Diva mas sem Frescura

“Ahhh mas você vai sozinha? Que triste!”

Desconfio que em algum momento de nossa evolução, um de nossos primórdios criou a lista de coisas que uma mulher não pode fazer sozinha e, se fizer, será taxada de louca, carente, solitária, esquisita ou o que for. Essa lista abarca desde ir ao cinema e tomar um café na sua própria companhia até algo maior como viajar ou ir a algum show.
 
“Ahhh, mas ninguém quis ir com você?”
“Você é tão bonita, daqui a pouco encontra um parceiro para seus passeios”
“Nossa, mas você não tem nem um amigo pra ir com você?”

Quem está solteira, ou até mesmo quem possui um boy que mora longe, COM CERTEZA JÁ OUVIU ESSA FRASE! Na verdade você nem precisa ser uma single lady ou morar distante do mozão pra ouvir isso. Basta ousar viver como o indivíduo livre que é e vez ou outra sair sozinha.
 

Invariavelmente haverá alguém para se espantar com o fato de que, pasmem, você não nasceu grudada com ninguém.
Acreditem, até após viagem a trabalho eu já ouvi: “ahh lá parece ser legal, pena que o fulano não foi, né?”. Como se só pudêssemos viver e nos divertir ao lado de alguém. Preferencialmente um parceiro amoroso.
 
O que mais me irrita nesse tipo de pergunta ou comentário é a CERTEZA de que nenhum ex namorado ou amigo já teve que ouvir algo parecido. Homem sair sozinho é considerado algo normal e até mesmo louvável. Mulher sozinha é algo estranho, que desperta pena e hipóteses acerca de “qual problema será que ela tem, hein”.

Quem me conhece sabe que tenho bastante amigos e que AMO a companhia de todos eles. Mas acontece que nem sempre as agendas vão bater, nem sempre a pessoa gosta dos mesmos programas, filmes, baladas e até mesmo restaurantes que eu. Nem sempre o amigo vai ter dinheiro e, principalmente, nem sempre estou disposta a contar com a boa vontade e disponibilidade alheia. Por vezes simplesmente quero decidir fazer algo e ir.
 

Sei que ainda temos muito o que evoluir no que se refere a questões de igualdade de gênero e a tal lista fictícia criada por nossos primórdios ainda vigora, mas eu é que não vou ficar trancada em casa enquanto a sociedade enxerga a liberdade feminina e masculina de forma diferente. Espero que vocês também não! Vão por mim: mesmo que vocês passem algum aperto sozinha, SEMPRE SERÁ UMA EXPERIENCIA VÁLIDA. Na pior das hipóteses você terá histórias trágicas engraçadas para lembrar depois.
 

Próxima vez que alguém vier com cara de lamentação e falar “Ahhh mas você vai sozinha? Que triste”, responda: Triste é não ter saúde e disposição para fazer o que quer. Triste é não ter tempo e dinheiro para realizar pequenos desejos. Triste MESMO é viver na dependência da boa vontade do outro.
 

(Utilizei no post imagens do filme LIVRE, no qual a protagonista viaja em busca de autoconhecimento. Assistam!)

ESCRITO POR

Daniele Fabre

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