rezar, Amar – Ryan Murphy

Esse famoso romance baseado no livro homônimo conta a história de Liz Gilbert (Julia Roberts), uma mulher recém divorciada que até então possuía uma vida e uma carreira estáveis. Diante do divórcio e reviravolta na vida pessoal, a escritora começa a questionar suas prioridades e inicia uma busca rumo ao autoconhecimento, que a leva à Italia, à Índia e a Bali, locais nos quais ela vivencia o Comer, Rezar e o Amar que dão nome a obra. (Que chato, né! Imagina se pudéssemos viajar o mundo a cada vez que rola uma sofrência… hahahaha)
 

E aí!? Lembram de mais filmes gracinhas que geram essa sensação de conforto?

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Daniele Fabre

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Vale a pena “salvar um relacionamento”?

“5 passos para salvar o casamento”
 
“Dicas para apimentar a relação”
 
“Como salvar um relacionamento desgastado”
 
“Blinde o seu casamento”

Quantas vezes vocês já viram esse tipo de matéria em revistas e sites voltados para o público feminino? (Muitas, aposto!)
 
E em revistas ou sites voltados para homens, vocês já encontraram esse tipo de postagem? (No meu caso, vi uma única vez)
 
Por que esse discurso de blindar ou salvar a relação é voltado majoritariamente para mulheres?

 

Dicas Bela Gil: Você pode substituir um marido ruim por um novo amor!

 

Não me agrada muito a ideia de lutar por um relacionamento, seja ele qual for, mas, se for o caso, é o tipo de coisa que exige que as duas partes envolvidas estejam igualmente dispostas a fazer algo. Infelizmente, o que vemos é uma enorme pressão social para que a mulher carregue tal tarefa sozinha. Quase toda a responsabilidade de conquistar e manter um relacionamento recai sobre nós. Esse discurso cruel é bem comum em determinados meios religiosos e mais conservadores, mas, infelizmente, vejo essa ideia também ser reproduzida por blogueiras, sites e revistas aparentemente modernas.

 

Há uma cultura que prega que estar em um relacionamento é muito mais valioso para a mulher do que para o homem, gerando as costumeiras brincadeiras que insinuam que o cara se casou obrigado ou pressionado pela mulher.(Pode parecer exagero a minha implicância, mas tenho PAVOR desses bonequinhos de casamento no qual o cara está amarrado pela noiva). Além disso, homem solteiro após os 40 é visto como livre e bon vivant, enquanto mulheres na mesma situação são consideradas fracassadas e mau amadas. Nossa sociedade considera o matrimônio uma vitória para a mulher e uma derrota para os homens. Essa crença, somada a tradicional culpabilização da mulher pelo fracasso do relacionamento, gera os famosos:

 
Foi traída? Vixi, com certeza o marido procurou na rua o que não tinha em casa (ai gente, francamente, melhorem…)
 
A relação esfriou? A mulher está muito desleixada. Ela que se vire pra apimentar a vida sexual mesmo que o bofe esteja 100% nem aí.
 
Muitas brigas? Ahhh, homem é assim mesmo. Cabe a mulher ser sábia e saber administrar (POUPE-ME!)
 

Óbvio que não quero fazer aqui uma ode ao fim dos relacionamentos e tratar algo tão importante de forma volúvel. Quero apenas que pensemos sobre as estruturas que pregam que as mulheres obrigatoriamente devem estar em um relacionamento para serem felizes. Quero, principalmente, que as mulheres saibam diferenciar um relacionamento saudável que vale a pena de um relacionamento abusivo ou ruim, ao qual você se prende por puro apego e medo do que os outros vão pensar.

 

Desconfio que dificilmente vocês verão aqui no blog os tipos de postagens expostos no início do texto, já que acreditamos que o esforço para fazer a relação dar certo ou “ser salva” é algo bilateral e não deve recair somente sobre as mulheres. No mais, se você precisa despender imenso esforço para manter um relacionamento, talvez o melhor seja se livrar dele. A relação deve ser leve e fácil a maior parte do tempo, se você passa mais tempo tentando salvar ou consertar do que sendo feliz, tá na hora de repensar isso aí.

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Daniele Fabre

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