Diva mas sem Frescura

Chester, suicídio e depressão

Todo mundo tem crises existenciais de tempos em tempos, e é muito comum nos perguntarmos “Deus, o que é que tá acontecendo?” ou então simplesmente concluímos que estamos infelizes. Depois do suicídio do Chester, vocalista da banda Linkin Park, eu fiquei pensando sobre essa questão: em algum ponto da vida a gente pode concluir que não apenas está, mas que É infeliz, e fiquei refletindo sobre como esse sentimento de fatalidade pode levar às pessoas a perderem toda a esperança a ponto de acabarem com suas próprias vidas.

 

Infelizmente, a depressão ainda não é levada a sério por muitas pessoas, que não entendem que é uma doença e que precisa de ajuda profissional, além de muito apoio e paciência de familiares e amigos. É muito difícil lidar com uma pessoa deprimida, porque o emocional dela vai além da tristeza, e no mundo de hoje estamos tão mergulhados nos nossos afazeres, nas nossas vontades, em nós mesmos, que não temos tempo ou paciência o suficiente para enfrentar os problemas de outra pessoa, não importa o quão querida ela seja.

 

O que eu quero dizer para você que está lendo esse texto e pode estar triste ou até mesmo deprimida, com pensamentos suicidas ou que envolvem morte, é o seguinte: pense em todos os momentos que você estava profundamente triste e superou. Pense em todas as dificuldades que você passou e que acabaram. Pense em quantos problemas você já resolveu, quantas pessoas já ajudou, quantas vezes você superou sua vontade de desistir e continuou? Eu posso não te conhecer, mas tenho certeza que foram muitos. Por mais que a gente acredite estar sozinho, nós não estamos. Você não está. Existem milhares de pessoas que você pode nunca ter visto na vida, mas que estão passando ou já passaram pelo mesmo que você, e são perfeitamente capazes de te entender e te ajudar. Não tenha medo ou vergonha de procurar ajuda, mesmo que seja no facebook, no instagram, neste blog, em vídeos do youtube, simplesmente compartilhe com alguém. Desabafe. Tenha coragem de ser vulnerável.

 

Além disso, é muito importante não se comparar com as outras pessoas. Pode parecer clichê, mas todo mundo passa por uma luta que não sabemos qual é. Todo mundo tem problemas. Todo mundo sofre. Mesmo que todos do seu círculo só mostrem vitórias, conquistas, momentos de felicidade. Meu pedido aqui é que você nunca compare sua vida, seus problemas, seus talentos, com a vida, os problemas e os talentos de outra pessoa. Podem existir milhões de mulheres lindas, isso não diminui a sua beleza. Podem existir milhões de jovens talentosos, isso não anula o seu talento. O sucesso de uma pessoa não é um parâmetro para o seu próprio sucesso. Você pode fechar os seus olhos e ter certeza de que é amada por alguém nesse mundo, de que é insubstituível e única, e se você nasceu, é porque só você, com toda a sua história, sua vida e suas características, é que poderiam preencher esse lugar no universo.

 

Tudo nessa vida é passageiro: a tristeza e a felicidade também. Os fracassos passam, os sucessos também. As conquistas passam, as perdas também. A dificuldade passa, e os momentos tranquilos também. E nessas passagens é que descobrimos mais sobre nós mesmas, sobre o que podemos suportar, sobre nossa capacidade de superação e de seguir em frente ainda que não superemos, sobre quem éramos, somos e seremos. Nunca se esqueça que um momento triste não é o fim. E que mesmo fins também são novos recomeços.

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Luma Mattos

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5 Comfort Movie para assistir na Netflix

Acho que todos conhecem a expressão “comfort food”, que representa aquela “comida que abraça” e gera bem estar, mesmo sem se tratar de algo super sofisticado ou elaborado. Pois bem, eu adoro comidinhas que abraçam e tenho essa mesma sensação com alguns filmes que assisto vez ou outra, quando preciso de horinhas de leveza e conforto. Não necessariamente eles possuem enredos 100% felizes, mas todos transmitem uma mensagem positiva e proporcionam uma sensação gostosa, mesmo em meio a acontecimentos dramáticos. Todos estão disponíveis no catálogo da Netflix na data do post!

 

Meia noite em Paris – Woody Allen

Dentre os mais recentes do Woody Allen esse é um dos meus preferidos. É um charme de filme em um cenário apaixonante e um deleite para fãs de literatura (embora eu acredite que não entender as referência literárias não compromete muito a experiência com o filme). Essa comédia romântica nos mostra a história de um jovem escritor (Owen Wilson) que está passando as férias em Paris com sua noiva e que faz uma espécie de viagem para o passado em seus passeios noturnos solitários. Em tal viagem o protagonista é acompanhado por grandes nomes da literatura e, através dela, o jovem escritor percebe a sua insatisfação com a vida que está levando.
 

Boyhood: Da Infância à Juventude – Richard Linklater

Provavelmente você pelo menos ouviu falar nesse filme em época de premiações. Ele foi filmado ao longo de 12 anos e, como sugere o nome, nos mostra a trajetória de Mason de sua infância até a sua juventude, com seus conflitos, descobertas e dramas familiares. Gosto muito da forma pela qual é exposta a passagem do tempo, através das roupas músicas e cultura pop, nada de legenda com “5 anos depois” e corte pra próxima cena. Apesar de um ou outro acontecimento mais melancólico, considero um filme alegrinho, que deixa uma sensação boa e que combina com o restante da lista.
 

O Fabuloso destino de Amélie Poulain – Jean-Pierre Jeunet

Essa gracinha de filme conta a história de Amélie, uma moça sonhadora que teve uma infância solitária e, descrita no filme como uma pessoa “sensível ao charme discreto das coisas simples da vida”. A história se passa na charmosa Paris e o enredo se desenrola quando Amélie encontra uma caixinha dentro de seu apartamento e decide procurar o dono. A partir daí ela percebe a grandiosidade que pequenas ações podem carregar e passa a se dedicar ao ofício de praticar pequenos atos positivos. Esse é totalmente comfort movie e é inevitável terminar a película com aquela sensação de que o mundo e as pessoas são boas em essência.
 

Chef – Jon Favreau

Conta a história de um chef de um restaurante badalado que constantemente enfrenta seu chefe ao querer inovar o cardápio ao invés de preparar os tradicionais pratos do local. Quando um renomado crítico gastronômico faz uma dura nota criticando, justamente, a falta de criatividade do cardápio, o protagonista briga com o crítico, é demitido, sua “má fama” se espalha pelo twitter e resta a ele recomeçar abrindo um food truck, contando com a ajuda do filho e da ex esposa. Um enredo aparentemente bobo, né!? Mas o filme é uma gracinha, vão por mim.
 

Comer, Rezar, Amar – Ryan Murphy

Esse famoso romance baseado no livro homônimo conta a história de Liz Gilbert (Julia Roberts), uma mulher recém divorciada que até então possuía uma vida e uma carreira estáveis. Diante do divórcio e reviravolta na vida pessoal, a escritora começa a questionar suas prioridades e inicia uma busca rumo ao autoconhecimento, que a leva à Italia, à Índia e a Bali, locais nos quais ela vivencia o Comer, Rezar e o Amar que dão nome a obra. (Que chato, né! Imagina se pudéssemos viajar o mundo a cada vez que rola uma sofrência… hahahaha)
 

E aí!? Lembram de mais filmes gracinhas que geram essa sensação de conforto?

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Daniele Fabre

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É muito mais fácil ser um bom pai do que uma boa mãe

Minha filha está no auge de seus dois meses, e nesse pouco tempo em que ela está, de fato, nesse mundão de meu Deus, pude sentir na pele tudo aquilo que eu já sabia: o mundo é cruel demais com as mulheres, mas em especial com as mães. Sempre ouvi dizer que o filho é mais da mãe, que mãe é mãe e que por melhor que seja o pai, nem se compara à mãe, mas no auge do meu amor pelo marido (eu ainda o amo, não me entendam mal), eu jurava que comigo seria diferente. Mas não é. Não coloco a culpa de toda a desigualdade na nossa divisão de tarefas nele, mas na sociedade que impossibilita uma divisão real de tarefas maternas e paternas.

Meu relato aqui é específico para o meu caso: sou mãe de primeira viagem, casada e minha filha mama exclusivamente no peito. Essas informações são relevantes pra entender que se tá ruim pra mim, a coisa é muito pior pra mulheres que não tem o apoio do pai do bebê e são mães solo.

 

 

Pra começo de conversa, mãe é mãe antes do pai ser pai. Pode parecer um extremismo, mas acredito que toda mulher que já engravidou sabe do que estou falando e provavelmente concorda. Durante a gestação, nós já cuidamos do bebê através do cuidado que temos com a nossa própria saúde. Eu sempre odiei dieta, mas pela Maya, eu fiz. Eu sempre amei refrigerante, mas pela Maya eu parei. Eu nunca fui chegada em vegetais, mas pela Maya, eu comi. Tudo o que nunca fiz por mim eu me esforcei pra fazer por ela, porque desde o momento em que caiu a minha ficha de que eu estava gerando um outro ser, meu corpo e alma se dedicaram a fazer isso da melhor maneira possível. Foram muitos enjoos, restrições alimentares, uma dificuldade muito grande de trabalhar com um barrigão em pleno verão, muito xixi, muito cansaço, muito sono, e mesmo assim continuei me esforçando, trabalhando muito e descansando pouco, estudando, fazendo tudo o que eu fazia antes mas com muita dificuldade (porque gravidez pode até não ser doença, mas nos dá várias limitações que somos obrigadas a superar para não sermos consideradas “frescas”).

 

Como nem só de sacrifícios vive uma grávida, cada interação com o pequeno ser que crescia dentro de mim me enchia de felicidade, me renovava, me deixava na ânsia de conhecer aquela pessoa que meu corpo estava formando. E parecia que ela estava tão ansiosa quanto eu. Para um homem, a ficha demora muito mais a cair. Mesmo que o pai do bebê fique ao seu lado e te apoie, o fato é que você sofre sozinha a montanha russa hormonal, as alterações de humor, a mudança nas necessidades físicas e psicológicas que o seu corpo sofre por conta do bebê. O pai só vem a ser pai depois do nascimento, mas a mãe é mãe desde o momento em que descobre e se dá conta de que precisa fazer alguns esforços para que aquela vida crescendo em seu interior vingue e nasça com saúde.

 

 

O machismo institucional: entende-se que cuidar do bebê é obrigação apenas da mãe

 

 

Pois bem, nasceu a criança. O pai? 5 dias de licença paternidade. A mãe? 120 dias. Eu não vou entrar no mérito da dor das contrações, que ultrapassam nosso limite do racional, e nem na dor do parto, nem dos pontos. Aliás vou sim. A gente tá lá, cheia de pontos, com a ppk aberta ou com a barriga, e mesmo assim a gente amamenta, dá banho, cuida, dá carinho. E a ajuda que recebemos? Um trilhão de palpites e críticas, e o próprio sentimento de que nosso esforço é vão e estamos fazendo tudo errado. As primeiras semanas pós parto são muito, muito, MUITO difíceis. Mais uma vez a montanha russa hormonal ataca novamente, e a tristeza que nos assola é constante. As alterações de humor lembram uma TPM bem pesada, mas se agravam com a responsabilidade cuidar de uma outra vida 100% dependente de você.

 

O primeiro desafio é conseguir amamentar, pois os bebês (ao contrário do que se imagina) não nascem sabendo. E as mulheres também não nascem sabendo amamentar. Pois bem: eu tentando aprender a amamentar e ela tentando aprender a mamar: foi muito choro, muita perda de peso e muita tristeza. Pensam que a família compreende? Não. Todo mundo se preocupa com o bebê, mas não com a mãe. Ninguém entende e considera que você agora sofre duplamente: por você e pelo bebê, que você provavelmente ama mais que tudo na sua vida. Eu não gosto de generalizar, mas é realmente muito comum que a maioria das mães sinta um amor avassalador por seus filhos. É um sentimento incomparável. Não amamos ninguém nesse mesmo nível, nem nossas próprias mães. Esse instinto de leoa nos faz ficar muitas vezes sem comer, sem tomar banho, sem ir ao banheiro, pra ficar com o bebê e garantir que ele está bem e feliz. Enquanto isso, o pai está junto com o resto de toda a família (as duas: a dele e a sua) te dando palpites e te criticando. É na melhor das intenções? É. Ajuda em alguma coisa? Só no aumento do seu sofrimento e da sua solidão.

 

 

 

A partir de agora, é você e o bebê. Só o bebê te entende e te perdoa. O que mais me ajudou foi o amor da minha filha. Seu bebê não se importa se você é inexperiente, se você não está cheirosa, se seu cabelo está feio, se você é inteligente, se você tem ensino médio, graduação, mestrado e doutorado, se você pesquisou muito ou nada, se você sabe ou não sabe trocar fraldas: você é a mãe, e ele te ama mais do que tudo e todos, assim como você o ama. O bebê pode ter pai, avós, tios, primos e o universo bajulando: se a mãe não estiver por perto, ele vai chorar e se sentir desprotegido. O bebê quer VOCÊ, mãe, perto. O bebê quer o SEU colo, o SEU carinho, quer ouvir a SUA voz. Não importa se você vai errar tentando descobrir os motivos do choro, ele te perdoa e quer estar ao seu lado 100% do tempo. Isso faz com que tudo perca a importância: você deixa de trabalhar, deixa suas necessidades de lado e vai cuidar do seu bebê e retribuir todo o amor e confiança que ele te dá.

 

 

 

O pai chegou do trabalho e fez o bebê rir, trocou 1 fralda (após você pedir, claro). Pronto. É um ótimo pai. Ajuda muito. Você abandonou seu trabalho, suas necessidades, fica horas sem banho, com fome, apertada pra ir ao banheiro, acordando de 3 em 3 horas pra amamentar, noites sem dormir de preocupação com a saúde frágil do bebê, você segura o bebê pra dar vacina, você toma banhos de 5 minutos pro bebê não chorar, você se arruma pra sair, arruma o bebê e arruma a bolsa do bebê, mas bom mesmo é o pai que troca uma fralda por dia. De você, mãe, é esperado que o bebê nunca chore, esteja sempre saudável, no peso certo, nunca sinta dor, esteja sempre cheiroso, esteja sempre sorridente, nunca faça manha ou malcriação. Mesmo que você consiga gerenciar isso tudo com sucesso, ninguém vai te elogiar e achar que você é uma boa mãe, pois as pessoas pensam que isso não é mais do que sua obrigação. E como você passa o dia inteiro com o bebê, ele vai se apegar. E se ele sentir falta do seu colo e chorar, vão dizer que a culpa é sua, que acostuma no colo, mima demais, não coloca no carrinho, não coloca no berço. Do pai, é esperado que pegue o bebê no colo e brinque por 3 minutinhos. Só isso. E ele receberá todas as honras, méritos e glórias de ser um ótimo pai.

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Luma Mattos

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Faça você mesma: desodorante caseiro

 

Hoje eu vim aqui compartilhar uma receita que venho usando há mais de 6 meses e só tenho elogios: desodorante caseiro. O que me motivou a fazer desodorante em casa foram os seguintes motivos:

 

– A maioria dos desodorantes industrializados têm muitos componentes químicos que fazem mal à nossa saúde. Desde fixadores de cheiros sintéticos que podem causar irritação na pele até o alumínio, que pode ser nocivo se usado a longo prazo, pois obstrui nossos poros. O objetivo do alumínio é evitar o suor, mas acontece que os poros param de respirar e o efeito pode ser o contrário: aumento de mau cheiro, o que leva ao uso cada vez mais constante do produto, em um ciclo vicioso.

 

– Algumas pesquisas mostraram que o uso frequente de desodorantes industriais pode causar câncer de mama, pois as substâncias químicas são depositadas diariamente na região ao redor das axilas e lá ficam até serem absorvidas pelo nosso organismo.

 

– Alguns desodorantes de aerosol (que eram os que eu usava) ainda são nocivos ao meio ambiente por causa do gás que liberam!

 

– Preço! O preços dos desodorantes são bem salgadinhos se levarmos em conta a quantidade e a frequência que precisamos comprar.

 

Juntei todos esses motivos e fui atrás de uma receita de desodorante caseiro para chamar de minha. E eu achei! Posso dizer que foi uma das melhores coisas que descobri! Quando eu fui testar pela primeira vez, eu fiquei em casa, pois estava com medo de não funcionar e eu começar a feder no meio da rua kkkkkk mas surpreendentemente deu muito certo! Funciona melhor do que o desodorante industrial pra mim. Não fico com NENHUM cheiro. Eu preferi fazer uma receita pastosa, tipo um creme, mas que não fica melequento. Vamos lá:

 

– 1/3 xícara de amido de milho

– 1/3 xícara de bicarbonato de sódio

– 3 colheres rasas de sopa de óleo de coco

 

Misture tudo até ficar uma pasta espessa. Qualquer coisa, coloque mais ingredientes de forma proporcional até formar uma pastinha. Você pode colocar umas gotas de algum óleo essencial da sua escolha, tipo lavanda, para dar um cheirinho. A primeira vez que eu fiz, eu coloquei. A segunda vez, eu não coloquei. O óleo de coco já dá um cheirinho bem de leve e pra mim que uso perfume prefiro um desodorante de cheiro mais neutro. Você também pode fazer mais do que essa quantidade aí de cima, desde que vá aumentando tudo proporcionalmente. Acabou de misturar? Então coloque a pasta num pote de vidro com tampa e deixe na geladeira por 40 minutos. Depois é só tirar e colocar na sua estante do dia a dia. Quando for aplicar, coloque uma camada fina nas axilas. Não precisa colocar muito, até porque vai ser uma sensação desagradável aquela camada grossa de pasta no sovaco. Eu indico fazer como eu fiz: testar em casa antes de usar na rua, para evitar a catinga pública. No mais, eu estou economizando surrealmente com desodorante. Praticamente cortei esse item das minhas despesas. E essa receita dura muitooooo. Sinceramente? Só vejo vantagem! <3   E ai? Ficaram curiosas para testar?            

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Olga Bon

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Vale a pena “salvar um relacionamento”?

“5 passos para salvar o casamento”
 
“Dicas para apimentar a relação”
 
“Como salvar um relacionamento desgastado”
 
“Blinde o seu casamento”

Quantas vezes vocês já viram esse tipo de matéria em revistas e sites voltados para o público feminino? (Muitas, aposto!)
 
E em revistas ou sites voltados para homens, vocês já encontraram esse tipo de postagem? (No meu caso, vi uma única vez)
 
Por que esse discurso de blindar ou salvar a relação é voltado majoritariamente para mulheres?

 

Dicas Bela Gil: Você pode substituir um marido ruim por um novo amor!

 

Não me agrada muito a ideia de lutar por um relacionamento, seja ele qual for, mas, se for o caso, é o tipo de coisa que exige que as duas partes envolvidas estejam igualmente dispostas a fazer algo. Infelizmente, o que vemos é uma enorme pressão social para que a mulher carregue tal tarefa sozinha. Quase toda a responsabilidade de conquistar e manter um relacionamento recai sobre nós. Esse discurso cruel é bem comum em determinados meios religiosos e mais conservadores, mas, infelizmente, vejo essa ideia também ser reproduzida por blogueiras, sites e revistas aparentemente modernas.

 

Há uma cultura que prega que estar em um relacionamento é muito mais valioso para a mulher do que para o homem, gerando as costumeiras brincadeiras que insinuam que o cara se casou obrigado ou pressionado pela mulher.(Pode parecer exagero a minha implicância, mas tenho PAVOR desses bonequinhos de casamento no qual o cara está amarrado pela noiva). Além disso, homem solteiro após os 40 é visto como livre e bon vivant, enquanto mulheres na mesma situação são consideradas fracassadas e mau amadas. Nossa sociedade considera o matrimônio uma vitória para a mulher e uma derrota para os homens. Essa crença, somada a tradicional culpabilização da mulher pelo fracasso do relacionamento, gera os famosos:

 
Foi traída? Vixi, com certeza o marido procurou na rua o que não tinha em casa (ai gente, francamente, melhorem…)
 
A relação esfriou? A mulher está muito desleixada. Ela que se vire pra apimentar a vida sexual mesmo que o bofe esteja 100% nem aí.
 
Muitas brigas? Ahhh, homem é assim mesmo. Cabe a mulher ser sábia e saber administrar (POUPE-ME!)
 

Óbvio que não quero fazer aqui uma ode ao fim dos relacionamentos e tratar algo tão importante de forma volúvel. Quero apenas que pensemos sobre as estruturas que pregam que as mulheres obrigatoriamente devem estar em um relacionamento para serem felizes. Quero, principalmente, que as mulheres saibam diferenciar um relacionamento saudável que vale a pena de um relacionamento abusivo ou ruim, ao qual você se prende por puro apego e medo do que os outros vão pensar.

 

Desconfio que dificilmente vocês verão aqui no blog os tipos de postagens expostos no início do texto, já que acreditamos que o esforço para fazer a relação dar certo ou “ser salva” é algo bilateral e não deve recair somente sobre as mulheres. No mais, se você precisa despender imenso esforço para manter um relacionamento, talvez o melhor seja se livrar dele. A relação deve ser leve e fácil a maior parte do tempo, se você passa mais tempo tentando salvar ou consertar do que sendo feliz, tá na hora de repensar isso aí.

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Daniele Fabre

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