Diva mas sem Frescura

A dor e a delícia de não esconder quem se é

Leminski já poetizou e Caetano já cantou sobre a dor e a delícia de ser o que somos. Sendo assim, qual o preço de mascararmos traços da nossa personalidade em nome de um relacionamento, emprego ou até mesmo boa convivência familiar?

 

Quem não conhece aquela amiga que “perdeu o brilho” após começar a namorar? Aquela que outrora era dada a altas gargalhadas e posicionamentos firmes, mas agora ri de forma discreta e se priva de opinar em assuntos polêmicos quando o novo boy está por perto. Ocorre que quando ela “chama muita atenção” ele fica com cara feia o resto da noite. Ela era cheia de amigos, homens e mulheres, mas agora se priva de contatos a fim de evitar brigas por conta do ciúme do outro. Em resumo: O moço se apaixonou por ela descolada e exagerada, mas agora a quer bem quietinha e obediente.

 

Conheço bastante gente que não posta suas opiniões políticas no facebook por medo de retaliações em seu ambiente de trabalho ou para evitar briga com os familiares. Nos meses que antecederam o impeachment da Dilma e a tensão política se aflorou, lembro de uma amiga que teve que parar de CURTIR as postagens que gostava, pois um belo dia foi abordada por seu coordenador que disse “ahhh, tô sabendo que você defende os bandidos do PT, né. Vi o post que você curtiu ontem”. Vejam bem, ela não só não podia compartilhar como também era questionada por curtir. Algumas pessoas não fazem muita questão de expor suas opiniões, tampouco de se envolverem em polêmicas e tudo bem. O problema é quando você está louca pra sair na rua enrolada em um bandeirão do PSOL gritando “Fora Temer” e não o faz por medo do que irão pensar.

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Cada um lida de uma forma com sua sexualidade e a exposição dela e isso não é diferente entre os LGBT’S. Conheço inúmeros casos em que, enquanto a pessoa era discreta em relação sua orientação afetiva, colecionava amigos. Mas, quando resolveu assumir, pra si e pro mundo, quem realmente era, boa parte deles se afastaram. “Fulano está muito estranho, não tem necessidade de se mostrar tanto”, é o que diziam. Em outras palavras: Só gostavam dele enquanto ele não dava pinta!

 

Claro que entendo perfeitamente que para algumas pessoas, por uma gama de razões, não é tão fácil assim findar relacionamentos tóxicos ou abandonar empregos, mas acho válido refletir sobre até que ponto é saudável transformar traços de personalidade ou ocultar opiniões por uma relação amorosa, familiar ou até mesmo de trabalho. O confronto de ideias, personalidades, hábitos e culturas pode ser extremamente rico, daí a importância de sermos fiéis ao que somos e deixar transparecer nossa essência para quem cruzar nosso caminho. Assim, poderemos desfrutar da delícia de saber que quem se mantém por perto está ali conhecendo e gostando da confusão que somos.

 

Nota: “Ser você mesmo” não é carta branca para maltratar as pessoas, a mensagem do post não é essa!

 

Daniele Fabre Ribeiro

 

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Tenho 26 anos e sou graduada em Pedagogia.

Amo cinema, comida, literatura e pessoas. Nessa ordem.

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#LeiaMulheres: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão – Martha Batalha

Já falamos por aqui sobre o #LeiaMulheres e sobre o quanto consideramos válida a iniciativa, logo, sempre que possível indicaremos algum livro bacana escrito por uma mulher. O de hoje é “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, escrito por Martha Batalha. O livro em questão narra a trajetória de Eurídice, uma mulher pertencente a classe média carioca e nascida na década de 20, época em que as mulheres obrigatoriamente eram submissas aos maridos, a sociedade ainda mais machista e a vizinhança bem mais tacanha que atualmente.

 

Paralelo às desventuras de Eurídice conhecemos também a história de Guida, sua impetuosa irmã. Embora distantes em temperamento e personalidade, uma vida de sofrimento as uniam, mostrando-nos que naquela época ser infeliz era quase uma regra para quem nascia mulher. É um livro de leitura bem fácil, terminei suas 188 páginas em 2 dias. Ao fim fica impossível não se questionar sobre quantas mulheres talentosas, que poderiam ter realizado grandes feitos, foram diminuídas pela estrutura machista da sociedade e passaram pelo mundo quase invisíveis, tal qual Eurídice. Uma história que causa reflexões mais que necessárias em tempo de enaltecimento das belas, recatadas e do lar.

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“Porque Eurídice, vejam vocês, era uma mulher brilhante. Se lhe dessem cálculos elaborados ela projetaria pontes. Se lhe dessem um laboratório ela inventaria vacinas. Se lhe dessem páginas brancas ela escreveria clássicos. Mas o que lhe deram foram cuecas sujas, que Eurídice lavou muito rápido e muito bem, sentando-se em seguida no sofá, olhando as unhas e pensando no que deveria pensar. E foi assim que concluiu que não deveria pensar.” (Trechinho da página 12 pra dar vontade de ler o resto!)
 
Após muitas experiências decepcionantes, não leio mais nada sem prévia pesquisa ou sugestão de pessoas com gosto literário similar ao meu. Esse eu comprei após ler a indicação da Ruth Manus, escritora e colunista do Estadão que ADORO. Também por meio da página dela soube que os direitos cinematográficos da obra foram comprados por Rodrigo Teixeira, da RT Features, e será dirigido pelo INCRÍVEL, LINDO, SENSACIONAL Karïm Ainouz (que também dirigiu “O céu de Sueli”, “Madame Satã”, “Abismo Prateado” e “Praia do Futuro”). Resta agora aguardar a transposição para as telas da história de Eurídice, que também é a história de nossas Mães, Avós e de tantas outras mulheres que poderiam ter sido, mas passaram pelo mundo quase invisíveis.

 

Para quem gosta de literatura, há outros posts no blog sobre o tema:

Autoras mulheres que usavam nomes masculinos

5 escritoras para conhecer e se apaixonar

Leituras l Meus contos preferidos

50 tons de sacanagem

 

Por Daniele Fabre

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Tenho 26 anos e sou graduada em Pedagogia.

Amo cinema, comida, literatura e pessoas. Nessa ordem.

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O lado bom de 2016

Vocês acharam que a bad não ia bater hoje, né?

 

Fim do ano chegando e com isso também vem: amantes de uva passa x odiadores de uva passa, tios fazendo a piada do pavê e perguntando dos namoradíneos, calor infernal, promessas que jamais cumpriremos e, principalmente, reflexões.

 

Todo final de ano costumamos refletir sobre o que aconteceu. Muita coisa acontece em 365 dias, boas e ruins, e no final geralmente não entendemos nada. 2016, particularmente, foi um ano MUITO difícil. Perdemos muita gente, inclusive a nossa amada democracia (que Deus a tenha), e sofremos bastante, mas nem tudo está perdido.

 

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Tudo na vida, tudo mesmo, tem um motivo de acontecer. Por maiores que sejam as tragédias e tristezas, sempre haverá uma explicação, uma missão e cabe a nós o aprendizado. Tentar extrair felicidade até das pequenas coisas nos ajuda a seguir em frente (e a não pirar de vez)

 

Pensando nisso, esse post é sobre #CoisasFelizesDe2016!! Reunimos alguns acontecimentos felizes deste ano para que você veja que não seria justo só reclamar de 2016.

 

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Filmes legais

 

Gente, foram muitas estreias esse ano! Principalmente para quem ama super-heróis, 2016 foi um ano muito bom para ir ao cinema. Eu, particularmente, gastei rios de dinheiro em ingressos de estreia e baldes de pipoca. Vou dizer uma coisa: valeu muito a pena! Ver uma estreia de algum filme da franquia de Harry Potter valeu pelos anos de espera, foi muito emocionante!

 

Oscar do DiCaprio

 

Aproveitando o tema “filme”, não podemos esquecer do primeiro evento do ano que quebrou a internet: o oscar de Leonardo DiCaprio. Dizem que foi isso que fez 2016 desandar; a gente não liga. O importante é que, depois de anos de espera, Leozin ganhou o tão esperado Oscar em 2016.

 

Álbuns das divas

 

No mundo da música também teve coisa boa! Rihanna lançando o ANTI, Beyoncé lançando o Lemonade e Lady Gaga voltando ao pop com Joanne. O pop trouxe muitas alegrias aos seus fãs e fez muita gente perder a linha (quem nunca roçou a bunda no chão ao som de Work?). Obrigada pelo feito, divas. <3

 

Olimpíadas Rio 2016

 

O evento que parou o país. Desde a abertura LACRADORA, com direito a transexuais nas bicicletas, passando pelas medalhas, superações e terminando em memes maravilhosos. Foram duas semanas em que não desgrudamos da televisão e vibramos a cada conquista. Depois das Olimpíadas, ainda tivemos as Paralimpíadas. As vendas estavam ruins, mas o apelo foi tão grande que a grande maioria dos eventos ficou lotada! O espírito dessa época foi tão contagiante que fez até com que agosto passasse rápido.

 

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Miss negra

 

Apesar de concursos de beleza serem totalmente questionáveis, em 2016 tivemos a segunda miss Brasil negra, 30 anos depois da primeira. Raissa Santana é uma menina linda e sua vitória foi muito representativa para todas as negras que não se veem representadas no mundo da moda. Foi uma conquista e tanto! Recentemente também tivemos a Taís Araújo sendo eleita a mulher mais sexy do mundo. Viva a beleza negra!

 

Derrota do PMDB

 

Isso foi lindo demais, mesmo que tenha sido um pequeno passo ainda. Após ANOS no poder da cidade do Rio de Janeiro, o PMDB, partido que faliu o Estado, não chegou nem ao segundo turno nas eleições para a prefeitura. Pedro Paulo, agressor de mulher, amargou o quarto lugar e viu um professor de esquerda disputar a prefeitura. O resultado não foi OH QUE MARAVILHA, mas tivemos alguma vitória, pelo menos.

 

Ocupações e o povo resistindo

 

Ainda falando de política, 2016 mostrou que as pessoas estão, sim, resistindo aos absurdos que esse governo vem fazendo. Os movimentos estudantis, com as ocupações, e os protestos na Alerj, onde até PMs participaram, dão um pouquinho de esperança: vale a pena lutar e não se calar. Talvez um dia essas manifestações tenham o respeito que merecem, mas até lá vamos continuar dando nosso apoio e torcendo para que tudo melhore.

 

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Bibliotecas do Estado recebendo verbas

 

Essa eu juro que não sabia. Mas a minha amiga Ariel, bibliotecária, me contou que o Estado distribuiu boas verbas para as bibliotecas e assim elas puderam comprar mais livros. Uma ótima notícia! Vamos incentivar a leitura e aproveitar para pegar uns livrinhos bem novos.

 

Esses foram alguns dos bons acontecimentos de 2016 que reunimos para que você tenha alguma esperança e pense “ué, até que não foi o fim do mundo”. Faça uma lista também, com as coisas boas que te aconteceram. Eu fiz e fiquei feliz.

 

Pense sempre nos lugares que você visitou, nas novas comidas que você experimentou, nos amigos que você fez, nas pessoas que você viu casando ou nascendo. Pense na casa que você tem, nos amigos que você tem, na família que você tem. Agradeça por não ter perdido ninguém. Se perdeu, agradeça por ter tido a oportunidade de estar com esse alguém. Agradeça pelo que você ganhou, pelo o que você perdeu, pelo o que você cresceu. Por pior que tenham sido os acontecimentos, lembre-se que você está aqui cumprindo uma missão e tudo que você passa serve para te ensinar alguma coisa.

 

Tenham um bom fim de 2016 e um 2017 muito melhor!

 

“Pode-se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz” 

Alvo Dumbledore

Por: Flávia Muniz

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Sou estudante de Letras e tenho 21 anos. Professora por formação e maquiadora por paixão. Meus interesses vão de política até fofoca sobre famosos. Se quiser saber mais, pode me seguir no Instagram e no Twitter.

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o que é empoderamento e porque precisamos dele

Acho que no último ano a palavra que mais se ouviu falar até agora foi empoderamento, mas muita gente não sabe bem do que se trata, não é mesmo? A primeira palavra que vem à cabeça quando ouvimos falar em empoderamento COM CERTEZA é “poder”. Mas que tipo de poder? E o que seria empoderar alguém ou ser empoderada por alguém? Bom, isso é o que vamos ver no post de hoje!

 

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O empoderamento da mulher

 

Como vocês já devem saber, vivemos em uma sociedade machista. A maioria dos ocupantes de cargos altos em empresa são homens. A maioria dos políticos que governam são homens. Homens possuem os maiores salários e possuem muitas vantagens: são menos criticados por suas atitudes, podem engordar e envelhecer sem encheção de saco, cometem atrocidades que são justificadas por todos, inclusive pela mídia e imprensa, são campeões em relacionamentos abusivos e em cometer as mais diversas violências contra as mulheres. Até nos casos de crimes cometidos contra as mulheres, a mídia e a sociedade procuram no comportamento DA MULHER VÍTIMA uma justificativa para o que lhe ocorreu. Por todas essas situações e muitas outras mais, é preciso que a mulher tome consciência de seus direitos. A essa simples tomada de consciência, esse simples plim-plim que ocorre na cabeça de uma mulher quando ela pensa: ei, mas por que só eu tenho que limpar a casa? Ei, mas por que eu ganho menos se eu faço o mesmo trabalho do meu colega aqui? Ei, mas por que eu preciso sempre pintar o cabelo enquanto esse homem da mesma idade pode ser grisalho e considerado charmoso? Quando essas perguntinhas surgem: eis o primeiro passo para uma mulher empoderada.

 

 

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O empoderamento estético

 

Como o mundo é machista, as mulheres são muito cobradas por seus atributos físicos. Sempre sofremos comparações e sempre somos julgadas pela aparência: não pode ser gorda demais, nem magra demais, nem musculosa demais. Não pode ter cabelo branco, nem crespo, nem pouco volumoso, nem frisado. Não pode ter peito pequeno, mas também não pode ser muito grande; não pode ser caído e é melhor que seja natural. Não podemos ter estrias, nem celulite, nem manchas pelo corpo. Não pode ter pelos. Tem que estar sempre com as unhas feitas e grandes, mas não muito grandes. Também não pode esquecer de fazer as sobrancelhas, buço, e depilar tudinho. Mulheres são cobradas esteticamente pelo que aparece nas revistas, jornais, filmes e novelas. O padrão de beleza varia pouco de país para país, mas em geral, bonitas são as suecas. Quantas mulheres se odeiam porque nunca serão loiras, magrelas e de olhos claros? Hoje em dia o discurso do empoderamento está avançando (graças a Deus), e já existem muitas opções de roupas para todos os tipos de corpos, muitas referências de moda fora das revistas (em blogs, vlogs e instagrams), e muitos grupos de mulheres que se ajudam nessa questão do amor próprio e da aceitação da própria imagem. As marcas sempre ganharam muito dinheiro com a insegurança das mulheres: produtos para pele, cabelos, roupas, clínicas de estética. Hoje, a abordagem das marcas mais inteligentes está mudando, e caminhando para um discurso mais inclusivo, ao invés do clássico “isso pode x isso não pode”, “tal coisa só fica boa em mulher magra/branca/de cabelo liso”. Quando começamos a nos amar, a encontrar  formas de resistir e aceitar nosso corpo, nosso cabelo, nossas marcas pelo corpo, nossos pelos, aí começa a semente do empoderamento.

 

 

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O empoderamento feminino nos relacionamentos

 

Esse é o mais importante de todos, mas está interligado aos que citei anteriormente. Na verdade, todo empoderamento é uma coisa só: é um processo em que a mulher finalmente percebe que está sendo desrespeitada de alguma forma e resolve mudar sua forma de se enxergar, de agir consigo mesma e também diante das situações que venham tentar colocá-la para baixo. Muitas mulheres possuem a auto estima tão fragilizada, são tão inseguras, que aceitam coisas inaceitáveis num relacionamento. Desde o clássico “você está louca”, que passa a ser uma maneira cotidiana de desprezar os sentimentos da mulher, até os casos de violência física e verbal: todo relacionamento abusivo pode ter fim quando a mulher se empodera. Se empoderar é tomar coragem para sair de uma relação ruim tendo a certeza de que vai ser feliz, de que merece ser amada, de que tem valor, merece respeito, carinho, afeto, confiança. Se empoderar é tomar coragem para denunciar violências. Se empoderar é ter certeza de que não está maluca, que tem argumentos e que não vai tolerar um tratamento desrespeitoso, traições, manipulação e violência. Se empoderar é também se preparar financeiramente para sair de um relacionamento. Nos últimos dois meses ouvi relatos de 3 mulheres diferentes, de faixas etárias diferentes, que não “podem” se separar dos maridos porque não tem condição financeira pra isso. É importante tomar consciência inicialmente, para em um segundo momento se qualificar e conquistar seu emprego e sua independência financeira, não se esquecendo de que existem meios jurídicos para se separar e ter algum amparo.

 

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Por todas as injustiças e opressões que sofremos diariamente, é importante nos informarmos, estarmos cercada de mulheres que nos entendem, que nos ajudam, e principalmente: nos  empoderarmos! Se você tem condições, ajude uma mulher que precisa. Elogie uma mulher todos os dias. Se você tem condições, dê emprego para mulheres. Se você é advogada, atenda mulheres que precisam de ajuda. Se você não tem condições, insira uma mulher que precisa de ajuda em grupos feministas, sempre haverá alguém disposta a ajudar, sempre haverá alguém que passou pela mesma situação. Ao contrário do que tentam nos fazer acreditar ao longo das nossas vidas, nós, mulheres, não somos inimigas. Vamos juntas? We can do it!

 

 

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Luma Mattos

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Faculdade, casamento e filho: como lidar?

Estavam com saudades??????? Pois eu também! Fiquei pensando em que tema escrever pro blog após uns meses sem ter tempo nenhum, e aí resolvi refletir sobre minha própria vida, as complicações de virar adulta e as voltas que a vida deu até então. Bem, como contei pra vocês, ano passado fui morar sozinha, e acabou que meu namorado meio que foi ficando, ficando, até que esse ano nos casamos de fato e descobrimos que estamos grávidos <3

É claro que isso mudou todo o rumo da minha vida, e por isso tive que me adiantar na faculdade e deixar algumas coisas em segundo plano. Toda essa loucura me fez pensar em muitas coisas que eu gostaria de compartilhar com vocês, porque muitas podem estar passando pela mesma situação. São muitas coisas acontecendo, mas acho que posso resumir tudo em: NÃO AGUENTO MAIS COBRANÇAS.

 

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É impressionante como as redes sociais e nossa exposição na internet, ainda que mínima, faz as pessoas se sentirem no direito de nos cobrarem o tempo todo: todo mundo quer ser respondido na hora, quer curtida no post, quer atenção, quer que você vá visitar, quer foto junto, quer estar presente na sua festa de casamento… Enfim, as pessoas acham que os outros vivem em função de servi-las. Isso é algo que tem me irritado bastante. Na verdade, não apenas as cobranças, mas pressupor que você sempre tem tempo, dinheiro, disposição e zero problemas, isso sim é uma coisa que me irrita. Ao invés de cobrar seus amigos como se você fosse um chefe, mostre que se importa com uma linguagem mais sutil, como por exemplo:

 

“Estou com saudades, quanto tempo a gente não se vê! Quando podemos nos encontrar?”

“Reparei que você sumiu, anda sem tempo? Precisa de ajuda com algo? Tô aqui hein!”

“Tudo bem, amigue? Vi isso aqui e lembrei muito de você, saudades!”

 

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Outra coisa que me incomoda muito: crueldade na vida acadêmica. 

 

É impressionante como os professores da faculdade se acham semideuses. Sim, eles pensam que a disciplina deles é a matéria mais importante da faculdade, que o seu emprego não é importante, que  sua família não é importante, que seus amigos não são importantes, que sua saúde não é importante e que você dispõe de  todo o tempo do universo pra ler 1 livro por semana e fazer trocentos trabalhos por mês, isso tudo além de achar que todo mundo tem internet boa, computador em casa, webcam, celular que responde email na hora, etc. Falta empatia, falta diálogo com os alunos, falta bom senso e uma boa análise da conjuntura atual: quem são meus alunos? Qual a classe social deles? A maioria deles trabalha? Será que esse aluno que faltou x vezes tem filho, teve alguma doença, será que devo abrir algumas exceções na minha infinitíssima lista de regras?

 

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Coisas que me incomodaram sobre o casamento: pessoas que não tem consideração nenhuma.

 

Eu sei que essa história é mais velha que andar pra frente, mas quando acontece com você, fica evidente: você vai descobrir que não conhece as pessoas tão bem quanto pensava. Você fica meses planejando, batendo cabeça com a lista, selecionando pessoas indispensáveis, quando tem a oportunidade, paga uma fortuna para que cada uma delas esteja ali e sabe o que acontece? Várias delas não te prestigiam por motivos ridículos, várias delas não tem a consideração de te avisar que não vão, várias delas sequer te respondem, várias te confirmam que vão sem a menor intenção de ir, e o pior: várias só se importam com cachaça. Não vai ter bebida no teu casamento? Se prepara pra acabar a festa 2 horas antes, porque as pessoas não conseguem mais estar presentes em um ambiente sem bebida. A bebida é mais importante que você e os 12 meses que você passou planejando aquele momento. Vai ter bebida no seu casamento? Muita gente vai estar ali por ela e pela comida de graça, não por  você. Desculpem o choque de realidade, massssss… Ah, e não posso me esquecer de falar das pessoas que você considerava queridíssimas e que só vão pra falar mal. Sim, elas existem, estão em todos os lugares, provavelmente no seu casamento também. No final das contas, se você tem o sonho de viver esse momento de forma tradicional, faça tudo como você e seu parceir(a) sonharam, todo o gasto financeiro e emocional é só pra fazer vocês felizes, muitos outros não se importam.

 

 

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Coisas que me incomodam sobre a gravidez

 

Na verdade não é bem sobre a gravidez, coitado do bebê, não tem culpa (só dos enjôos e vômitos rotineiros), mas o que você vai descobrir quando engravidar, é a sem noçãozisse das pessoas e dos médicos. Estou no 4º mês e ainda procurando um médico que me trate bem, que tire minhas dúvidas, que me escute. Se alguém puder me indicar, comente nesse post. Sobre as pessoas: não importa o grau de intimidade, todo mundo vai comparar sua barriga com a barriga de outras grávidas pra poder dizer ou que tá muito grande pro tempo de gestação, ou muito pequena. Todo mundo vai te perguntar  como você engravidou (a resposta é simples: transei). Todo mundo vai te perguntar se é parto normal ou cesariana e vai se sentir no direito de te dizer pra não escolher x, escolher y, por causa disso disso e aquilo. Todo mundo vai te dar conselho, até mesmo quem não tem filhos. Todo mundo vai tentar colocar todo o peso e responsabilidades em cima de você que é a mãe, sob a justificativa de que “ah mas mãe é mãe”. Tudo que você planeja, as pessoas vão dizer ou que você não vai conseguir, ou que vai ser muito difícil, ou que é fácil pra você porque você tem muitas regalias, enfim: tudo que as pessoas disserem, será num tom arrogante ou crítico. Dificilmente foge disso. As poucas pessoas que fugirão disso são alguns amigos próximos e algumas mães que não fazem com você tudo que fizeram com elas.

 

Nossa, Luma, quanta coisa chata! E agora? Como lidar com tudo isso?

Bom, a gente não pode deixar a nossa felicidade de lado. Temos que pensar um pouquinho em nós e ignorar o que não nos faz bem, por isso: vá assistir um filme, não fique presa só nas obrigações, curta a vida, esteja com quem quer estar perto, vá à praia, ignore pessoas que não te fazem bem. Aos poucos essas fases estressantes  vão passando, a vida vai melhorando e a gente vai ficando mais craque ainda 🙂

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Luma Mattos

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